desejo o mesmo, delegado

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11° CAPÍTULO

BETTY

-Betty, me diz que isso é mentira. Me diz que é uma brincadeira sua. Você não se envolveu

com aquele marginal. Você não fez isso.

Aquele olhar de desgosto continua presente e um medo de que ela não acredite em mim,

tomou conta.

- Mãe, a senhora prometeu que iria ouvir até o final sem me interromper.

- Mas o que você está me falando é...

- MÃE, EU FUI ESTUPRADA!

Não acho outro jeito de falar sem que ela me interrompa, a não ser assim.

Curta, grossa e direta.

Os seus olhos agora estão arregalados em surpresa. Posso ver incredulidade nos mesmos. E isso aumenta mais ainda o meu medo de ela não acreditar em mim. Minha mãe agora esta

sem fala. Ela abre e fecha sua boca diversas vezes na tentativa de dizer algo. Mas nada sai.

- Eu não acredito que a senhora realmente acreditou que eu me envolveria com ele de pura e espontânea vontade. Isso só prova que você não me conhece nem um pouco.

Surpreendentemente eu estou firme. Minha voz não está tremula e aquela vontade de chorar

que habitava em mim mais cedo, quando eu disse tudo para o Jughead, não existe mais. Eu

não sei explicar o porquê disso. Mas eu simplesmente estou mais confiante agora. O que não significa que ainda não me doa lembrar aquelas coisas. Porque sim. Dói e muito. Mas eu estou me mantendo forte diante disso tudo. Eu tenho que me manter forte

- Co-como assim... Você... Você foi estuprada minha filha? – suas lágrimas caem livremente.

Ela ainda me olha sem entender direito. Está procurando respostas.

- Você lembra á três anos atrás, quando eu fui ao aniversário da Vee e a senhora me mandou

ir pra casa cedo? – ela acena com a cabeça e leva suas mãos até a boca a tapando como quem não acreditasse no que estava ouvindo.

- Então... Naquele dia quando eu estava subindo o moro eu encontrei com o Nick e ele me ofereceu uma carona. Eu não queria. Você mais do que ninguém sabia o quanto eu o odiava. Mas ele praticamente me obrigou e eu tive que ir. Eu não tive escolha. Eu realmente pensei que ele me levaria pra casa, mãe. Mas não foi isso que aconteceu. Quando eu percebi, ele já estava parando em frente à casa dele. Eu não tive saída. Eu fiz tudo o que estava ao meu

alcance naquele dia para que ele me soltasse. Para que ele deixasse ir embora. Mas de nada adiantou. Ele não se importou... Aconteceu.

Eu estou surpresa com a maneira na qual eu cotei toda a história, resumidamente e tão

tranquilamente. Eu quero poupa-la dos detalhes e me poupar também de ter que me

lembrar de tudo o que eu passei, novamente, tudo isso em menos de um dia.

Minha mãe chora feito uma criança. Ela não tem coragem de olhar nos meus olhos em nenhum momento e eu não sei se isso é bom ou ruim. Não sei o que ela está pensando de mim, agora. Não sei se ela acreditou realmente. Mas tudo indica que sim.

- Por isso que naquele dia eu cheguei mais tarde. Não foi porque eu perdi a hora de voltar

pra voltar pra casa. Foi porque aquele nojento atravessou o meu caminho e abusou de mim.

o delegado-BugheadOnde histórias criam vida. Descubra agora