CAPÍTULO 8

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FERRUGEM


— Estou feliz que você voltou. — A mulher de terninho que tem como decoração do escritório um aquário de peixes me examina com olhos estreitados. — Por favor, sente-se quando estiver pronto.

Corro os dedos sobre o encosto do sofá marrom e o couro macio parece frio na ponta dos meus dedos. — Quantos anos você tem?

Ela franze a testa e deixa seu olhar muito mais velho. — A idade importa para você? Quantos anos você tem?

Ignorando sua pergunta, eu faço o meu caminho até a água de pepino estranha. Isso me lembra de algo, uma menina com suas bonecas, fazendo um chá da tarde como os que estamos habituados a ver as meninas nos filmes com as suas mães. Eu despejo o líquido frio em um copo e tomo um pequeno gole.

— Você tem amigos? — ela questiona.

Eu dou uma olhada para ela. Seu dedo aperta a caneta que ela usa em seu dispositivo e sua sobrancelha espessa levanta quase até a linha do cabelo.

Um suspiro triste me escapa. — Não muitos — admito — Mas eu não acho que preciso ter um.

Ela se senta e olha para mim, compaixão cintila em seus olhos brilhantes. — Por que você não quer nenhum, não faz falta?

Minha breve risada ecoa na sala silenciosa, mas até eu percebo meu tom amargo quando respondo: — Não.

Mentiroso.

Eu observo sua feição para ver se minhas palavras afetam a terapeuta. Elas afetam. Uma decepção a faz franzir a testa por um breve momento antes dela mostrar indiferença.

— Vamos conversar sobre você. A última vez que esteve aqui, você mencionou uma irmã. Você tem outros irmãos?

Eu tremo com a menção da minha irmã. Nem um dia se passou sem que eu não tenha pensado sobre ela. Que eu não tenha fechado os olhos e tentado me lembrar o som de sua voz reconfortante.

— Não.

Ela solta um suspiro exasperado. É suave, mas eu ouço. Eu sempre avisto o mais ínfimo dos detalhes. É o que me faz tão bom no meu trabalho.

— Eu não posso te ajudar se você não falar comigo — diz ela finalmente, e seus olhos vagam para o relógio na parede.

Me sento no sofá e tomo meu tempo pensando. Na sua idade e sua profissão, onde ela fica o dia todo, nas rugas em seu rosto e o peso de seu corpo cheio de curvas. A imagem que ela tem em seu site revela uma vibrante mulher mais jovem e muito mais magra. Parece que não sou o único que deseja ser outra pessoa.

— Eu não preciso de ajuda. — Eu digo a ela com um leve tom mordaz na voz. Sei que não estou sendo muito justo, mas não consigo evitar.

Ela franze a testa. — Você não estaria aqui se você não precisasse.

Dando de ombros, eu tomo mais da bebida fria. Quando eu acabo, eu coloco o meu copo no livro decorativo na mesa que não estava aqui da última vez. Movendo os olhos para encontrar os dela, ela se encolhe, mas não diz nada. Satisfeito, eu me inclino contra as almofadas.

— Eu vim aqui porque ele me pediu.

— Quem é ele? Seu amigo?

Meu amigo... Não, mas o que éramos exatamente?

— Você seguramente sente afeição por este homem — ela estabelece.

— Sim, sempre senti. — Eu digo a ela honestamente.

Marionetes | Taejin [EM REVISÃO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora