Capítulo 48: Paciente Normal.

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 Z A Y N

- Eu gosto que a cara de vocês 4 não disfarçam. - Louis provoca assim que subimos no ônibus. 

 - Assim como a sua de resseca também não. - Mando de volta e ele apenas dá de ombros, concordando. 

- Nisso eu admito que vocês estão melhores do que eu. - Sentamos eu e Aria com Liam e Maya na frente. 

 Louis, Niall e Harry estavam em seus celulares, enquanto o casal na nossa frente estava em seu completo mundinho. Me viro pra Aria. 

 - Hey. - Ela ri. 

 - Oi. - Passo meu braço por detrás dos seus ombros e levanto uma sobrancelha, brincando. 

 - Você vem sempre aqui? 

 - Bem, não muito. - Me seguro pra manter no personagem quando queria rir. 

 - Imaginei, um rosto assim eu teria lembrado. - Nós dois rimos e ela pega uma respiração antes de me zoar. 

 - É esse o seu papo, Malik? Sorte a sua que você não precisa dele, só a beleza basta. - Finjo estar magoado. 

 - Ah, é assim então, apenas a minha beleza importa pra você. - Aria rola os olhos. 

 - Claro que não. - Fico feliz. - Eu gosto das suas músicas tá bem. - Tiro meu braço de trás das suas costas porque começou a formigar e a manda ir se fuder. Relação saudável o nome. 

 - Música favorita? - Pergunto para puxar assunto. Tínhamos ainda um longo caminho até a próxima cidade do show. 

 - Back to life e good guy. - Fico surpreso com a segunda. 

 - Good guy? Sério? Imaginava que você escolheria alguma mais fofinha. - Ela dá de ombros, sem dar muita importância pra isso. 

 Antes de me falar a próxima coisa, percebo ela olhando em volta, tendo certeza que ninguém estava realmente prestando atenção na gente. 

 - Você quer continuar falando sobre o lance da Perrie agora? Ou dos traumas? - Rio alto com essa. Eu achei que ela ia me falar alguma coisa pervertida, não isso. 

 - Meu deus, babe. Você quer falar da minha ex na manhã seguinte? - Aria rola os olhos pra mim, levemente impaciente. 

 - Não é exatamente um desejo do fundo da minha alma, mas eu não esqueço que eu estou aqui trabalhando também e você pediu terapia, você vai ter terapia. - Não ouso discordar do seu tom e concordo. 

 - Tá certo, tá certo. Se te faz se sentir melhor, vamos ter uma sessão. Mas não aqui. - Mesmo que ninguém estivesse realmente prestando atenção, não me sentiria confortável. E por um milagre, ninguém nos zoou ou fez alguma piada quando seguimos para a ala dos "dormitórios". 

 - Que deja-vu. - Aria brinca quando vai pro lado, abrindo espaço na cama para mim. Realmente era uma situação familiar, tínhamos feito basicamente a mesma coisa a um tempo atrás. - Okay, finja que eu sou qualquer outra pessoa aqui. Sobre o que você quer falar? - Penso sobre isso. 

 - Bem, sobre uma noite incrível que eu tive com vo... 

 - Zayn! - Ela ri, me interrompendo. - Se não formos levar isso a sério, eu vou pedir demissão. - Suspiro, derrotado. 

 - Tá bom, tá bom, que seja. - Respiro fundo. Eu estava tentando fugir disso. 

- Quando você estiver pronto. - Se passam cinco minutos no total silêncio. - Eu gostaria que você ficasse pronto logo. - Rio. 

 - Desculpe. Continuando. Estávamos falando da Perrie, certo? Bem, eu não acho que deveria abrir a ferida dela e tentar falar com ela de novo. Eu não amo mais, mas tenho muita consideração, porém tenho medo de a machucar mais indo falar com ela de novo, depois de todo esse tempo... 

 - Certo, por enquanto vamos deixar esse assunto quieto. Traumas que a banda trouxe, o que você gostaria de falar sobre? - Era legal como seu tom mudava. Não era mais tímido ou qualquer coisa assim, era confiante, seguro. 

  - Éramos incrivelmente presos. Não tínhamos permissão de mudar nada na nossa aparência que não seguisse uma regra. Nos deixaram inseguros, quase nada do que a gente escrevia prestava para eles. 

 - Imagino... Você saiu alegando querer mais privacidade, certo? Isso realmente foi uma das causas ou só uma "desculpa" pra encobrir o resto? - Paro para pensar sobre isso antes de responder. 

 - Pode se dizer que foi um pouco dos dois. Eu nunca quis essa vida. Eu não gosto dessa vida. Fotos, entrevistas, comentários em tudo e por mais que eu ame meus fãs e seja incrivelmente grato, não era uma coisa que eu queria também. - Tento achar palavras para me expressar melhor. -  Eu queria mexer com música, mas não estar realmente nos holofotes. Um produtor, quem sabe? - Tinha considerado isso muitas vezes nos últimos anos que fiquei fora da ativa. -Mas mesmo assim, de novo, sou muito grato a tudo que essa vida me proporcionou, mesmo não sendo as mil maravilhas que todos imaginam. 

 - Então você preferiria continuar como esteve nesses últimos anos? Produzindo seus álbuns, alguns clipes e sumindo? - Concordo, em resumo, era bem isso. 

 - Sim. 

 - Então porque aceitar o convite de volta da banda? - Boa pergunta. 

 - Eu estava amigo dos meninos de novo, tínhamos feito as pazes. Estava morrendo de saudade de subir nos palcos, por mais que não admita e diga que prefiro estar fora dos holofotes, e sozinho eu não consigo ainda. Não tenho a segurança necessária e as vezes nem a vontade. Mas com eles fica bem mais fácil essa tarefa. - Ela concorda, parecendo pensar em algo. 

 - Por quê você acha que não tem segurança pra fazer um show solo? Ou até mesmo vontade? - Rio fraco. 

 - Você viu os últimos shows. É com aquilo que eu estou acostumado. Com guerrinhas de água sem sentido, com palhaçadas do Niall, com o grito das fãs... - Deixo a minha voz demonstrar toda a emoção que aquele sentimento me trazia. - E nos meus, bem, tinha o grito dos fãs... Mas era tão monótono, tão sozinho... Simplesmente não gostei da experiência. E não me senti suficiente para animar uma platéia. 

 - Então não foi exatamente você não gostando da experiência, foi você se achando insuficiente. Você concorda com isso? - Analiso. Bem, eu tinha gostado do show, mas ficava sempre me perguntando se o público tinha gostado ou o que eu fiz de errado... 

 - Sim, eu concordo. 

 - E alguém chegou e te falou que não gostou ou você simplesmente presumiu que não conseguiria fazer isso? Fazer um bom show? - Ela estava me encurralando. 

 - Não, ninguém me falou que foi um show ruim ou que não gostou...

 - Então, Malik, a única pessoa que não ficou satisfeita foi você, não seus fãs. Que eu tenho certeza que adorariam mais oportunidades para ir em shows seus. 

 - Bem, é uma coisa que eu posso considerar. - Ela ri. 

 - Então eu acho que é tudo por hoje. Pensa bem em tudo que eu te falei e... - Começo a fazer cócegas nela, cortando esse papo final. 

 - Você não vai me tratar como um paciente normal falando essa frase ensaiada pra mim. - Resmungo divertido enquanto ela ri e se contorce, tentando se afastar dos meu dedos. Paro para que ela possa me responder. 

 - E se você não é um paciente normal, Malik, você é o que? - Boa pergunta. 

 - Eu serei o que você quiser que eu seja. - E eu quis dizer isso. 

Beyond Time - Zayn MalikHistórias para pegar e não largar. Descubra agora