Capítulo 7: Mr. Darcy

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A R I A

Conversamos por mais algum tempo, até que Zayn alegou precisar fazer algumas coisas antes da hora do baile. Do "baile". Tudo aqui era estranho e parecia ter saído de um livro. Falar um baile era estanho, porque não era um baile funk. Não, deveria estar longe de ser, na real.

Fico mais um pouco lá fora observando a paisagem e todas as informações que eu tinha conseguido... Certo, nenhuma realmente útil. Depois de mais ou menos uma hora, eu suspiro e levanto.

Entro na casa e logo sou saudada por uma empregada, se prontificando a atender algum desejo meu. Nego todas as suas investidas de ajuda e finalmente consigo subir para o andar de cima. O plano era ir para o meu quarto, ficar lá até alguém vir me chamar pro tal baile, porém, como eu disse, era apenas o plano. Não deu certo.

- Mamãe! - Eddie desgruda rapidamente da mulher com cara de bruxa má que estava no seu quarto, e se esconde atrás das minhas pernas.

- Senhora, desculpe, não vai se repetir. Venha, Edward. - O filho não era meu? Da Outra, no caso, mas ainda assim, meu? Venha pra onde, sua doida?

- Não, está tudo bem, a senhora está dispensada, por enquanto. - Seja lá o que esse ser era. Julguei ser a babá.

- Senhora. - Ela deu uma saudação que eu achei desnecessária, como todas as outras e me volto para a criança que parecia estar muito feliz apenas mexendo nos contornos da saia do vestido.

- Vamos, Eddie, vamos caçar algo para fazer. - Sigo a criança desajeitada de 3 anos e começo a pensar o que eu estou fazendo com a minha vida.

Ed ainda tinha perninhas rechonchudas de neném, então de vez em quando ou ele tombava para um lado ou as gordurinhas balançavam. Era a coisa mais linda.

Eu amo bebês, porém acho que nunca teria coragem de ter um. Sempre achei que dava muito trabalho e olha eu aqui. Em 1850 com um bebê.

Estava realmente considerando que eu tinha morrido ou estava alucinando.

- Aqui. Papai. - Eu tinha percebido que Eddie era esperto. Ele sabia falar, montar frases direitinho, mas na maioria das vezes falava do mesmo jeito que eu jogava palavras-chave no google.

- Papai? - Ele concorda e eu dou de ombros, abrindo a porta. Afinal, eu estava sem memória, se fosse um cômodo proibido ou sei lá o que, eu botava a culpa nisso. Ou na criança.

A sala era uma biblioteca. Ao mesmo tempo que eu fiquei feliz, eu fiquei triste. Desculpa mundo, livros antigos são um porre.

Era a mesma coisa de ter uma piscina e não ter água. Ou ir numa sorveteria e não ter sorvete. Eu iria sentir tanta falta da literatura moderna. J.K Rowling, Stephan King, John Green, Rick Jordan... Mais uma motivação para voltar para casa.

Não que eu precisasse de mais alguma.

Eddie marcha determinado no meio das estantes e eu deixo. Vou fazer o que? Vai que o menino é algum gênio importante. Tento lembrar todos os nomes históricos e vejo se acho algum Edward ou Eddie.

- Esse. - Ele me entrega um livro e o olho por um tempo. Esse o que? Ele não podia pelo menos tentar ser um pouco mais específico? Eu sabia que ele sabia falar, tinha jogado na minha cara que eu tinha sumido. Eu, no caso, a Outra.

- Eddie, porque você não forma frases inteiras? Eu sei que você consegue, vamos. - Incentivo gentilmente, afinal, ele não vai ser um gênio se chegar nos lugares e falar uma frase completa e o resto coisas como "Xixi. Assento. Branco. Cômodo." Era quase um mega-senha.

- Eu não gosto. - Me controlo para não rir da sua resposta.

- Eu percebi, mas se eu começar a falar como você, por exemplo, você nunca vai me entender. - Ele me olha como se duvidasse.

- Eu entenderia. - Dou de ombros.

- Certo. Eu. Ir. Embora. - Brinco porém seu bico me faz pensar que fiz algo errado. - Oh, não, bebê, eu não vou embora... - Era tarde demais, a criança estava aos berros. Aqueles choros sentidos. - Desculpa, desculpa, eu falei brincando... - E é por isso que eu nunca pensei em ter um filho.

- Eddie? - Oh, Deus, de onde ele brotou?

"Aqui. Papai" me vem a cabeça. Ah, ele deveria saber que o Zayn estava aqui.

- O que aconteceu? - Fico levemente embaraçada ao explicar que fiz o filho dele chorar com uma piada sem querer.

- O seu senso de humor aumentou muito. - Ele murmura e eu não sei se levo isso como bom ou ruim. Não foi um tom azedo ou reprovador, apenas algo... surpreso ou inesperado. Será que a Outra era chata?

- Pronto, Eddie, já passou. - Ele para de chorar aos poucos e depois, em questão de segundos, começa a folhear o livro como se nada tivesse acontecido antes.

Dislexia. Déficit de atenção. Várias possibilidades.

- Coisas a fazer, hum? - O provoco ao perceber um livro em sua mão.

- Eu estava, hum, hã, lendo algo importante. - "Orgulho e Preconceito" era o título.

- Oh, sim, tenho certeza que o Mr. Dancy precisa ser lido antes do baile.

- Você nunca leu Orgulho e Preconceito. - Ele afirma tão certo que começo a me perguntar se mulheres nesse tempo já poderiam saber ler. Espero que sim.

- Tem certeza?

- Absoluta. Eu tentei de todas as formas que você lesse, você nunca quis. - Era realmente algo importante?... Pelo seu tom, era.

- Talvez eu tenha lido sem te contar... - No meu caso, não passei da primeira página (não sabia apreciar obras antigas, não me prendiam.) Mas tinha assistido o filme, porém.

- Impossível. - Mas que porra. Outra do caramba, porque tu não me fez o favor de ter lido?

- O que é tão importante nesse livro? Talvez você tenha comentando os nomes dos personagens e eu lembrei apenas desse. - Ele parece se recompor e para de me olhar desconfiado. Qual é. O que ler ou não um livro pode entregar sobre alguém?

- Você tem razão, me desculpe. Eu, hã, preciso falar com o Liam, nos vemos na hora de ir. Eddie, quer vir comigo? - O bebê discorda e de novo nos separamos.

Zayn parecia ter certa dificuldade em falar comigo por muito tempo sem fugir, ainda estava decidindo se isso era algo bom ou ruim. Ignoro isso e volto a atenção para a criança.

- Não, Eddie, esse não... - Tiro da sua mão o que parece ser um daquelas romances eróticos antigos de sebo e lhe entrego outro.

Beyond Time - Zayn MalikHistórias para pegar e não largar. Descubra agora