× CAPÍTULO ONZE

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Eram poucos minutos mas eu estava atrasada

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Eram poucos minutos mas eu estava atrasada.
Pulei da cama e gemi com a dor nas pernas e meu corpo inteiro protestando de cançaso. Tayler dormia sereno, e sob o lençol branco seu volume estava marcado fazendo todo o meu corpo arrepiar em lembrança da melhor noite que eu tive em toda a minha vida. Quase trinta anos mas aquele fora sem dúvida a melhor e inesquecível.

Mas ainda havia um sinal vermelho em minha cabeça piscando quando algo se dirigia a ele. Eu poderia fingir que não me importava e agir como se estivesse num conto de fadas ou no mundo das maravilhas, mas não era bem assim. Eu apenas permiti isso por todo aquele dia, me entregando a ele com uma sede insaciável, mas não depois disso.
Tayler ainda era a razão de eu ter sido despedida. E ele ainda era a visão perfeita do meu desvio de conduta, minhas ações despudoradas e desprovidas da razão.
Ele simplesmente aproximava com  aquele ar de quem está mandando  as consequências se foderem e eu fazia o mesmo. Tayler McCarty era imprudência pura. Era irresponsabilidade e uma carta assinada para que eu pudesse sair da linha sem passagem de volta.
E isso era perigoso tanto quando seus beijos, seus cabelos que me faziam tocá-los repetitivas vezes e seu corpo que me fazia desejá-lo pelo resto de minha vida.

Mas eu me obrigava a raciocinar pela manhã. Me obriguei a sair da cama, fazer o café e tomar um banho. Me apressei o máximo para não me atrasar mais, mas quando seu corpo quente colou contra minhas costas eu me vi numa estrada sem saída.

— tem certeza que não tem mais tempo, doutora?

Doutora.
Poderia soar algo normal, porque eu era isso, uma médica. Escutava isso o dia inteiro, mas não como ele dizia. Não com aquela lingua arrastada e sexy.
Ninguém me fazia arrepiar daquela maneira. Ninguém me fazia fraquejar e aquecer daquela maneira.
E aquela pergunta fora com certeza as algemas que me fariam ficar presa naquela casa.

Entretanto, o que me fez acordar foi o simples ato de pegar uma banana e o morder.

— de onde saiu essa banana?

Deu de ombros.

— peguei algumas quando estavamos no supermercado.

— eu odeio banana.

— quem odeia banana!?— franziu o cenho.

— eu!— me afastei.

— aliás, você é médica. Sabe o quão bom é o potássio para os seus..

— sim, sim, contração muscular, hipontensivo, eu sei, eu sei. Consumo outras fontes de potássio, não se preocupe.

Me afastei.

— eu preciso ir. Já sabe o que tem de fazer.

...

Eu não via a hora de sair do hospital. Eram nove da noite e eu estava saindo quando me avisaram que tinha plantão.

— não, eu nunca me engano com o..— minha voz caiu quando encarei o celular.— horário.

Milles franziu o cenho e riu.

— normal, isso já aconteceu comigo algumas vezes. No início.

— meu deus! Eu.. eu... Ainda bem que você me disse.

Ele riu mas seu sorriso desapareceu quando ele falou.

— essa vontade de ir para casa é por causa do seu namorado, huh?

— eu não tenho namorado. Tayler está ficando ali por uns tempos até conseguir um lugar.

Andei até minha sala sendo acompanhada por ele. Entramos e Milles fechou a porta me encarando colocar o jaleco de volta.

— eu preciso o avisar.

Milles assentiu e se afastou encarando algo pela janela.
Com o celular prateado contra a orelha o escutei tocar até desligar. Insisti porém continuei sem resposta então apenas o deixei uma mensagem.

— eu nunca te vi com ele.

— é porque não estamos juntos.

— hurrun..— ele suspirou e se virou para mim.— então quer dizer que eu estou livre para investir.

Meu olhar saiu da tela e se dirigiu para o homem de pele escura e alto em minha frente. Milles era lindo, sem duvidas. Mas eu nunca havia pensado nele dessa forma.

— Milles....

— doutora Blythe, tem uma emergência no quarto 316!

Não tivemos tempo para pensar, apenas puxei o estetoscópio da mesa e corremos juntos com a mulher rumo ao quarto.

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Beijos
Mars

Desvio De Conduta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora