Capítulo 54

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Acordei às cinco da manhã, minha cabeça doía mais do que podia e uma fina camada de suor escorria pela minha testa. Me virei na cama e, sem querer, toquei o ombro de Hero, ele se removeu entre os lençóis e continuou com seu sono pesado.

Sentei-me na cama e tirei o cabelo do meu rosto. Meus olhos ardiam e senti o calor tomar conta de mim me deixando devastada. Não suportava o tecido fino da camisola, ela grudou no meu corpo e incomodava como nada naquela noite.

- Hero... – murmurei.

Não houve nenhum movimento de sua parte e ele continuou respirando calmamente naquela noite quente e estrelada.

Eu decidi não incomodá-lo e me levantei. Uma tontura repentina me forçou a sentar novamente. O movimento do colchão ao sentir meu peso, fez Hero se mover novamente e me virei para vê-lo.

- O que foi? – perguntou abrindo um olho.

- Me sinto mal – respondi em um sussurro.

Ele terminou de abrir os olhos e sentou na cama. Ele esfregou o rosto com as duas mãos e depois sentando-se ao meu lado e pegando minha mão.

- O que dói amor? – perguntou e deu leves carícias na minha mão.

- Tudo, é como se um caminhão tivesse me atropelado e machucado todos os meus ossos, incluindo meus músculos.

- A cabeça? – assenti – As pernas? – assenti – Você se sente tonta querida?

- Sim, muito tonta – passei uma das minhas mãos pelo suor da minha testa – Estou com muito calor Hero.

- É normal, eu estou perto de você – ele brincou.

Eu sorri levemente e me aproximei.

- O que vamos fazer com você? – perguntou em um sussurro – Acho que devemos chamar ao médico, que venha aqui, para não deixar Jake sozinho.

- O que digas – eu disse e me joguei na cama.

Minhas pernas pendiam da cama e minhas costas estavam descansando no colchão. Aquele calor era insuportável, irritantemente nojento. Hero soltou minha mão e deitou ao meu lado.

- Ou você acha que eu deveria levá-la ao hospital?

-Não, não – falei rapidamente.

Hero beijou minha bochecha e se levantou. Eu o vi andando apressadamente pelo quarto e entrou no banheiro.

O hábito do meu marido, deixar o smartphone carregando no banheiro. Não pergunte, apenas ignore as anormalidades.

Ele entrou no quarto novamente, com o smartphone na mão e um rosto preocupado que o deixava mais sério e sem sentimentos.

Voltei a sentar na cama e virei o torso para vê-lo vindo em minha direção.

- Oi, quem fala é Hero Fiennes-Tiffin – ele fez uma pausa – O próprio – ouviu atentamente – Sim, eu só queria saber se você pode fazer uma visita em casa à minha esposa – ele permaneceu em silêncio – Eu entendo, mas posso pagar o triplo – ele ouviu novamente e depois assentiu com um ruído da garganta – Achamos que está grávida e eu me preocupo porque ela não se sente bem – explicou – Agradeceria muito – ele continuou – Sim, triplique o que costuma cobrar. Muito obrigado, o vejo em meia hora.

Hero terminou a ligação e olhou para mim. Ele sorriu um pouco para mim e voltou para o meu lado para sentar na beira do colchão.

- Você não precisa pagar o triplo, podemos ir a um hospital público – falei. Ele negou com a cabeça.

A BELA E A FERAOnde histórias criam vida. Descubra agora