Capítulo 10: Falta.

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A R I A

Quando chegamos nos jardins, que como eu suspeitava, eram perfeitos para dar uns pega, Zayn finalmente concorda em se separar por um tempo e seguimos direções opostas.

Não tinha ninguém em lugar nenhum, o que me decepcionou um pouco. Minha bisa então mentia, que tempo bom era esse que jovens não sabiam aproveitar? "Tempo bom era o meu" tô vendo. Para saber de agricultura e jardinagem parecia ser ótimo mesmo.

Quando realmente começa a ficar escuro, admito sentir um pouquinho de medo. Eu sempre fui cagona e mesmo não acreditando, vai que lendas são reais e o lobisomem brota e me mata? Eu era a própria prova que o impossível e a realidade conviviam juntos.

- Se meu irmão achar a gente ele... - Sorrio. Achei.

- Te mata. - Contemplei a frase, o que fez os únicos dois que sabiam aproveitar a vida se separarem.

- Meu Deus, Aria, não é isso que você está pens... - Ela se interrompe quando eu mando o meu olhar de "aham, tá, senta lá Cláudia." - Por favor, não conte pro Zayn.

- Ele está te caçando, não tem muito o que eu posso fazer... - A expressão de desespero no rosto dela me comoveu um pouco. O menino nem se fala, estava tão branco que quase brilhava.

- Enrole ele um pouco aqui, finja que descobriu quem é e não era eu, por favor... - Paro e penso...

Ajudar dois jovens controlados por seus hormônios ou ser dedo duro?

- Vocês nem ao menos tentaram disfarçar tanto assim, quem é que vem fazer uma coisa dessas e vem junto quase de mãos dadas? - Eles arregalam os olhos e eu continuo a minha aula explicativa. - Você, precisa de alguém para te cobrir, arranje uma amiga ou use a sua irmã e você... - Me viro pro menino que nem era tudo isso. - Precisa ser menos tonto. Agora... - Paro de falar ao escutar uns passos, ainda longe, porém chegando. - Vão logo que eu tento enrolar ele aqui.

Waliyha fala uns quinhentos "obrigada" e observo os dois se afastarem, sorrindo ao perceber que agora eles estavam mais inteligentes. O Tonto deu a volta na casa e ela sumiu ao passar pelo muro de cerca viva.

- Cadê aquele filho da puta? - Amém, eu poderia falar filha da puta.

- Que filho da puta? - Sorrio inocentemente e percebo que de novo, a linguagem prendeu a atenção de Zayn... Talvez eu não devesse falar tanto assim, então.

- Você não achou ninguém? - Ele pergunta, porém até eu percebi a descrença em sua voz.

- Não... Ninguém conhecido. - O que era verdade. Eu não conhecia a sua irmã.

- Então não tem problema nenhum eu avançar um pouco mais e... - Ele para de falar quando eu me coloco em sua frente. Eu não sabia o tamanho da propriedade até a porta, vai que sua irmã ainda não tinha chegado.

- Não, problema nenhum. - Concordo, porém impeço de novo que ele dê outro passo.

- Eu não vou encontrar a minha irmã correndo desesperada até a porta depois de ter pedido para você me enrolar então, certo? - Diferente do que eu esperava, tinha um sorriso brincando com a sua boca.

- Certinho...

- Ótimo, eu não quero a minha irmã, eu quero o bastardo que eu vou fazer questão de quebrar a mão e a boca. - Arregalo os olhos e pego o seu braço.

- Não faça isso. - Peço e espero que eu conseguia salvar o rosto do pobre coitado tonto e burro.

- Me dê um bom motivo. - Paro e penso, que bom motivo?

Enquanto pensava, percebo que ainda estou grudada em seu braço. Era um bom braço, eu tinha que admitir.

- Por que você pode ficar aqui comigo? - Saiu quase como que uma pergunta.

- E, o que, exatamente, eu estaria aqui fazendo com você? - A resposta estava na ponta da minha língua. "O que você quiser."

Porém decido que melhor não.

- Eu aposto que você pode pensar em alguma coisa... - Que não envolva deformar a cara de um pobre adolescente virgem e necessitado.

Ele depois dessa estava me encarando.

- Você realmente não deveria me oferecer isso... - O que eu estava oferecendo? Com o olhar que ele tava me dando, ele falava "dá" e eu responderia "pega."

- E por quê não? - Ar. Alguém me dava porque estava faltando.

Sinto seu braço soltar do meu aperto e segurar firma a minha cintura, quando ele me puxa para colar os nossos corpos eu não consigo evitar um suspiro.

- Porquê eu com certeza vou aceitar. - Eu acho que estava bem perto de ovular. Meu corpo estava, literalmente, pedindo por esse homem. Era quase como um instinto, a única coisa que eu conseguia pensar era que eu precisava dele.

- Zayn... - Sussurro e por estarmos tão perto, o mínimo movimento dos meus lábios os fez encostar nos seus. Ambos trememos com aquele simples toque. Eu não sabia o que eu queria, apenas que eu queria. - Por favor... - Eu quase não precisei falar a última sílaba já que ele a bebeu da minha boca.

Eu não sei como, mas parecia que eu conhecia ele desde de sempre. O tremor que passou no meu corpo começou do primeiro fio de cabelo e foi até o dedinho do pé, como se estivéssemos selando algo ou como se aquilo fosse para ser.

Estávamos literalmente desesperados. Eu tinha sentindo a tensão e a atração entre a gente a tempos, porém parecia que ela estava sendo ignorada até agora. Porém, não mais.

Nós separamos durante uns cinco segundos e nesse período apenas nos encaramos. Era como se eu pudesse me enxergar nele, o desejo, o desespero, o desconhecimento, tudo. Resolvo quebrar aquilo o puxando de novo, dessa fez fazendo o que eu queria fazer antes. Seu cabelo. O puxo sem a menor delicadeza e percebo que isso tem um grande efeito nele quando a mão em minha cintura sobe o suficiente para roçar no meu seio e fazer aquela área também pegar fogo.

- Eu não sei mais se eu amo esse decote... - Ele sussurrou ao perceber que não tinha jeito de termos um contato mais íntimo com ele ali, a menos que desamarrássemos.

- Eu sempre o odiei. - Acho que escutei um "foda-se" antes das minhas costas baterem na parede.

- Eu senti a sua falta.

Eu não sabia como, mas eu também.

Beyond Time - Zayn MalikHistórias para pegar e não largar. Descubra agora