Batuquei a caneta na mesa num ritmo constante, tendo dificuldades para conseguir me concentrar nos estudos. Se continuasse daquele jeito, eu provavelmente zeraria as provas. Bufei, frustrada comigo mesma, mas não podia afastar dos meus pensamentos aquela carta e a resposta do meu excelentíssimo namorado a ela.
"Senhorita Evans,
Com imensa honra e nossos mais sinceros cumprimentos, por meio desta, queremos lhe convidar, como acompanhante de nosso funcionário Justin Bieber, a comparecer ao baile exclusivo anual em comemoração à fundação da Cavanagh no dia 23 de novembro de 2018 às 22 horas. Dez minutos antes do horário e dia em questão, um carro se direcionará à sua residência para levá-la ao local designado.
Na certeza de que teremos finalmente sua ilustre presença entre nós, nos despedimos, por ora.
Companhia Cavanagh."
Se era um evento anual, não entendi o motivo de não terem me convidado no ano passado. Não, na verdade, por que estavam me convidando esse ano. O fato me deixou nervosa, lembrava-me muito bem do baile em que conheci George Bieber e a vulnerabilidade que o evento trouxera a Justin e eu. Seria como entrar na cova dos leões, e, esse baile em questão era pior, uma comemoração da "empresa" com todos os seus funcionários extremamente competentes em matar pessoas. Também não podia esquecer o fato de que estávamos devendo em nossa lealdade, maquinando nas costas deles. Eu tinha medo de sentir minha consciência pressionada demais a ponto de gritar no meio do baile "SIM ESTAMOS TENTANDO NOS LIVRAR DE VOCÊS".
E então eu mandei uma mensagem alerta para Justin, imaginando que se eu ligasse não me atenderia "JUSTIN: ALERTA CAVANAGH! ME LIGUE ASSIM QUE POSSÍVEL. U.R.G.E.N.T.E". Se eles me esperavam na sexta feira, provavelmente eu não corria riscos agora, não precisava ligar insistentemente até que ele atendesse.
Curiosamente, Justin me retornou quase na mesma hora, num tom alarmado. Eu contara sobre a carta, lendo-a calmamente para ele. Expliquei que Diane pegara no nosso correio, eles não estavam a vista (pelo menos onde eu podia ver) e sim, Caitlin estava conosco. Justin grunhiu de irritação e murmurou entredentes:
— Você ir de minha acompanhante? — Distorceu as palavras.
Eu sabia que era idiota da minha parte, mas me chateei com a frase, encolhendo-me. Ele provavelmente os criticava pelo convite sem noção, não questionava minha qualidade como sua "acompanhante" em geral. Mas não contive minha língua rápido o bastante:
— Bom, eles parecem pensar que sou digna de aparecer com você — murmurei a meia voz.
— Digna de aparecer comigo? Faith, eles estão loucos. Eu já avisei para manterem distância de você. Agora acho que devo especificar para "nenhum contato" — bufou com sarcasmo.
A paranoia em minha mente se agitou "viu, ele não confirmou que somos um belo par juntos, mas que apenas seria arriscado para o evento em si que estivéssemos lá". Balancei a cabeça, eu já estava passando do absurdo da carência.
"Sim, e de quem é a culpa?"
Conversar comigo mesma daquele jeito não podia ser bom sinal.
E se teve um baile anual no ano anterior, quem havia sido sua acompanhante então?!
— Assim que eu chegar tomarei medidas sobre isso. Preciso pensar um pouco.
— Claro — respondi vagamente.
— No mais, está tudo bem? — Perguntou, atento.
— Ah, sim, minhas babás estão fazendo um ótimo trabalho — ironizei.
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One Time
FanfictionAssumir um relacionamento implica uma série de desafios, o que não deveria incluir riscos de morte frequentes. Mudar-se para o Canadá a fim de fugir de uma Companhia de Assassinos parecia uma boa ideia no princípio, mas Justin Bieber deveria saber q...
