Capítulo 41

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Chegamos a Paris e Hero não me quis ajudar com as malas.

- Vamos, caminha – disse levando sua mala com facilidade.

- Hero, não é justo – disse irritada e ele riu.

- Para mim tampouco é justo Josephine – deu meia volta e me olhou – Aí tem a vingança, e acredite, fui bastante legal ao fazer isto e não o outro.

- Claro, como se eu fosse acreditar que esta noite não vai tentar me violar – disse causando sua terna risada.

- Essa é a segunda parte, Josephine – sorriu, eu rodeei os olhos.

- Vou deixar uma aqui. Não consigo levas as duas ao mesmo tempo.

Ele começou a caminhar novamente. É sério? Hero estava me deixando com duas malas grandes, sozinha e em um aeroporto. Não de importava. Sua vingança, isso era sua vingança.

- Imbecil – murmurei.

- Ei, eu nem falei com você – disse um garoto que passava por ali.

- Desculpa não era para você.

- Eu sei – sorriu – Estou te olhando desde que desceu do avião e precisava de um motivo para falar com você. Precisa de ajuda com isto? Devem estar pesadas.

- Sim. Acho que quando eu vá embora tenho que deixar roupa aqui – eu ri.

- Não é daqui? – neguei com a cabeça – De onde é?

- Nova York. Você é daqui?

- Não, mas faz dois anos que estudo aqui. Sou Henry.

- Josephine – esticamos nossas mãos, ele pegou a minha e deu um beijo nela.

- Acha que vou esperar o dia todo lá enquanto você deixa beijar sua mão um francês? – perguntou com raiva.

- Não sou francês.

- Não me interessa. Josephine pega as suas mala e anda.

- Já disse que não consigo. Que parte não compreendeu? – cruzei os braços.

- Que pouco cavaleiro – disse Henry negando com a cabeça.

- Por que se mete? – Henry lhe deu um leve empurrão – Não me toque – Hero bater nele. Me coloquei entre eles, de frente para Hero – Sai Josephine.

- Não até que se tranquilize.

- Cuido do que é meu.

- Ninguém está te tirando o que "é seu" – fiz aspas com os dedos.

- Te disse milhares de vezes para não falar com homens – disse irritado.

- Ciumento – murmurou Henry, mas nós dois escutamos.

- Obrigada por querer ajudar Henry, mas pode ir, não vai gostar do que vem em seguida.

- Sério que prefere ficar com ele? – perguntou olhando para Hero.

- Eu sei muito bem como é meu esposo – ele me olhou estranhando e logo me dei conta do que havia dito, pareço muito nova para estar casada – Pode ir.

- Está bem – dito isso, se virou e foi embora.

Hero pegou minhas malas e fomos até onde ele havia deixado a dele para que levasse esta. Saímos do aeroporto e um carro cinza nos esperava. O motorista guardou as malas e entramos no carro.

- Você é detestável – disse me olhando.

- Quem decidiu que íamos nos casar foi você. Se fosse por mim, não estaria perto de você. Se eu tivesse que fazer um desejo agora, pediria para te extinguir.

- Acabou? Você vai me respeitar como eu te respeito, não vai ficar dando atenção para qualquer francês que se apresente. Mal-educada.

Os dez minutos seguintes da viagem foram em silêncio. O chofer tinha olhava para a rua tentando fazer caso omisso ao que ocorreu minutos antes. Hero respirava pesadamente. Eu olhava pela janela a beleza de Paris.

Quando chegamos alguém do hotel já veio pegar nossas malas.

- Oi, sou Hero Fiennes-Tiffin, telefonei faz uma meia hora – a recepcionista olhou no registro do computador.

- Quarto 571. Suíte reservada para duas pessoas. Assine este documento, por favor – disse a mulher entregando uma folha para ele, terminou de assinar e devolveu o papel – Obrigada. Tenham uma boa estadia.

O garoto que estava com nossas malas não parou de me olhar. Céus, afaste Hero do meu lado e faz com que este homem me derreta na cama. Ri internamente do meu pensamento.

- Vou levá-los até seu quarto – nós o seguimos.

- Mais um francês? – Hero sussurrou em meu ouvido e eu o olhei – Não sou francês, mas te asseguro que na cama sou melhor que qualquer outro – lhe dediquei um olhar de desgosto e Hero pegou minha mão – Essa vai ser a melhor lua de mel que já existiu – disse Hero quando saímos do elevador, o homem colocou nossas malas dentro da suíte e saiu.

- Não somos um matrimônio comum e coerente, então não precisamos fazer o mesmo que os outros.

- Você é má. Espero que seja assim hoje de noite. Gosto que me castiguem.

- Me dá repúdio que sempre pense em sexo.

- Já vai ver que depois de provar as sensações do sexo, não vai querer parar. Vai querer estar na cama o dia todo.

Fomos até a janela, dava para ver a torre Eiffel.

- É incrível.

- Não sabe como é difícil encontrar um hotel com essa vista – ficamos olhando por mais um minuto.

- Estou com fome.

- Eu também.

Quando escureceu, decidimos pedir algo para comer. Quase não falamos, mas nos olhávamos às vezes.

Estávamos sentados no chão, comendo pizza, eu estava com as costas contra a cama e Hero a minha frente.

Não gostava muito que já fosse de noite por causa da vingança de Hero. Eu havia acabado de comer, ele deixou o prato com os talheres sobre o chão e veio até meu lado.

- Está com frio? – perguntou e eu neguei com a cabeça – Calor? – neguei novamente – Se sente bem? – esta vez assenti – Você fala? – assenti – Certeza que está bem?

- Sim – respondi e apoiei minha cabeça sobre seu ombro.

- Me disseram que quando uma mulher diz que está bem, mas está em silêncio, é porque tem algo que a preocupa ou a faz mal. Isso é verdade? – se acomodou e acariciou meu cabelo.

- Claro que é.

- Então o que aconteceu com você?

- Certamente não te interessa.

- Acha que estaria perguntando se não me interessasse?

- Não.

- Vai me dizer?

- Sei que vai me criticar.

- Sente falta de seus pais.

- Sim.

- Vem aqui – me sentou sobre seu colo.

Ficamos em silêncio enquanto ele acariciava com ternura meu cabelo. Depois de tudo, não era tão ruim como queria aparentar. Beijou minha bochecha enquanto eu me aconchegava em seu peito.

- Odeio ver você chorar Josephine – disse quando minha respiração se agitou e as lágrimas apareceram – Se me deixasse, podia te fazer sentir melhor.

Meu coração parou. Ainda assim ele pensava em me ter em seus braços, mas esta vez dizia ternamente e não com desejo como nas demais vezes.

A BELA E A FERAOnde histórias criam vida. Descubra agora