Capítulo 38

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Não tinha porque, mas estava nervosa.

Faltava um dia para meu casamento, o qual, não sabia como ia ser. Hero não estava em casa nos últimos dias, ou pelo menos, quase não conversamos.

As empregadas iam e vinham por toda a casa, pessoas arrumavam o jardim e outros o adornavam. Courtney e Jace cuidavam de cada detalhe, dando ordens, tentando que tudo fosse o mais perfeito possível.

Hero chegava às onze da noite e ia direto tomar banho e logo dormir. Sem jantar em casa, sem comer em casa, sem falar nada além de boa noite ou durma bem.

Já não compartilhamos a cama, depois de saber que temos um quarto de hóspedes, não ia ficar no quarto de Hero.

Estava tudo pronto, só faltava o sim de ambos e Hero seria feliz para sempre.

- Está acordada? – perguntou uma voz sonolenta. Me sentei na cama e olhei em direção a porta entreaberta.

- Sim, entra.

- Não está com sono?

- Por acaso estou dormindo? – disse divertida. Riu e entrou no quarto – Não consigo, não sei porquê.

- Eu sei – foi até meu lado na cama – Me dá um espaço na cama?

Sem responder fui mais para o lado e ele se sentou comigo.

A escassa luz da lua iluminava o quarto. Hero e eu, dominados pelo nervosismo, sem poder dormir, juntos, às três e meia da manhã.

- Por quê? – perguntei sem olhar-lo.

- Porque ambos estamos nervosos – respondeu sem me olhar. Ambos estávamos olhando para a para a nossa frente.

- Não estou nervosa – menti. Ele passou seu braço pelo meu ombro e me deu um beijo na bochecha – É sério Hero.

- Desculpa – sussurrou.

- O que? – perguntei sem compreender.

- Que me desculpe – sussurrou de novo.

- Te escutei, mas não sei a que se refere.

- Apenas me perdoe, não pergunte o porquê. Me perdoa – sua voz soava sincera e me deu outro beijo na bochecha – Pode me perdoar?

- Não posso perdoar algo que não sei que estou perdoando.

- Não pergunte Josephine, mas me perdoa.

- Claro que te perdôo.

Ele pegou uma de minhas mãos e a entrelaçou com a sua e logo a deu um beijo suave. Olhou para mim e sorriu.

- Amanhã vai ver meu irmão.

Finalmente compreendi.

Ele não estava nervoso pelo casamento, mas sim, por ver seu irmão. Seu nervosismo vinha de algo que o importava, e não por ir ao altar e pronunciar um simples "sim". Ele amava seu irmão e o queria por perto de novo. Não me amava, eu era apenas um passe para Hero.

- Você também o vai ver – disse sorrindo.

Ocultar as lágrimas nem sempre é fácil.

- Sim – disse emocionado e eu desviei o olhar – Posso dormir com você?

Pensei em dizer que sim, mas a vontade de chorar estava aumentando.

- Que necessidade tem de dormir comigo? De amanhã em diante serei obrigada a dormir contigo.

- Isso é verdade. Mas uma noite a mais não faz mal.

Mas nisso, Hero estava equivocado. Para mim fazia mal, me fazia ilusionar com coisas que não iam acontecer, me fazia sentir usada, sem valor.

- Não – disse secamente.

- Que má você é – disse tranquilamente – Te tratei bem.

- Apenas agora. Não estava em casa por dias – disse quase queixando.

- Não fique brava – disse divertido.

- Não fiquei brava Hero.

- Não vou dormir com você, mas amanhã não se salva – se levantou – Suponho que tampouco quer um beijo.

- Supôs errado – murmurei.

- Escutei o que acho que escutei?

- Não sei o que ouviu, mas se ouviu o que eu disse, está certo – ele se abaixou e me beijou.

- Outra vez, me perdoa – ainda não entendia.

- Não sei o porquê, mas vou. Até amanhã.

- Até amanhã – saiu do quarto.

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Aly veio me acordar. Tomei banho, comi e fui levada ao cabeleireiro.

- Pronta – disse a maquiadora.

- Posso abrir os olhos? Se eu continuar com os olhos fechados vou dormir – ela e as três empregadas riram.

- Pode abrir – me olhei no espelho – Gostou?

- Sim – respondi sorridente.

Logo arrumaram meu cabelo. Ao estar pronta voltamos para casa. Quando chegamos já dava para ouvir a música.

- Onde está Hero?

- Foi se arrumar na casa de um amigo – respondeu Aly – As pessoas já chegaram.

As três me ajudaram a colocar o vestido e me deram os saltos.

- Posso entrar? – disse alguém na porta.

- Claro – respondi ao ver Rose – Já faz tanto tempo.

- Você está linda – disse quando nos abraçamos – Hero chegou, disse para avisar que pode descer quando quiser, mas que não se atrase – sorriu emocionada.

- Já desço.

- Nos vemos daqui a pouco, vou procurar um bom lugar para ver de perto o beijo – disse sorrindo e saiu junto com as outras três me deixando sozinha.

Já não havia escapatória, era descer e dizer "sim, aceito". Certamente Hero estava lindo, mais que o habitual. Sorri e me sentei na cama. Estava mais que nervosa, precisava me conter para não chorar.

Era hora de descer e estava convencida de que eu queria dizer "sim", casar com ele, mas não agora, não com dezessete anos, não por obrigação.

O relógio do criado-mudo marcava seis da noite, era hora de descer. Todos já deviam estar sentados esperando a noiva. Não poderia me ausentar. Saí do quarto, fui até as escadas e olhei os degraus. Respirei fundo, segurei no corrimão da escada e comecei a descer.

A BELA E A FERAOnde histórias criam vida. Descubra agora