Epílogo - Parte 1

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Alguns anos depois

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Ponto de vista de Andrew

Eu estava fazendo o jantar com a ajuda de Bailey, enquanto Meredith ajudava a Zola a terminar de empacotar suas coisas. Ellis, por sua vez, estava tentando distrair o pequeno Vicenzo lhe ensinando anatomia.

Desde que as crianças ficaram sabendo que o Vicenzo iria chegar eles ficaram enlouquecidos por terem mais um bebezinho em casa, menos a Ellis é claro. Ela no começou ficou com muito ciúmes, mas com o tempo foi aceitando a ideia, e quando ele finalmente nasceu ela já era a irmã mais velha mais dedicada do mundo. Ela e Vicenzo eram simplesmente grudados.

A minha doença seguiu controlada, mas é claro que eu nunca parei de me tratar e nem pretendia. Eu continuava fazendo terapia, Meredith também se convenceu a fazer uma terapia constante depois de perceber que isso a ajudava a se preocupar menos com a minha doença e também com o possível Alzheimer que ela poderia desenvolver. Eu já não fazia mais uso de medicamentos de forma contínua, claro que vez ou outra ainda era preciso entrar com algum deles, mas no geral eu conseguia controlar as crises de forma alternativa.

Algo que me deixou muito feliz foi que, depois de ter algumas conversas com meu pai, e de fazê-lo ver meu exemplo, ele finalmente foi convencido a se tratar, e já estava bem melhor. O caminho para ele ainda seria longo, ainda mais porque ele havia convivido com a doença por anos sem procurar ajuda, mas eu tinha muita esperança de que dessa vez ele estava no caminho certo, ainda mais quando consegui ir para a Itália visitá-lo com Meredith e as crianças um pouco depois que Vicenzo completou um ano. Meu pai ficou encantado com os netos, e as crianças com ele, e foi assim que o convenci de vir morar em Seattle e se tratar, e desde então tínhamos uma ótima convivência.

A essa altura do campeonato as crianças, que já não eram tão crianças assim, também já sabiam tudo sobre a minha doença. Além de Meredith fazer com que eles soubessem sobre a bipolaridade, ela também explicava sobre o Alzheimer para eles, ainda mais para Bailey e Ellis que poderiam herdar os genes, mesmo que ela tenha preferido não fazer o mapeamento genético deles, para não criar ainda mais ansiedade nela, e também neles. Isso é claro foi uma dica da própria terapeuta, que alertou Meredith de que, uma vez que se eles tivessem o gene nada poderia ser feito, pois a medicina ainda não tinha descoberto a cura para essa doença. Então ela mantinha eles cientes de que deveriam sempre ficar atentos ao menor sinal de que pudessem ter a doença quando estivessem mais velhos.

Meredith, por sua vez, não tinha nenhum sinal de que desenvolveria a doença, pelo menos não até o momento. Mesmo assim, desde que atingiu a idade em que a mãe começou a dar sintomas ela fazia exames constantes com Amelia, e de três anos para cá conheceu um neurocirurgião que era especialista em Alzheimer e começou a se consultar com ele periodicamente. Ela dizia que queria monitorar a doença bem no início se realmente a desenvolvesse. Mas os exames demonstravam que provavelmente ela não desenvolveria, ou se acontecesse realmente seria quando ela estivesse bem mais velha, o que a tranquilizou bastante.

As crianças tinham se tornado jovens maravilhosos. Zola e Ellis seguiram firmes no desejo de serem cirurgiões, mas Bailey nos surpreendeu quando disse que queria se tornar psiquiatra. Ele começou a se interessar por isso por causa da minha doença, e dizia que queria ajudar as pessoas que passavam pela mesma coisa e muitas outras.

Além disso, Bailey foi o único que se interessou em continuar tocando violão, no colegial chegou até a fazer parte de uma banda. E também se interessou pela culinária, passávamos horas juntos na cozinha. Ele se tornou um grande companheiro, e embora também tenha ido estudar em Harvard como a Zola, todas as férias fazia questão de vir para casa e ficar com a gente, eu ficava orgulhoso do grande homem que ele estava se tornando.

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