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Hoje o dia está combinado com o meu humor, o céu escuro e o vento gelado. Estou dirigindo meu carro, agora que recuperei minhas memórias e minha mãe está se sentindo culpada por não ter me contando a verdade. Então eu posso aproveitar um pouco da sua culpa e usar essa belezinha aqui.
Paro o carro em uma vaga perto da entrada e logo avisto meu irmão encostado em seu carro perto dali. Ele me encara de longe e sei que quer falar comigo. Caminho em sua direção e alguns alunos observam.

— Precisamos conversar — diz baixo e me olha da cabeça ao pés com um sorriso debochado — Qual é a das roupas pretas?

— Estou de luto, afinal de contas estou morta — dou de ombros e encosto no seu carro.

— Nós vamos dar um jeito na sua certidão de óbito, só não garanto que sua mãe sairá impune disso.

— Não é como se o que ela fez fosse certo — suspiro pesado e olho para ele que está olhando em volta.

— Emy, ninguém pode saber que você recuperou a memória. Isso te torna um alvo fácil e não queremos que quem tentou te matar tente de novo — ele diz seriamente e se vira para olhar em meus olhos.

— Eu sei, não se preocupe com isso — aceno com a cabeça para ele e vou em direção a entrada.

Sinto como se eu fosse o centro das atenções hoje, como se tivesse uma placa bem grande e chamativa na minha cara. Chego ao meu armário e começo a pegar os livros do dia.

— Nossa, quem morreu? — olho para o lado e vejo Victória me analisando.

— Eu — respondo seca e logo me arrependo — Desculpe, não tenho dormido muito bem.

Vic sorri para mim e me abraça rapidamente. Louise brota do nosso lado toda animada e não deixo de ter inveja da sua alegria.

— Vamos Emy, sua próxima aula é comigo — Lou me puxa pelo braço e vamos até a sala de biologia.

Ao entrar na sala me lembro sobre o trabalho em dupla que temos que apresentar semana que vem. Procuro Luke com os olhos pela sala e o encontro no fundo de cabeça baixa.
Coloco minha mochila ao seu lado e me sento, ele olha para mim e me analisa depois sorri de lado e apoia o cotovelo na mesa.

— Você fica sexy de preto — agora que recordei as memórias fico me perguntando porque ele age assim, Luke não era desse jeito.

Coloco a mascara de - menina amnésia - e sorrio forçado para ele.

— Você é tão engraçado, Luke — irônia escorre pelos meus lábios e ele pisca para mim.

A aula corre lentamente com a professora falando e falando. Em certo momento sinto um toque na minha mão e olho na direção, Luke está tocando o anel que coloquei hoje. Depois de me lembrar quem me deu e o motivo dele, não fazia sentido eu não usá-lo.

— Belo anel — por poucos segundos eu vejo o antigo Luke ali do meu lado— Quem te deu?

Minha vontade é de rir e socar ele por saber fingir tão bem. Mas nós dois podemos jogar esse jogo.

— Não me lembro na verdade — decepção passa por seus olhos mas ele logo sorri — Mas sinto que foi alguém importante para mim.

Ele fica sério e me encara, não sei se consigo fingir por muito tempo que não me lembro de tudo. Não com ele tão perto de mim e me olhando tão intensamente.

— Vamos fazer o trabalho na minha casa — desvio o olhar dele e volto a prestar atenção na aula.

— Certo, senhorita mandona — reviro os olhos e não posso deixar de sorrir ao me lembrar que ele me chamava assim.

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