XXIV - Órion

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Supernovas são a morte catastrófica de grandes estrelas

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Supernovas são a morte catastrófica de grandes estrelas. São como as pessoas. Vivem e morrem.

E quando uma estrela morre, ela é chamada de supernova. É um evento astronômico que ocorre durante os estágios finais da vida delas, que é caracterizado por uma explosão muito brilhante, antes de desaparecer lentamente. Supernovas podem ser até vinte vezes mais brilhantes que onze bilhões de estrelas juntas. Pensei em como seria presenciar uma supernova, até aquele momento.

Provavelmente é quando seus ouvidos ficam tão dormentes que você não ouve nem sua própria voz e os gritos que você mesmo dá. O desespero rasga seu peito como uma navalha e suas mãos tremem tanto que poderiam criar raios. Nada está ao seu controle, os passos rápidos que você dá são totalmente programados para cair. O coração bate tão alto que o som sobe aos ouvidos e de repente seu coração dá lugar a um buraco negro sugador de qualquer matéria.

É nesse exato momento que você percebe que está desabando completamente. Todo o seu mundo está explodindo. Saindo da rota do sol e sendo desintegrado diante dos seus olhos.

Caí de joelhos e só conseguia ver o sangue dela. Natasha engasgava no próprio sangue, mal respirando. Não consegui parar de gritar nenhum segundo, mesmo ouvindo apenas as batidas abafadas do meu coração acelerado.

Eu só conseguia encarar os olhos verdes arregalados de Natasha. Ela está com tanto medo. Quis dizer que ficaria tudo bem mas eu não sabia. Não tinha ideia do que estava acontecendo.

Virei Natasha de lado, ajudando-a a cuspir todo o sangue que escorria de seu nariz e boca. Ela tremia, estava fraca e externamente pálida. Ouvi seu coração amedrontado batendo no mesmo ritmo que o meu. Notei que suas orelhas vermelhas e linhas de sangue grossas se estendiam por suas bochechas. Ela parecia outra pessoa. Não a garota feliz e brilhante que dançou comigo a noite toda.

Meus olhos foram para a bolsinha que ela sempre carregava consigo e não tenho ideia como pensei nisso, mas eu a abri e meus dedos ensanguentados tiraram de lá um concentrador de oxigênio e uma lata esverdeada. De nada aquilo servia com todos os litros e litros de sangue escorrendo. Soluçar e tremer era tudo que eu consegui fazer naquele momento.

Senti uma mão no meu ombro e ouvi alguém gritando com o celular. Olhei ao redor e percebi que eu chorava, porque mal enxerguei Bruce tocar a garganta cheia de sangue de Natasha.
Ela apagou, eu percebi finalmente. Murmurei seu nome mil vezes, chorando completamente desesperado. Meu coração doía. Bruce começou a fazer massagem cardíaca nela como se faz em alguém que afogou e isso a fazia cuspir mais sangue.

Quis mandar ele parar mas não tinha forças. Eu estava com tanto medo. Segurei sua mão com força, que deslizou por causa do sangue. Seu vestido estava arruinado. Eu estava sendo arruinado.

- Vai ficar tudo bem, eu prometo. - finalmente consegui dizer, fechando os olhos com força. Olhei para o céu de novo. Estrela cadente, por favor. Por favor.

Supernova - RomanogersHistórias para pegar e não largar. Descubra agora