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Meus dedos dos pés ardiam com a força da coragem que tinha chegado até mim naquele dia nublado. Eu e Jungkook íamos em direção ao portão de casa ambos sem conseguir por um disfarce em nossa ansiedade, a minha que beirava a falta de lucidez estava até serena demais para a situação que eu controlava. Saí primeiro pelo portão e olhando Jeon o fechando fiquei imaginando se Taehyung estava à espreita na janela de meu quarto, se estava preso em algum de meus jogos, ou até mesmo em sua pilha de quadrinhos que ele deixava por meu quarto. Mesmo com a blusa grossa e quentinha do menino os fios de água que desciam do céu invadiam o tecido e eu sentia os pingos gelados em minha pele. Antes que eu dissesse algo Jungkook volta a abrir o portão e adentra a varanda sem dizer nada, fiquei tentada a ir ao seu encontro, mas ele logo aparece com um guarda chuvas transparente nas mãos que deveria estar próximo a porta da sala, reconheci ser o que minha mãe usava.
- Então o capuz também não é o suficiente pra você... – digo me encolhendo em um riso tímido. – Só pegou um? – meus olhos varrem suas mãos.
- Só tinha um ali. A gente divide, não tem problema. Tem? – ele me encara com o rosto receoso.
- Não! Claro que não... – respondo já pensando na proximidade.
Ele me entrega o guarda chuvas ajeitando a bolsa da câmera – que estava em sua alça maior pousada em seu ombro direito –, a levando em sua mão esquerda, agora na alça menor, enquanto eu abria a sombrinha média a colocando sob nossas cabeças, Jungkook levantava o capuz de seu moletom o posicionando em cima do boné terminando de se preparar. O boné junto do capuz e o cabelo grande que dançava em seus cílios escondia quase todo o seu rosto. Ele me fita como se esperasse que eu fizesse o mesmo.
- Que foi? – indago. Ele balança a cabeça em negação.
- Eu te dei a camisa por um motivo Noona. – com a mão livre ele sobe o capuz do moletom que eu usava e me olha satisfeito. – Viu? Bem melhor.
Começamos a andar lentamente e ele logo pegou o cabo do guarda chuvas que estava comigo, me fazendo ficar um pouco mais próxima de seu corpo.
- Você já esta carregando a bolsa, pode deixar que eu seguro. – digo tentando pegar a sombrinha de volta.
Ele apenas esquiva a mão das minhas, puxando o cabo do guarda chuvas e me olhando com um sorriso insatisfeito pirracento. Inquieta, tentei mais uma vez e ele automaticamente levantou o braço o estendendo para o alto, deixando fora de meu alcance. Minha boca cedeu entre aberta com sua atitude extremamente teimosa e provocadora.
- Ok. Carrega sozinho. – digo apressando o passo saindo de baixo da proteção que ele carregava.
- Eu não pedi sua ajuda Noona – ele diz rindo já ao meu lado, os olhos formavam rugas espessas de diversão. – Eu sei que foi ideia minha no inicio – ele diz voltando ao normal. – Mas eu não sei onde estamos indo né? – seus olhos se abaixam para mim.
- Não, não sabe. Mas acho que vai gostar e é aqui perto! – digo simples – Se eu que demorei tanto pra fazer acontecer... Acho que o mínimo que posso fazer é ficar responsável por isso. – "fazer acontecer" me reprimi logo após ter ouvido a escolha de minhas palavras. – Quer dizer...
- Não, calma! Eu realmente quero ver o que é. – ele sorri. – Tem teto, certo?
- Eu espero que ainda tenha. – respiro fundo ouvindo seu riso tímido.
•••
- Você é menina! Tem que ser a refém. – Um de meus primos dizia em meio à roda de garotos que se formava se quebrando apenas por mim. Sua voz era no tom agudo que a pré-adolescência lhe proporcionava.
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Stitches
Roman d'amour"Descobri que vencer meus medos me força a acreditar que quando tudo acabar não será você e eu e sim eu e meu silêncio. Aprendi que reprimindo a mim mesma não é a melhor maneira de ser alguém, mas descobri que vinte e três horas por dia posso ofusca...
