me diz que é mentira

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Maratona 4/4

29° CAPÍTULO


BETTY

Eu estou morta de cansada, não vejo a hora de chegar em casa, tomar um bom banho e dormir. Com o cansaço que estou, pularia até o jantar.
Tive que ficar até mais tarde hoje na loja pra ajudar a Toni a fechar, pois justo hoje duas das vendedoras que ficam até o horário de fechar a loja resolveram faltar e as outras duas
estudavam e não poderiam sair mais tarde por causa da faculdade. Acabou sobrando pra mim.

Já estava quase no horário, e tinha pouquíssimas pessoas na loja, a Toni já começava a descer algumas portas, para as pessoas saberem que estamos fechando. Eu só estava preocupada em relação ao horário, se de dia o ônibus já é uma luta pra passar, a noite então piora mais ainda.

Quando o ponteiro do relógio marcou exatamente 20h00min, a ultima cliente saiu da loja e nós pudemos fechá-la de fato.

- Ai graças a Deus! Eu estou morta. – digo retirando os saltos.

- Estamos. – diz a Toni fazendo o mesmo. – Agora só mais um minutinho pra fechar o caixa e nós vamos.

Aceno e me sento na cadeira ao seu lado apenas a observando.
E como de costume, ele vem a minha cabeça. Que vontade que eu estou de ligar pra ele, sinto tanto a sua falta. Nessas três semanas que estamos separados eu pude ver o tamanho da
burrada que eu estava fazendo. O bom é que nesse tempo eu pude realmente pensar em tudo que aconteceu e vi que a única coisa que eu estava conseguindo nessa distância toda, era me machucar... Nos machucar mais ainda... E isso fez o amor que eu sinto por ele aumentar ainda mais, me fez ver o quão ruim é não tê-lo do meu lado... Eu agi pensando no nosso bem, mas na verdade esse tempo não fez bem pra ninguém. Só serviu pra me mostrar
que eu realmente fui feita pra ele... Só pra ele.

A minha vontade é de ligar pra ele agora mesmo e pedir desculpas por não termos enfrentados isso juntos, pedir desculpas por ter sido uma tola. Eu fiz tudo isso pensando no nosso bem... No bem dele, mas na verdade isso só estava nos matando mais ainda... Me matando mais ainda.
Eu não vou consegui esperar mais, acho que vou morrer de ansiedade, eu necessito falar com ele, pedir desculpas, pedir pra voltar... Eu quero e preciso dele de volta. Na verdade eu nem deveria ter o deixado ir.

Pego o meu celular no bolso e vou para um canto na loja, disco o seu numero, mas ele nem chama, vai direto para aquela vozinha chata que diz que: “O celular está impossibilitada de esse tipo de chamadas nesse momento...” e blábláblá. Essa mulher sempre me
irritava. Mas eu não desisti e tentei de novo, de novo, de novo e de novo... Mas sempre dava o mesmo.

Que raiva, justo hoje, justo agora que eu resolvi conversar com ele, esse celular não colabora.

- Bee, já terminei aqui, vou guardar o dinheiro lá no cofre e nós já vamos.

- E-eu vou subir com você, tenho que pegar a minha bolsa. – digo guardando o celular no bolso, totalmente frustrada.

Vou até onde deixei o meu salto, o pego e logo em seguida entramos no elevador, subindo.
Enquanto eu fui para a nossa humilde salinha, a Toni foi em direção ao escritório da Cheryl.
Coloco o meu salto dentro da bolsa e calço a sapatilha.

- Está tudo certo já. Vamos? – Diz a Roni entrando na sala e pegando a sua bolsa no armário.

- Vamos.

Saímos da loja e o shopping ainda estava bastante cheio, por conta das outras lojas abertas e pelo cinema também.

Despeço-me da Toni que vai de elevador até o estacionamento, pois sim ela tem um carro, enquanto eu descia a escada rolante em direção a saída principal do shopping. E um
pensamento invadiu a minha cabeça, a ideia de ir até a casa do Jughead me veio em mente. Eu não aguentaria e nem poderia esperar até amanhã pra conseguir falar com ele, eu vou
resolver isso hoje, por mais cansada que eu esteja agora, eu não me importo eu vou até ele.
Eu sei que á essa hora ele já estaria em casa, é um pouco mais de oito horas da noite, e eu vou lá, tentar trazer o Jughead de volta pra mim.

Saio do Shopping e vou andando até um ponto de ônibus que tem aqui mesmo perto, a casa do Jughead não é muito longe daqui, mas a pé acaba ficando, então eu pegaria um ônibus
mesmo.

Assim que chego ao ponto de ônibus espero alguns minutinhos e um ônibus já logo para, mas algo chama a minha atenção e me faz parar de andar até ele.
Eu vi um carro muito parecido com o do Jughead estacionando próximo á um restaurante que tem próximo ao Shopping, eu pensei que fosse apenas uma coincidência, afinal de contas não existe só o Jughead com aquele carro no mundo. Mas antes que eu possa voltar em direção ao ônibus eu o vejo saindo de dentro do carro. Eu já estava quase indo até ele, quando eu vejo uma mulher saindo também. Na mesma hora eu paro e o meu coração começa a doer de uma forma que eu nunca senti antes, eu não consegui nem impedir que as lágrimas
descessem de meus olhos e tudo isso aconteceu muito rápido, sem me dar chances nenhuma de me controlar.

Eu nem sei quem de fato é aquela mulher, mas ela é bonita, elegante, tem um sorriso enorme no rosto, parecendo estar bem feliz ao lado dele. Eles entram no restaurante e eu continuo em pé, parada, no mesmo lugar, olhando para onde eles entraram.

Algo dentro de mim diz pra eu ir lá como quem não quer nada, ver se eles realmente tinham algo. Mas eu não vou fazer isso, de jeito nenhum. Eu não vou. Eu já estou sofrendo o
suficiente só de vê-los juntos, eu não quero procurar ainda mais motivos para aumentar essa dor. Eu não quero ver coisas que eu sei que me deixarão pior ainda.
E eles poderiam ser amigos apenas, mas aquele sorriso no rosto dela, não é sorriso de uma amiga para um amigo quando vão jantar juntos. É um sorriso de uma mulher que depois
daquele jantar provavelmente teria uma bela noite com ele. Ela deve ser algumas das antigas submissas dele, ou não. Mas eu sei que amiga não é. Ele nunca me falou dela, na verdade ele nunca me falou de amiga nenhuma.

O Jughead está seguindo a vida dele e eu não posso fazer absolutamente nada, nada pra mudar isso. E eu nunca seria capaz de fazer algo assim. Por mais que eu o ame muito, eu não
vou atrapalhar mais ainda a vida dele...

Fico tanto tempo olhando para aquela direção que nem me toco que o meu ônibus já tinha chegado e estava quase saindo novamente e antes que eu o perca e fique aqui até de
madrugada esperando outro, seco rapidamente o meu rosto e corro até o ônibus, entrando. Sento-me no ultimo banco, deixo a minha cabeça cair pela janela e penso no quão tola e burra eu fui de ter deixado-o sair da minha vida... Agora ele realmente saiu de verdade.

Tento tirar da minha cabeça os pensamentos de que o que ele fará com ela quando saírem dali, á quanto tempo eles já estão juntos, se ele realmente me esqueceu... Deve ter
esquecido. Mas o que eu queria também? Que ele ficasse me esperando a vida inteira? Eu já
fui egoísta o suficiente, pra querer que ele me espere pra sempre.
Eu estava tão distraída e me martirizando com os meus pensamentos que quase perco a
parada do meu ponto. Mas me levanto a tempo de puxar a cigarra e descer.

o delegado-BugheadOnde histórias criam vida. Descubra agora