EPÍLOGO

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  - Você viu, monsieur?

  - O que?

Levantei a cabeça para olhar para o taxista, que falava com um sotaque carregado. Eu estava com uma caixa de presente enorme nos braços, e tinha uma mala no porta malas.

Eu e Natasha não nos víamos há um mês. Foi o mês da minha prova, então estudei MUITO, e sinceramente não sei se vou conseguir entrar para o programa da NASA, e eu tinha aplicado para Yale, em astronomia.

Conversávamos todos os dias por vídeo chamada, menos quando Natasha estava internada. Já tinha dois meses e meio que ela tinha começado o tratamento, eles conseguiram inicialmente levar os fármacos para os Estados Unidos, mas depois tiveram que ir para Paris de fato.

E, graças a Deus, o tratamento estava melhorando.

O tratamento freiou a piora, e ela apresentava melhoras significantes, o que era uma alegria. Tinham dias muito difíceis, Natasha sofria muito com o tratamento e partia meu coração não estar com ela. Mas minha ruivinha quase sempre estava sorrindo, e não me deixava largar tudo e entrar num avião para ver ela.

Agora, eu estava indo pro hospital fazer uma surpresa, ela achava que ainda faltava uma semana para nos vermos.

  - Não entendi.

  - A torre Eiffel! Nós passamos por ela!

Olhei para os lados.

  - Cadê?

  - Já passou!

  - Ah. Nem vi. Não tem problema.

Silêncio.

  - Você é o turista mais esquisito que ja vi na vida, garoto.

Eu sorri, dando de ombros. A única coisa naquela cidade que me importava, era Natasha. Desci do táxi, e dei uma gorjeta para o monsieur. Subi no apartamento de Natasha, Nick tinha me autorizado com o porteiro. Era um prédio com arquitetura típica de Paris, e muito, mas muito luxuoso.

Nick tinha MUITO dinheiro mesmo tá, só de tratamento ele pagava cerca de um milhão por mês. Ainda pagar esse apê, e as compras de terapia de Natasha? Coitado. Subi as escadas, completamente eufórico. Eu não acreditava que aquele dia tinha chegado!

Eu queria tanto, mas tanto ver Natasha, que quando Nick abriu a porta para mim, nem falei com ele, apenas entrei todo ofegande de subir as escadas correndo.

  - Nick, é o entregador? Eu comprei algumas coisas da Channel, vai entregar aqui!

A voz de Natasha fez meus olhos encherem de lágrimas. Nick sorriu, apontando o quarto com a cabeça. Andei pelo corredor, parando na porta aberta.

Natasha pesquisava algo, tinham livros para todo lado no quarto, acho que tinha algo a ver com a nova obsessão dela por História da Arte, desde que ela visitou o Louvre semana passada. Seus cabelos estavam mais longos, e agora ela tinha uma franja que cobria sua testa, ela disse que surtou uma noite e cortou.

E eu achei a coisa mais linda do mundo.

Ela demorou a me perceber, olhando para os livros, eu só conseguia ver as sardas em seus olhos e a cânula de ar em seu nariz. Tinham doze mil aparelhos ligados em seu quarto, saíam mil fios de seu braço, mas Natasha parecia inabalável.

As lágrimas congelaram em meus olhos, e apertei as flores em minhas mãos mais forte, assim como o presente.

Natasha olhou para mim, soltando um som de surpresa dos lábios.

Ela brilhava no sol que entrava pela janela, com a Torre Eiffel atrás dela.

  - Oi, ruivinha.

Supernova - RomanogersHistórias para pegar e não largar. Descubra agora