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Luke caminha até nós e afasta Jack para se sentar no meio, ele passa os braços em volta do meu ombro e eu fico estática. A tensão é tanta que fica difícil respirar.

— Peço desculpas por atrapalhar o casal — sua voz transborda ironia e ele me aperta em seu braço.

— Não somos um casal — digo entre os dentes e Jack desvia o olhar para o livro em suas mãos.

— Quem vê de fora pensa que são um casal — Luke aponta para o vidro ao meu lado que dá na rua.

— Eu acho que já vou embora — Jack se levanta e sai andando sem me deixar dizer nada.

Me levanto para ir atrás dele mas Luke segura minha mão e me puxa fazendo com que eu quase caia em seu colo, ele chega mais perto de mim com os olhos sérios.

— Eu te beijaria agora, mas você estava beijando outra boca a alguns minutos — ele sussurra e logo se afasta.

— Você é desprezível, Luke — digo com raiva e cruzo os braços.

— E você gosta — diz descontraído olhando as pessoas pela biblioteca.

— O que você está fazendo aqui, aliás? — questiono e ele da de ombros.

— Estava passando por aqui e vi um casal super envolvido pelo vidro, resolvi dizer oi — ele se vira para me encarar e sorri de lado — Mas agora acho que já estou saída.

Ele olha em seu celular e se levanta me deixando sozinha. Observo ele até sair pela porta. Respiro fundo e escondo o rosto nas mãos.

                                    🌻

Quando chego em casa sinto cheiro de algo delicioso e vou correndo até a cozinha vendo minha mãe cozinhando.

— O cheiro está ótimo — digo sorrindo e ela se assusta.

— Você quase me matou do coração, não chegue assim de fininho — ela me repreende mas logo sorri.

— Mas eu fiz barulho quando fechei a porta da sala, você que estava tão concentrada que não percebeu minha chegada — sento no balcão da cozinha e minha mãe me olha feio.

— Estou fazendo uma nova receita de massa de pizza — diz empolgada com farinha pelo rosto.

— Massa de pizza não são todas iguais? — pergunto e ela joga farinha na minha cara enquanto ri.

— Por Deus mãe, eu não faço parte da receita — digo indignada mas dona Rose não para de rir.

— Desculpe querida, eu sempre quis fazer isso — ela volta a sua receita.

— Faz tempo que não te vejo sorrir assim — ela para por um tempo sem olhar na minha direção.

— Só estou me sentindo bem — ela sorri fraco.

— Espero que continue assim — desço do balcão e dou um beijo em sua bochecha cheia de farinha — Precisa de ajuda com isso?

— Claro, lave as mãos antes — aponta para a torneira.

                                   🌻

Segunda-feira de manhã acabo me esbarrando na Vic correndo em direção ao banheiro, fico preocupada e entro no banheiro que por sorte está vazio.

— Vic? — chamo e ela abre a porta de uma das cabines.

Seu rosto está molhado por lágrimas e seus olhos vermelhos. Sem dizer nada a puxo para um abraço onde ela chora por alguns minutos.

— Quer me dizer o que aconteceu? — pergunto e ela concorda com a cabeça.

— Eu não sei mais o que fazer para Lou ver o quanto eu gosto dela — sussurra e volta a chorar baixinho.

Fico surpresa com sua confissão e aperto ela em meus braços para tentar acalmar seus soluços.

— Você já disse a ela como se sente? — Vic acena que sim com a cabeça.

— Nós tivemos um tempo juntas mas ela sempre volta atrás e diz que está confusa, depois ela aparece com um garoto diferente toda vez que isso acontece — seu choro se intensifica e eu me sinto mal por ela.

A porta do banheiro é aberta e Louise para estática quando vê Victória chorando.

— Eu acho que vocês tem muito o que conversar — digo por fim me afastando da Vic que evita olhar na direção da Lou.

Saio do banheiro deixando as duas lá para que se resolvam, eu realmente espero que sim.
Vou para minha aula de literatura e fico confusa quando vejo uma mulher na mesa do professor, será que aconteceu algo com meu irmão?
A aula começa e a professora diz que Vincent está doente e não poderá vim durante uma semana. Com isso entendo que provavelmente ele está perto de acabar com as investigações e não pode vim ao colégio. Pelo menos eu espero que seja isso.
Um movimento do lado de fora me chama atenção e olho pela janela vendo James encostado em uma árvore fumando e seus olhos estão em mim a todo momento. Estranho o fato dele estar perdendo aula. Fico encarando ele pela janela até a professo chamar minha atenção para a aula, pouco tempo depois eu volto a olha para fora mas ele não está ali.

                                   🌻

Apoio a testa na mesa do refeitório e bufo alto pelo tédio que estou sentindo. A cadeira do meu lado se arrasta e sei que é o Luke pelo seu perfume.

— Entediada, gracinha? — viro o rosto na sua direção e mostro a língua para ele que ri — Muito madura você.

— Odiava quando você me chamava de gracinha — argumento e ele cruza os braços em cima da mesa.

— Não é disso que eu me lembro, vai ver sua memoria ainda não voltou completamente — ele provoca e eu soco seu braço.

— Muito engraçado Luke, muito engraçado — ele ri e começa a comer, olho em volta e deixo um sorriso escapar quando vejo Vic abraçada com Louise.

Meu telefone começa a tocar e olho o número reconhecendo ser do meu irmão.

— Alô? — digo calmamente.

— Aonde você está? — sua voz é desesperada e eu sinto um frio na barriga.

— No refeitório do colégio — respondo tensa e Luke para de comer me olhando estranho.

— Quem está com você? — sinto meus batimentos cardíacos aumentarem.

— Luke — engulo em seco e Luke levanta uma das sobrancelhas.

— James está por perto? — olho em volta e encontro ele encostado em uma parede olhando para o chão, como se sentisse que está sendo observado ele levanta a cabeça e me encara.

— Tenho ele na minha visão — sinto minha mão tremendo.

— Não chegue perto dele — arregalo os olhos e sinto a mão do Luke no meu ombro — O dono da farmácia me ligou dizendo que achou recibos em papel daquele dia e um deles era do arsênico, a hora é registrada no meio tempo em que James está dentro da farmácia.

Deixo meu celular cair das minha mãos e o Luke o pega para falar com meu irmão que parece estar contando tudo. James começa a falar no celular e parece agitado, de repente ele olha para mim e sai praticamente correndo do refeitório. Sem pensar eu vou atrás e Luke começa a me seguir com meu irmão no telefone.

— James? — grito, mas ele não olha para trás e continua saindo do colégio, no lado de fora ele vai em direção a um homem que está de moto. James coloca o capacete e me olha uma última vez antes de sair com o rapaz de moto.

— Ele fugiu — ouço Luke dizer ao meu irmão e caio de joelhos no gramado sentindo as lágrimas quentes no meu rosto.

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