Coincidentemente, a música seguinte da minha playlist era do Nate Archibald. Estava chegando no meu prédio, as escadas até o quinto andar sempre eram o desafio diário, dessa vez eu estava acompanhada da música Pillowtalk e a voz do Nate soava nos fones de ouvido. Cantarolei junto conforme me arrastava, o dia tinha sido corrido.
— Sabe, acho que prefiro sua versão dessa música. — Chuck estava sentado no final das escadas, minha reação foi arregalar os olhos.
— O que você está fazendo aqui? — Desviei dele, segui para minha porta, ele me seguiu.
— Sabe, a senhora que mora no apartamento ao lado faz um bolo excelente. — Entrou atrás de mim. O lugar estava bem limpo, eu já tinha empacotado boa parte das minhas coisas.
— Por que você estava na casa da minha vizinha? — Estava procurando cookies no meu armário, eu sempre comia essas besteiras quando chegava do trabalho. Chuck se sentou no sofá como se tivesse sido convidado. Ele tinha a aparência de sempre, a camisa social azul escura lhe caiu muito bem.
— Estava te esperando, dã. — Falou como se fosse óbvio. — E eu não sabia que cantava.
— Como vai saber coisas sobre mim se não nos conhecemos? E eu não canto. — Estava tentando entender o que ele estava fazendo aqui, mas meu corpo todo estava cansado. Só queria minha cama.
— Acho que depois dos nossos dois encontros, mesmo que tenham sido rápidos, faz de nós conhecidos. — Ele cruzou uma das pernas sobre o joelho, me observava atentamente. — E sua voz é adorável. — Senti o rosto esquentar um pouco diante do elogio, algumas pessoas já elogiaram minha voz antes. Cantar não era algo que eu priorizava, apesar de gostar.
— Hum, obrigada então. Pode me dizer o que faz aqui?
— Eu tenho uma proposta para você. — Espero que ele não me ofenda com alguma cantada barata, já que tentou uma vez. —Bem, eu preciso que você seja minha namorada. —A água que eu estava bebendo voou. Chuck veio até mim e pegou um pano de prato pra secar a bagunça.
— O que?!
— Desculpe Blair, eu deveria ter explicado antes. — Ele parecia tentar arrumar palavras enquanto secava a água da mesa. Finalmente voltou a me olhar, se sentou numa cadeira ao meu lado. — Então, você provavelmente leu na Garota do Blog o que estão falando sobre mim. — ele estava me provocando sobre o que falamos a nossa primeira conversa. — Eu preciso mudar a opinião pública, e rápido.
— E o que eu tenho com isso? Se precisa de uma namorada, você tem milhares de mulheres que gostariam de ocupar este posto, não estou entendendo...
— Blair, — me interrompeu. — Eu preciso que seja você. Pense na história: O até então devasso e mulherengo se apaixona por uma garota comum, terá a repercussão perfeita. — O olhar de cachorrinho que caiu da mudança, ele fez essa cara num filme que assisti.
— Está interpretando pra me persuadir? — Estrelas de cinema são todas doidas da cabeça?
— Ok, eu estava. Desculpe, não foi muito legal. Mas é sério, eu preciso muito da sua ajuda. E não adianta me pedir pra encontrar outra garota, não tenho muito tempo. Eu tenho apenas algumas semanas para ser um homem apaixonado.
— Você pode me explicar o motivo de ter um prazo tão curto? — Ele é bem persuasivo, mas preciso de explicações.
— Tarantino me chamou pra protagonizar um filme que ele vai produzir. — Tarantino é brilhante. — Eu quero muito trabalhar com esse cara, ele é um ídolo. Mas a equipe não está feliz com minha imagem, então preciso de ajuda pra mudar isso.
— Entendo, isso é realmente incrível. Mas Chuck, você não pode me pedir isso, eu tenho uma vida bem complicada. Me desculpe, mas...
— Blair. —me interrompeu novamente. — A gente pode formular um contrato, eu vou te pagar pra me acompanhar nos eventos e parecer que sou o amor da sua vida. Vai dar certo, você vai ficar famosa nas redes sociais, pode até se tornar blogueira. O que acha? — dei risada quando ele falou sobre blogueira, não que seja uma ideia tão ruim. — Viu? Eu te divirto, posso ser uma boa companhia. Vou te respeitar, prometo que não vou tentar nada. — ele fez os olhos suplicantes de novo.
— Eu não sou atriz como você, interpretar pode não ser tão simples para outras pessoas. — A parte do pagamento me persuadiu bastante, seria minha escapatória de ir morar na rua.
— Eu sei que você consegue, não preciso de uma atriz nisso. Uma pessoa real é o que preciso, fiquei pensando nisso o dia todo, confie em mim.
— E quanto vai ser o pagamento? Não pretendo abandonar meu emprego.
— Não se preocupe com dinheiro, eu tomei a liberdade de te fazer um adiantamento. — Oi?
— Então você estava certo que eu aceitaria? — a tentativa de parecer se sentir culpado foi falha, ele não aguentava segurar o sorriso. Sinceramente, um belo sorriso. — Eu posso dizer não.
— Quer dizer que está terminando comigo? — Dei outra risada. Talvez esse segundo emprego seja legal.
— Você tem o número da minha conta? — outra tentativa de parecer culpado. — Quanto depositou, Chuck? — Peguei o celular para conferir o aplicativo do banco, alguém tinha realizado um depósito com vários zeros mais cedo. Uau, isso resolveria muito os meus problemas. Estava com vontade de fazer uma dancinha da alegria, minha casa era minha novamente.
— Se você achar que não é uma quantia suficiente, eu posso resolver. Só por favor, me ajude com isso. — ele roubou um cookie do pacote.
— Não preciso de mais dinheiro. Tudo bem, eu topo. — Não é possível que sair em revistas e na televisão ou receber presentes de marcas seria tão difícil.
— Que bom que aceitou, tem outra coisa... Eu meio que fui fotografado entrando aqui, então talvez aconteça dos moradores serem interrogados por pessoas aleatórias. — Consigo lidar com isso. — E talvez eu tenha pagado sua vizinha pra dizer que nos viu trocando beijos apaixonados.
— Talvez ela não tenha oferecido bolo atoa, Chuck. — Normalmente, eu ficaria brava com essas manipulações, mas estava achando divertido. —Espero que não parta meu coração pro mundo inteiro assistir. —ele sorriu e continuou comendo o cookie.
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A Proposta
FanfictionChuck Bass é um talentoso ator mundialmente prestigiado, mas sua conduta pessoal está interferindo na vida profissional. Ele precisa urgentemente mudar a opinião pública a seu respeito e fingir que é um homem mudado através da paixão. Blair Waldorf...
