XXIX - Starbust

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Eu andava pelo estacionamento agarrado a minha mochila, tentando me acalmar ou eu sabia o que viria a seguir

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Eu andava pelo estacionamento agarrado a minha mochila, tentando me acalmar ou eu sabia o que viria a seguir. Bati a porta da caminhonete, sentindo aquele sentimento horrível de que falhei muito feio com todos eles. Eu era o que, um garoto de 13 anos incapaz de controlar as emoções? Agarrei com força o volante, sentindo as lágrimas queimando para sair e minha garganta fechada.

Por mais que eu tentasse não conseguia respirar, não conseguia pensar, nem em Natasha, só conseguia pensar no terror que estava sentindo naquele momento. O mesmo que sentia em meus pesadelos, o mesmo terror que senti naquela casa anos atrás. Quando estava tudo queimando. Eu estava queimando.

Vi fumaça saindo do ar condicionado, estava pegando fogo. Eu estava pegando fogo. Comecei a chorar descontroladamente, paralisado de medo e terror, não conseguia respirar. Tudo rodava e aquela fumaça piorava tudo. Eu iria morrer, é isso, eu morreria ali, agora. Meu peito dúbia e descia e eu suava naquele uniforme branco. Eu estava morrendo. Ah, Deus, eu estava morrendo.

Tentei tatear a porta do carro, procurando a maçaneta para sair, eu precisava sair dali ou eu morreria. Me sentia morrendo, completamente aterrorizado e doía respirar. De repente via fogo consumindo as janelas, eu estava cercado e me debatendo atrás daquele volante. Comecei a gritar meio as lágrimas, eu estava morrendo, eu estava morrendo, não conseguia respirar e queria vomitar.

Minhas mãos tremiam incessantemente e uma buzina alta ecoou pelos ares. Aquele barulho me deixou ainda pior, não conseguia entender mais onde eu estava, tudo que existia naquele momento era aquele fogo e eu morrendo sozinho, sem conseguir respirar e sendo queimado. Eu tremia loucamente, como uma galáxia Starbust produzindo estrelas.

A porta ao meu lado se abriu, e foi como se eu entrasse em outra dimensão. O fogo e a fumaça sumiram, o treinador Coulson me encarava com os olhos horrorizados e quem apertava a buzina da caminhonete era eu. Tirei a mão de lá, cessando o barulho, e o silêncio perturbador tomou conta do carro. Encarei Coulson por alguns segundos, ainda tremendo e não conseguindo respirar.

- Steve... – ele murmurou, tocando meus ombros. – Você está tendo um ataque de pânico.

Tentei buscar o ar, mas apenas arfei.

- Estou bem. – murmurei, sentindo meu coração doer de tão rápido que batia e minhas mãos tremiam. O treinador tirou seu boné, olhando para mim com a bondade de sempre. – Desculpe.

Ele negou com a cabeça, puxando meu braço para fora do carro. Minhas pernas tremiam também, mas agora pelo menos sabia que não estava morrendo de fato. Me apoiei na caminhonete, respirando fundo e sentia a mão dele nas minhas costas.

- Faça os exercícios de respiração, respirei fundo por sete segundos, prenda por três e expire por dez três vezes. – ele pediu, fechei os olhos e obedeci, ocupando alguns minutos nisso. Quando abri os olhos novamente o mundo estava no lugar, nada pegava fogo e eu não estava morrendo.

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