CAPÍTULO 19

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CINZA

JOOHEON

Olhando através das barras de metal que me separam dele, eu vejo o momento em que ele desperta de seu sono. Seu corpo tenso. A veia em sua garganta começa a pulsar. Em um único momento, o terror o supera.

Em pânico e ofegante.

Perdido e confuso.

Tão perfeito.

Bonequinho perfeito.

Enquanto eu o carregava daquele lugar que ele chamava de casa, seu cheiro me dominou, e eu quase tinha permitido que lágrimas de alegria escorressem para que Jisoo pudesse testemunhar.

Vulnerável e desesperado para trazê-lo até aqui, minhas emoções lutaram muito para trair meu coração endurecido.

Ele. Me. Deixou.

E por isso, ele pagaria.

Ele não sabia ainda, mas ele sempre foi apenas um convidado naquele lugar que ele chamava de casa. Aqui é onde ele pertence — aqui. Esta cela é a casa dele. Ele só precisa se lembrar desse fato.

— Como eu terminei de volta aqui? — Ele grita em um soluço sufocado, os olhos arregalados e balançando a cabeça. Ele está em choque. Não registrou realmente que esta é a realidade e não seus pesadelos o embebendo em seu almíscar escuro e úmido. — Oh, Deus.

Sua voz cantarola em meus ouvidos. Eu quero chorar. Eu estive tão sozinho sem ele. Será que ele sabia o quanto eu o amava? O quanto eu senti sua falta?

Vê-lo andar pela cela como um caranguejo preso dentro de uma armadilha não é tão gratificante como eu sonhava que seria. Meu coração encolhe dentro da cela que o prende. Se eu pudesse sobreviver sem ele, eu o cortaria do meu peito, para que então a agonia dele nos abandonando — não, me abandonando — não apertasse mais a minha sanidade agora que ele voltou.

O amor é uma besta selvagem presa dentro de mim, engrossando e saboreando seu desejo apresentado diante dela. Tudo logo estará bem. Ele precisa de tempo para chegar a um acordo com os fatos.

Ele nunca terá outra chance de se afastar de mim.

Ele.

É.

Meu.

Eu acreditava que um dia ele voltaria a esse quarto. Esperando por mim sempre que o desejo de estar dentro dele acenasse. Mas então... Ele não estava mais aqui.

Meu bonequinho sujo.

Ele me superou e se libertou das correntes do meu amor.

Eu tentei ser outra pessoa, evoluir para um novo homem, mas a memória dele não me permitia libertar da dor que ele deixou em mim.

Seu corpo inteiro tenciona quando sua mandíbula se solta e um grito envia um banho de arrepios brotando por toda a minha pele.

Deus, como eu senti falta dele. Ele será meu bonequinho sujo mais uma vez. Ele só precisa ser quebrado para lembrar que eu sou seu mestre e ele pertence a mim.

— Jichu. — ele soluça — Não. — Sua cabeça balança para frente e para trás em negação. — Isso não pode ser real. Como estou aqui?

Água explode sobre minha língua com a necessidade de provar seu sofrimento.

Ele se enrijece quando as palavras fluem de minha boca.

— Essa é uma ótima pergunta, bonequinho sujo.

Marionetes | Taejin [EM REVISÃO]Onde histórias criam vida. Descubra agora