√ COMPLETO
Silver Blythe odiava muitas coisas.
Odiava café, gatos, bananas, dias quentes e até seu próprio nome. Aos doze ela perguntou aos seus pais o porque dela ter nome de metal e desde então isso entrou na sua lista de mais odiados.
Mas aos 26...
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— é inadmissível o que fez!!
Ele bateu a mão sobre a mesa e eu encolhi. As lágrimas não cessavam e a vergonha queria me consumir.
— se deitar com um homem que não conhece. Eu não sei como pode fazer isso. O seu pai..
— o senhor não pode falar nada para ele.
— eu não vou falar, criança.— se sentou afrouxando a gravata.— eu estou muito decepcionado, doutora Blythe.
— me desculpe senhor.
— desculpas? Deve pedir desculpas a si mesma! Se colocar numa situação dessas nem parece seu feitío.— seu olhar se levantou e pousou em mim.— ele não te obrigou. Obrigou?
Engoli em seco e neguei desviando o olhar.
— meu deus, criança! Um criminoso!
— foi apenas roubo.— tentei argumentar.
— mesmo assim criminoso. É esse o homem que quer no seu futuro?! Claro que não! Quem passa pela cadeia leva marcas consigo, mas Tayler... Tayler parece incorrigível mesmo depois de quase cinco anos aqui.
— por favor, não o prejudique mais por isso.
— porque pede tanto por ele? Um criminoso. Um condenado com um comportamento como aquele. Tantos homens e justo ele?!
— e-eu não sei...ele.. nós...aconteceu.— tentei falar, gesticular, mas parecia que até o ar estava decepcionado comigo, se negando a entrar nos meus pulmões.
— isso com certeza mataria seu pai do coração.
Suspirou. Eu estava encolhida no banco desde que cheguei. Aguentar os olhares do senhor Jonh era horrível, mas com certeza se fosse meu pai ali seria pior. Ele estava nervoso. Eu estava nervosa. Apenas queria me encolher na cama e chorar por tamanha burrice.
— você sabe que vai ser despedida, não é?
Concordei e uma lágrima caiu.
— mas não se preocupe, faço isso para o seu bem. Vou fazer uma carta de recomendação para uma clínica de um amigo meu.
— eu não sei como agradecer.
— comece ganhando juízo.— assenti.
Me levantei e corri da sala do senhor Jonh o mais rápido possível. No exterior recebi os primeiros olhares que confirmavam que já sabiam de tudo, ou pelo menos desconfiavam. Os boatos se espalhariam depressa, eu sabia, porque os corredores da prisão de DownVille eram piores que uma escola secundária. Então eu arrumei minhas coisas o mais rápido que fosse possível para sair dali. O senhor Jonh me pagaria por esse mês quase completo, eu sabia. E talvez com a carta de recomendação eu nem demorasse muito para ter outro emprego, caso contrário eu mesma procuraria.
Saí do prédio encontrando os presos na área exterior, e quase corri rumo a porta. Eu queria ser invisível.
Veja pelo lado bom, eu não tenho que pôr meus pés aqui nunca mais. Nunca mais serei assediada por aqueles homens enormes e assustadores. Há males que vem para o bem, minha mãe dizia.
Suspirei e entre no meu carro dando partida mas não saindo sem antes olhar para o prédio onde ficava a solitária. Era quase todo fechado a não ser uma pequena janela quase no teto. Completamente vigiada de uma forma que ninguém escapa. Dizem que nem mesmo o sol se consegue ver la de dentro.
Minhas mãos tremeram e meus olhos se encheram de água. Eu tinha muita sorte de que senhor Jonh não me ter expulsado aos gritos, sem salário e sem divulgar para a mídia ou a ordem dos médicos. Eu com certeza seria afastada, se não fosse por um tempo, seria por toda minha vida.
Limpei as lágrimas e suspirei ligando o motor.
Há males que vem para o bem. Repeti. Talvez poderia ter sido pior do que isso. Minha cara podia estar estampada num jornal.
Como pôde ser tão fraca a esse ponto de me deixar levar? Um criminoso, um prisioneiro. Um preso! Um homem condenado e sem qualquer noção. Porque Tayler não tinha noção. Uma pessoa que rouba um carro porque gostou e ainda diz isso para a juíza não tem noção de limites.
Estacionei o carro e bati a mão contra o volante. Abri a porta e saí com minhas coisas no banco de trás. Apenas me limitei a subir para o meu prédio. Iria organizar a casa que a muito não tinha tempo, fazer compras, tomar um banho e no final relaxar. Era isso. Manteria minha mente organizada e minha vida também. Estava resolvida que ela agora iria voltar ao normal e normal é bom. Rotina é boa. Nós mantém são, eu acho.
Sem mais olhos lindos e cabeça raspada. Sem mais olhares maliciosos, sorrisos de canto e paredes de músculos. Sem estar tão envolvida num meio onde testosterona era predominante. Iria correr tudo bem. Iria melhorar, até. Tayler em pouco tempo saíria da solitária e seguiria sua vida. Talvez até saísse da prisão como diz.
Vai ficar tudo bem.
× e ae pessoas beleza? Tem alguma teoria por aqui sobre o que irá acontecer?
× me vote, me comente, me compartilhe, e vamo que vamo.
× Avisando que: 20 votos nesse capítulo e eu posto o outro a seguir, sobre o Tayler.
Xoxo Mars
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