√ COMPLETO
Silver Blythe odiava muitas coisas.
Odiava café, gatos, bananas, dias quentes e até seu próprio nome. Aos doze ela perguntou aos seus pais o porque dela ter nome de metal e desde então isso entrou na sua lista de mais odiados.
Mas aos 26...
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Eram poucos minutos mas eu estava atrasada. Pulei da cama e gemi com a dor nas pernas e meu corpo inteiro protestando de cançaso. Tayler dormia sereno, e sob o lençol branco seu volume estava marcado fazendo todo o meu corpo arrepiar em lembrança da melhor noite que eu tive em toda a minha vida. Quase trinta anos mas aquele fora sem dúvida a melhor e inesquecível.
Mas ainda havia um sinal vermelho em minha cabeça piscando quando algo se dirigia a ele. Eu poderia fingir que não me importava e agir como se estivesse num conto de fadas ou no mundo das maravilhas, mas não era bem assim. Eu apenas permiti isso por todo aquele dia, me entregando a ele com uma sede insaciável, mas não depois disso. Tayler ainda era a razão de eu ter sido despedida. E ele ainda era a visão perfeita do meu desvio de conduta, minhas ações despudoradas e desprovidas da razão. Ele simplesmente aproximava com aquele ar de quem está mandando as consequências se foderem e eu fazia o mesmo. Tayler McCarty era imprudência pura. Era irresponsabilidade e uma carta assinada para que eu pudesse sair da linha sem passagem de volta. E isso era perigoso tanto quando seus beijos, seus cabelos que me faziam tocá-los repetitivas vezes e seu corpo que me fazia desejá-lo pelo resto de minha vida.
Mas eu me obrigava a raciocinar pela manhã. Me obriguei a sair da cama, fazer o café e tomar um banho. Me apressei o máximo para não me atrasar mais, mas quando seu corpo quente colou contra minhas costas eu me vi numa estrada sem saída.
— tem certeza que não tem mais tempo, doutora?
Doutora. Poderia soar algo normal, porque eu era isso, uma médica. Escutava isso o dia inteiro, mas não como ele dizia. Não com aquela lingua arrastada e sexy. Ninguém me fazia arrepiar daquela maneira. Ninguém me fazia fraquejar e aquecer daquela maneira. E aquela pergunta fora com certeza as algemas que me fariam ficar presa naquela casa.
Entretanto, o que me fez acordar foi o simples ato de pegar uma banana e o morder.
— de onde saiu essa banana?
Deu de ombros.
— peguei algumas quando estavamos no supermercado.
— eu odeio banana.
— quem odeia banana!?— franziu o cenho.
— eu!— me afastei.
— aliás, você é médica. Sabe o quão bom é o potássio para os seus..
— sim, sim, contração muscular, hipontensivo, eu sei, eu sei. Consumo outras fontes de potássio, não se preocupe.
Me afastei.
— eu preciso ir. Já sabe o que tem de fazer.
...
Eu não via a hora de sair do hospital. Eram nove da noite e eu estava saindo quando me avisaram que tinha plantão.
— não, eu nunca me engano com o..— minha voz caiu quando encarei o celular.— horário.
Milles franziu o cenho e riu.
— normal, isso já aconteceu comigo algumas vezes. No início.
— meu deus! Eu.. eu... Ainda bem que você me disse.
Ele riu mas seu sorriso desapareceu quando ele falou.
— essa vontade de ir para casa é por causa do seu namorado, huh?
— eu não tenho namorado. Tayler está ficando ali por uns tempos até conseguir um lugar.
Andei até minha sala sendo acompanhada por ele. Entramos e Milles fechou a porta me encarando colocar o jaleco de volta.
— eu preciso o avisar.
Milles assentiu e se afastou encarando algo pela janela. Com o celular prateado contra a orelha o escutei tocar até desligar. Insisti porém continuei sem resposta então apenas o deixei uma mensagem.
— eu nunca te vi com ele.
— é porque não estamos juntos.
— hurrun..— ele suspirou e se virou para mim.— então quer dizer que eu estou livre para investir.
Meu olhar saiu da tela e se dirigiu para o homem de pele escura e alto em minha frente. Milles era lindo, sem duvidas. Mas eu nunca havia pensado nele dessa forma.
— Milles....
— doutora Blythe, tem uma emergência no quarto 316!
Não tivemos tempo para pensar, apenas puxei o estetoscópio da mesa e corremos juntos com a mulher rumo ao quarto.