Z A Y N
- Eu gosto que a cara de vocês 4 não disfarçam. - Louis provoca assim que subimos no ônibus.
- Assim como a sua de resseca também não. - Mando de volta e ele apenas dá de ombros, concordando.
- Nisso eu admito que vocês estão melhores do que eu. - Sentamos eu e Aria com Liam e Maya na frente.
Louis, Niall e Harry estavam em seus celulares, enquanto o casal na nossa frente estava em seu completo mundinho. Me viro pra Aria.
- Hey. - Ela ri.
- Oi. - Passo meu braço por detrás dos seus ombros e levanto uma sobrancelha, brincando.
- Você vem sempre aqui?
- Bem, não muito. - Me seguro pra manter no personagem quando queria rir.
- Imaginei, um rosto assim eu teria lembrado. - Nós dois rimos e ela pega uma respiração antes de me zoar.
- É esse o seu papo, Malik? Sorte a sua que você não precisa dele, só a beleza basta. - Finjo estar magoado.
- Ah, é assim então, apenas a minha beleza importa pra você. - Aria rola os olhos.
- Claro que não. - Fico feliz. - Eu gosto das suas músicas tá bem. - Tiro meu braço de trás das suas costas porque começou a formigar e a manda ir se fuder. Relação saudável o nome.
- Música favorita? - Pergunto para puxar assunto. Tínhamos ainda um longo caminho até a próxima cidade do show.
- Back to life e good guy. - Fico surpreso com a segunda.
- Good guy? Sério? Imaginava que você escolheria alguma mais fofinha. - Ela dá de ombros, sem dar muita importância pra isso.
Antes de me falar a próxima coisa, percebo ela olhando em volta, tendo certeza que ninguém estava realmente prestando atenção na gente.
- Você quer continuar falando sobre o lance da Perrie agora? Ou dos traumas? - Rio alto com essa. Eu achei que ela ia me falar alguma coisa pervertida, não isso.
- Meu deus, babe. Você quer falar da minha ex na manhã seguinte? - Aria rola os olhos pra mim, levemente impaciente.
- Não é exatamente um desejo do fundo da minha alma, mas eu não esqueço que eu estou aqui trabalhando também e você pediu terapia, você vai ter terapia. - Não ouso discordar do seu tom e concordo.
- Tá certo, tá certo. Se te faz se sentir melhor, vamos ter uma sessão. Mas não aqui. - Mesmo que ninguém estivesse realmente prestando atenção, não me sentiria confortável. E por um milagre, ninguém nos zoou ou fez alguma piada quando seguimos para a ala dos "dormitórios".
- Que deja-vu. - Aria brinca quando vai pro lado, abrindo espaço na cama para mim. Realmente era uma situação familiar, tínhamos feito basicamente a mesma coisa a um tempo atrás. - Okay, finja que eu sou qualquer outra pessoa aqui. Sobre o que você quer falar? - Penso sobre isso.
- Bem, sobre uma noite incrível que eu tive com vo...
- Zayn! - Ela ri, me interrompendo. - Se não formos levar isso a sério, eu vou pedir demissão. - Suspiro, derrotado.
- Tá bom, tá bom, que seja. - Respiro fundo. Eu estava tentando fugir disso.
- Quando você estiver pronto. - Se passam cinco minutos no total silêncio. - Eu gostaria que você ficasse pronto logo. - Rio.
- Desculpe. Continuando. Estávamos falando da Perrie, certo? Bem, eu não acho que deveria abrir a ferida dela e tentar falar com ela de novo. Eu não amo mais, mas tenho muita consideração, porém tenho medo de a machucar mais indo falar com ela de novo, depois de todo esse tempo...
- Certo, por enquanto vamos deixar esse assunto quieto. Traumas que a banda trouxe, o que você gostaria de falar sobre? - Era legal como seu tom mudava. Não era mais tímido ou qualquer coisa assim, era confiante, seguro.
- Éramos incrivelmente presos. Não tínhamos permissão de mudar nada na nossa aparência que não seguisse uma regra. Nos deixaram inseguros, quase nada do que a gente escrevia prestava para eles.
- Imagino... Você saiu alegando querer mais privacidade, certo? Isso realmente foi uma das causas ou só uma "desculpa" pra encobrir o resto? - Paro para pensar sobre isso antes de responder.
- Pode se dizer que foi um pouco dos dois. Eu nunca quis essa vida. Eu não gosto dessa vida. Fotos, entrevistas, comentários em tudo e por mais que eu ame meus fãs e seja incrivelmente grato, não era uma coisa que eu queria também. - Tento achar palavras para me expressar melhor. - Eu queria mexer com música, mas não estar realmente nos holofotes. Um produtor, quem sabe? - Tinha considerado isso muitas vezes nos últimos anos que fiquei fora da ativa. -Mas mesmo assim, de novo, sou muito grato a tudo que essa vida me proporcionou, mesmo não sendo as mil maravilhas que todos imaginam.
- Então você preferiria continuar como esteve nesses últimos anos? Produzindo seus álbuns, alguns clipes e sumindo? - Concordo, em resumo, era bem isso.
- Sim.
- Então porque aceitar o convite de volta da banda? - Boa pergunta.
- Eu estava amigo dos meninos de novo, tínhamos feito as pazes. Estava morrendo de saudade de subir nos palcos, por mais que não admita e diga que prefiro estar fora dos holofotes, e sozinho eu não consigo ainda. Não tenho a segurança necessária e as vezes nem a vontade. Mas com eles fica bem mais fácil essa tarefa. - Ela concorda, parecendo pensar em algo.
- Por quê você acha que não tem segurança pra fazer um show solo? Ou até mesmo vontade? - Rio fraco.
- Você viu os últimos shows. É com aquilo que eu estou acostumado. Com guerrinhas de água sem sentido, com palhaçadas do Niall, com o grito das fãs... - Deixo a minha voz demonstrar toda a emoção que aquele sentimento me trazia. - E nos meus, bem, tinha o grito dos fãs... Mas era tão monótono, tão sozinho... Simplesmente não gostei da experiência. E não me senti suficiente para animar uma platéia.
- Então não foi exatamente você não gostando da experiência, foi você se achando insuficiente. Você concorda com isso? - Analiso. Bem, eu tinha gostado do show, mas ficava sempre me perguntando se o público tinha gostado ou o que eu fiz de errado...
- Sim, eu concordo.
- E alguém chegou e te falou que não gostou ou você simplesmente presumiu que não conseguiria fazer isso? Fazer um bom show? - Ela estava me encurralando.
- Não, ninguém me falou que foi um show ruim ou que não gostou...
- Então, Malik, a única pessoa que não ficou satisfeita foi você, não seus fãs. Que eu tenho certeza que adorariam mais oportunidades para ir em shows seus.
- Bem, é uma coisa que eu posso considerar. - Ela ri.
- Então eu acho que é tudo por hoje. Pensa bem em tudo que eu te falei e... - Começo a fazer cócegas nela, cortando esse papo final.
- Você não vai me tratar como um paciente normal falando essa frase ensaiada pra mim. - Resmungo divertido enquanto ela ri e se contorce, tentando se afastar dos meu dedos. Paro para que ela possa me responder.
- E se você não é um paciente normal, Malik, você é o que? - Boa pergunta.
- Eu serei o que você quiser que eu seja. - E eu quis dizer isso.
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Beyond Time - Zayn Malik
RandomCom uma das piores tragédias do ano de 2025, muitas pessoas ficaram desaparecidas e raramente foram encontradas. Uma dessas pessoas foi Aria Moroe, uma estudante de medicina de 22 anos, que foi arrastada pela água como muitos outros. Naquela manhã...
