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*Maratona 3/5

MITRAM TROLLOPE

Desde a minha infância, Eros sempre fez questão de pintar os Rithele como os demônios de Selena, presentes apenas para amaldiçoar e atrapalhar a vida de pessoas justas e francas como a linhagem Trollope, mas meu pai sempre teve tendência a exagerar as coisas e eu desconfiava de tuas palavras, até testemunhar a atrocidade daqueles seres no poder com os próprios olhos.

Eu era pequeno, tinha apenas seis anos, estava tendo uma infância feliz e inocente em Bacco — a fortaleza da casa Trollope e também a cidade principal de nosso distrito. Naquele dia as primeiras flores estavam voltando a nascer, passei o dia todo especulando em quanto tempo os frutos retornariam e planejando como roubaria cada um deles com a ajuda dos meus dois melhores amigos sem que minha mãe extremamente feliz e reclamona — por conta da gravidez — descobrisse e gritasse comigo pelas costas do chefe da família. Ela fazia muitas coisas às escondidas, lia histórias bobas, brincava no jardim dos fundos, dormia ao meu lado quando meu pai viajava e principalmente, me defendia, apesar de todos os tapas que levava a seguir. Me lembro das vezes em que a via chorando e com marcas pelo rosto, costumava fechar meus olhos fortemente, acreditando que quando os abrisse, tudo teria passado. Ela sorria alegando estar tudo bem e, apesar de saber que não, eu concordava e a chamava para pintar — seu hobby favorito.

Foi quando avistei de uma das janelas, Eros Trollope junto a outros homens se aproximarem rapidamente aos galopes enquanto pareciam gritar ordens a plenos pulmões, apresando qualquer servo que avistassem, como se fugissem desesperadamente de algo.

As pessoas ao escutarem seus brados arregalavam os olhos e começavam a correr para a fortaleza, puxando familiares pela mão, em desespero e quase tropeçando no processo. Os guardas se apressavam em chegar a suas posições ou avisar mais pessoas sobre o perigo que se abeirava.

Lembro de sentir um frio na barriga e um medo inexplicável, algo dentro de mim sabia que tudo iria ruir.

Papai havia partido a algumas semanas com mais soldados do que eu podia contar na época. Ele esbanjava sorrisos e me contava sobre a grandiosa vitória que o aguardava e como nossa vida estava prestes a mudar para melhor depois dos eventos seguintes. Me lembro de ficar em parte animado com tudo, pensando em mais brinquedos e amigos, ainda não entendia a magnitude da situação, mas acho que se soubesse, não teria sonhado tão avidamente com a minha chegada ao palácio, sendo aclamado e paparicado por todos, sem quaisquer problemas ou mortes. Eu pensava que era fácil, Eros chegaria lá com seus homens, colocaria medo no rei que recuaria e negociaria a coroa, ainda mais depois de ver todas as coisas boas que poderíamos fazer.

Uma ideia tola e ingênua, alheia à realidade.

Ouvi as coisas dentro do forte começarem a se agitar, ao passo que pessoas ao meu redor corriam de um lado ao outro buscando se preparar para a desgraça que se aproximava e eu permanecia parado, ainda tentando entender o porquê do fuzuê.

Foi quando os vi pela primeira vez, a marcha real aos longes, se aproximando mais devagar, como se aproveitassem a cena, como se quisessem dar um ar maior de tenção para a situação. Eles queriam ver o caos, era nítido que se deliciavam com o que viam.

Eram muitos, mais pessoas do que já vi reunidas em toda a minha vida, marchando gloriosamente uma ao lado da outra.

Seria lindo, se não fosse trágico.

Mais tarde descobri que nossos aliados haviam recuado e aceitado dinheiro e promessas de poder vindas da corte — as quais nunca foram totalmente cumpridas — e entregaram meu pai e seu exército de bandeja, atacando-o de dentro para fora.

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