19 de Setembro de 2019.
Mon ami, un toast à notre amour
- o amor que transcende as palavras.
O inquietável mudo, a boca muda
de batom vermelho à la française.
A bolsa escura, o crème brulée,
a tinta à óleo à la Monet.
Diga que alma boa, a que vê,
não diz nada a ela, só crê.
Vous sabe, monsieur,
desisti das ruas de Paris.
Há alguns anos, me desfiz.
Fluo nua como o poema que fiz.
Soo infantil, talvez, como bala de aniz.
Soturna e doce como alcaçuz,
então, mon ami, por que não me conduz?
Me livre leia e faça-me bela como a luz.
Me faça uma sonata,
me escreva uma livre ata.
Olhe nos meus olhos
enquanto tua mentira mata.
Oh? S'il vous plait!
Não afaste o couro à mercê
de tuas lindas mãos.
Há de dedicá-lo aos cidadãos.
N'est ce pas? Viva a revolução!
Viva nosso amor intenso
que me aflinge de rouxo e rouge
e de odes a outras que não eu.
Ou óperas, se preferir.
Ah, meu amor! Eu deixo.
Você pode sim fingir.
Dans ma robe rouge,
eu irei rir! Pagliacci.
Não contarei-os a verdade.
Não revelarei seu requinte atroz,
nem mesmo algo algoz.
Não direi o que fez comigo.
Só me dói saber que não o tenho.
Que o franzir de teu cenho
só mostra-se aos desalentos;
aos loucos que tenho nos aposentos.
Tormentos? Não sou louca, mon amour.
A histeria de meus roucos
só se dá quando você me atinge
com seus lindos tapas poucos.
- Eu te amo, mon chéri.
Mas, tu sabes,
hei agora eu de sair daqui.
A arte morre nesse lugar que sofri.
Assinto ao homem do absinto
que me dedicara requiéns e sinfonias.
Vá, meu amor! Às alegrias!
Durará algumas horas, creio.
Pego la coupe suja e a quebro no meio,
com um quê final de toxique, anseio.
Lembrando que, de seu carro, cortara o freio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Martírio
PuisiBoas vindas ao Martírio, uma viagem adentro das piores emoções humanas. Atente-se ao pôr-do-sol das aparências - aqui não fingimos prudência ou moralidade -, quando a noite cai, a encaramos e a enfrentamos sem medo. Quando as luzes se apagam, a verd...
