Epílogo.

59 15 77
                                    

Encaro mais uma vez o espelho, me analisando da cabeça ao pés, o vestido preto de alças finas ficou ótimo no meu corpo e a pequena fenda na perna deixa mais interessante. Prendi meu cabelo em um pequeno rabo de cavalo alto, e os saltos não tão altos são pretos também. Olho em cima da penteadeira e vejo a pequena caixa preta, pego a gargantilha dourada que contem um pequeno girassol no meio.

Ouço meu celular tocando e vejo o número e a foto do Luke.

— Alô? — digo baixo.

— Como você está? — sua voz é igualmente baixa.

— Ansiosa — o ouço suspirar.

— Vai dar tudo certo, como ficou o vestido? — eu me olho mais uma vez no espelho.

— Ficou perfeito, obrigada — agradeço e ele fica em silêncio — Desculpe te arrastar comigo para o shopping atrás de algo para hoje.

— Com você se desculpando assim, até que fica menos doloroso — ele tenta soar divertido mas sinto emoção em sua voz — Sabe, você ainda tem dez minutos!

— Sim!? — toco a gargantilha.

— Ainda a tempo para mudar de ideia e fugir comigo para o Canadá — não consigo segurar o riso e ele ri também — Estou falando sério.

— Pior que eu sei que está — sorrio olhando meu reflexo no espelho — Obrigada pela gargantilha.

Minha voz sai como um sussurro e meus dedos ainda caminham sobre a joia.

— É para combinar com o anel e para sempre me ter com você — respiro fundo e fecho os olhos — Acho que posso me acostumar com a idéia de ser seu único amigo.

Abro os olho indignada e posso imaginar o sorriso idiota na cara dele.

— Você não é meu único amigo — retruco e ele ri alto — Abusado.

— Qual é, gracinha nós sabemos que sou seu único amigo. Devo dizer que tenho que ser promovido ao melhor, não é fácil fazer compras com você — ele resmunga a última parte e eu reviro os olhos.

— Babaca — murmuro e ele solta um riso fraco.

— Dois minutos, tem certeza que não quer ir para o Canadá?

— Por que eu ainda tento te suportar mesmo? — respondo com outra pergunta e nós ficamos em silêncio.

— Um minuto — ele sussurra — Emy?

— Sim?

— Eu amo você — engulo em seco sem saber o que dizer — Tenha uma ótima noite.

— Luke... — sussurro e ouço ele suspirar do outro lado.

— Não diga nada, não estou te cobrando nada. Só senti que precisava te dizer isso independente da sua escolha — ouço minha mãe batendo na porta do meu quarto dizendo que James, chegou mas não consigo dizer nada e sinto meus pés travados no chão — Você tem um encontro agora, gracinha. Divirta-se.

Não tenho tempo de responder ele já desligou. Céus como isso é difícil.
Me olho uma última vez no espelho e abro a porta do quarto indo em direção a sala encontrando James conversando com minha mãe. Ele está com suas habituais roupas pretas, sem nenhum defeito.

— Oi — digo do alto da escada e eles se viram para me olhar.

James percorre os olhos pelo meu corpo e sinto minha pele se esquentar. Ele caminha até a ponta da escada e estica a mão para mim.

— Você está maravilhosa — sorri deixando um casto beijo na minha bochecha.

— Você está linda, querida — mamãe diz e eu a abraço — Me avise se for chegar mais tarde.

Déjà Vu Onde histórias criam vida. Descubra agora