× CAPÍTULO CATORZE

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Meu corpo tinha a necessidade de  autodestruição

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Meu corpo tinha a necessidade de  autodestruição. Era puro sadismo ou então eu não sabia o que poderia ser.
Tinha chance de começar novamente depois de todos esses anos, mas agora, eu jogava tudo no chão.
Minhas botas esmagavam a grama verde e bem cuidada da entrada da casa de Travis. Fui autorizado a entrar no condomínio e agora, a enorme mansão parecia me encarar, esbanjando luxo e riqueza. Uma pequena fonte brilhava no meio do caminho de pedras perfeitamente posicionadas e o jardim parecia muito melhor do que quando era mais novo.
Eu estava rumo a ruína, caminhando lentamente para o inferno.

Eu o havia telefonado algumas horas antes. Passei a manhã inteira encarando o celular tendo uma parte de mim lutando contra isso. A parte mínima, porém a mais sóbria e responsável. Aquela na qual haviam marcas pesadas e horríveis de anos sendo um presidiário onde palavras como paz e sanidade não se faziam presentes.

— o bom filho a casa retorna.

Seu sorriso denunciava toda a podridão sob sua pele. Todas as vidas roubadas e perdidas por sua culpa. Travis carregava dores que não lhe pertenciam apenas. Sua aparência poderia encantar mulheres, mas a mim apenas me parecia um homem frio e masoquista.

— infelizmente.

— não guardou rancor, ou guardou? Você sempre foi meu protegido de qualquer maneira.

Nós tínhamos algo. Éramos quase iguais. O mesmo sorriso filho da puta, o mesmo toque sádico e egocentrismo.

— acho que essas drogas finalmente corroeram seus neurônios. Eu posso não ser o exemplo, posso ser um merda fodido, mas nunca quiz me meter com você, Travis. Vocês são bandidos reais.

— e o quê você está fazendo aqui, então?

Bufei em frustração e seu sorriso se alargou perante meus olhos. Afinal, que tipo de pessoa eu era? A ideia de ter um emprego normal e uma vida normal não entravam em cogitação. Eu apenas queria me afundar na lama onde havia saído há pouco tempo.

— eu preciso de algo que me ajude por agora, mas nada que chame a atenção. E eu sei que pode fazer isso. Não quero nada ligado a máfia de vocês. Me deixa longe disso, Travis, em nome de tudo.

Seu riso foi de puro escárnio. Travis me encarou ainda rindo, antes de falar.

— todos sabem quem nós somos, Tayler. Você não pode fugir porque sua reputação te persegue. — deu de ombros antes de completar.— ou a minha.

Era verdade. Todos sabiam ali quem eram Tayler McCarty e Travis McGuayer. Era impressionante como éramos unidos quando mais novos. E era ainda mais impressionante como tinhamos a mania de foder com tudo, juntos.

— vou providenciar uma identidade falsa. Procurar locais que não frequentei, ganhar algum dinheiro e cair fora. Não mencione meu nome.

— claro. Mas o que pensa em fazer da vida depois disso?

— nada que precise saber.

Me preparei para sair até que sua voz me fez travar ali mesmo. Encarei Travis com o maxilar trancado e ele sorriu.

— eu até entendo— continuou.— ela é bem gostosa, huh? Não julgo.— deu de ombros.

— nos deixe fora da sua sujeira, Travis.

Andei rumo a porta. Não escutaria mais nada, e nem daria a impressão de que eu importava. Blythe não precisava de mais ruínas na sua vida provindas da minha parte.

— já sabe o local para buscar a encomenda. Tenho até uma agenda de festas se quiser. Tenho também algumas pessoas de confiança que pode vender.

Assenti.

— e também tem um lugar para você no nosso negócio. Mesmo com a sua filha da putisse, meu pai gosta de você.— revirou os olhos.

— eu já falei que não vou me meter nisso, Travis.

— ok, não precisa ficar putinho. Apenas quis te relembrar disso. Meu pai gosta de você, nada de mais iria acontecer.

— até nunca, Travis.

— au revoir, maninho.

Tranquei o maxilar e saí dali.


× gostaram da mansão dos McGuayer? Sejam bem vindos a fonte do mal, em Red Mirror haha.
Alguém ai com curiosidade sobre Travis?

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