Capítulo 52

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Eu estava sentada no sofá, esperando Hero descer de uma vez. Um suco de laranja na minha mão direita e uma barra de cereal na minha mão esquerda. A janela aberta, expondo as árvores dançando pela brisa suave do verão. A noite já havia caído e com ela meus desejos de dormir tornaram-se notáveis.

Os degraus retumbaram no silêncio da casa, Hero estava se aproximando. Eu me virei para vê-lo e desviou o olhar para entrar na cozinha.

Será possível que ele fique com raiva disso? Perguntei-me enquanto ouvia atentamente os movimentos de Hero na cozinha.

Como sempre, Hero não pedia desculpas, de acordo com ele, isso não adianta. O exemplo do vidro quebrado implicava que não fazia sentido pedir desculpas.

"Quando você joga um copo no chão, ele se quebra em mil pedaços – ele explicara – Peça desculpas e você verá que o vidro ainda está danificado, não está como antes. É o mesmo Josephine" – disse mil vezes.

Deixei o copo vazio na pia da cozinha e terminei a barra de cereal. Hero fechou a geladeira com força.

- Nunca há nada para o jantar – ele reclamou em voz alta.

- Eu avisei que você deveria ir ao supermercado – eu disse quase inaudível.

Escutei ele imitar minha voz e depois abri a geladeira novamente. Levantei-me e peguei o copo sujo nas mãos.

- Pode me fazer o jantar?

- Eu? – apontei um dedo para o meu peito – Nem sonhe Tiffin.

- Obrigado – ele disse entre os dentes – Você não se comporta como uma dona de casa.

- Porque não sou Hero – eu esclareci – E uma dona de casa não é funcionária, então, se você quiser jantar, peça por favor.

- Você pode me fazer o jantar? – ele perguntou e eu levantei as sobrancelhas – Por favor – ele acrescentou.

- Já passou o momento.

- Josephine, por favor – ele reclamou.

Fiquei em silêncio e fui até a geladeira, abri-a e peguei o prato com um pedaço de lasanha. Coloque o prato no microondas e o programei. Hero me observou atentamente. O dispositivo tecnológico tocou a campainha. Peguei o prato e coloquei na mesa. Peguei um garfo e uma faca.

- Bom apetite.

- Ah vamos lá, isso é de quinta-feira.

- Dois dias, não vai te fazer mal.

- Cozinha para mim, por favor.

- Eu não vou Hero. Se quiser outra coisa, cozinha sozinho – eu andei até a porta da cozinha.

As brigas entre nós costumavam ser fortes e depois terminavam em um tumulto. Como eu disse a Hero na última vez que aconteceu, a próxima não seria a mesma. Esta era a próxima, Hero não iria conseguir o que queria. Uma massagem nos ombros e beijos suaves no pescoço, problema resolvido, dessa vez não ia funcionar.

Coloquei meu pijama e olhei no espelho, meu cabelo estava um pouco bagunçado.

- Sem dúvida o jantar mais maravilhoso da história dos jantares maravilhosos! –Hero exclamou entrando no quarto.

Meus lábios se curvaram em um pequeno sorriso. Penteei meu cabelo e depois limpei meus dentes. Apaguei a luz do banheiro e acendi a luz do abajur. Hero apagou a luz principal do quarto e também acendeu a luz do abajur.

Ele me observou do banheiro e depois limpou os dentes. Ele acabou apagando todas as luzes quando eu deitei de bruços na cama. O senti preencher o vazio do lugar ao meu lado. Virei as costas para ele e suspirei. Mais cedo ou mais tarde ele iria me abraçar para adormecer. Ele se mexeu entre os lençóis e depois ficou parado. Sua respiração ficou profunda e relaxada. Estava dormindo.

A BELA E A FERAOnde histórias criam vida. Descubra agora