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Dener

Ao tocar o pescoço de Briella, meu corpo inteiro enrijece, sinto uma adrenalina tomando conta de cada parte de mim. Odeio sentir isso por essa garota, será  que nunca vou superar?
Todos esses dias depois de descobrir uma traição dupla, me fazem querer odia-la, mas porra, eu não consigo parar de pensar nessa pirralha.

Quando penso que Briella está com Max, nos beijos, abraços e carícias que os dois estão trocando, eu fico puto a ponto de quebrar o que vejo pela frente. Tento me controlar me afastando deles. Olho para ela na escuridão,  sentindo seu cheiro tão próximo, sua respiração descompassada. Paro no tempo por um breve segundo, lembrando de nossas noites.

Briella me ergue um pouco mais e me impulsiona a subir um degrau. Sinto uma dor enorme em um dos meus pés. Resmungo...

- Calma, Denn. Devagar.

Não quero falar com Briella, agora. Meus pensamentos estão me dando dor de cabeça, e os meus pés não devem estar em uma boa situação.
Subo devagar cada degrau.

- Vou te levar para o meu quarto. Tenho curativos lá.

Deixo que Briella faça o que quiser. Só quero me afastar dela o quanto antes.

Chegamos depois de longos segundos andando devagar e abraçado com Briella. Sinto dor mais não demonstro.

Ela me senta em sua poltrona e coloca os meus pés em cima de uma mesinha. A chuva fica mais forte e os trovões iluminam o quarto.
Briella está em silêncio, com certeza entendendo que não quero conversar. Ela vai até o banheiro.

As luzes do banheiro se acendem.

- Que bom que voltou, luz do meu dia. Briella fala sozinha no banheiro, e dou uma risada lembrando do humor dela, no mesmo instante ela retorna, e eu fico sério novamente, ela acende as luzes do quarto e vem até mim.
Está tão linda com um top e uma calça de pijama de ursinhos.
Balanço a cabeça em reprovação, lembrando que ela já tem alguém em sua vida e que esse alguém não sou eu. Meu coração está apertado e me sinto um pouco sufocado no local onde passamos tantas noites sem controle, tantos beijos e carícias que me excitam sempre que lembro, porra.

Ela agora está erguendo os meus pés e analisando os cortes.

Briella fala enquanto cuida dos ferimentos. Sinto falta dessa pequena em minha vida. Tudo teria sido diferente se eu não tivesse ido naquela viagem de merda. Mas se ela fosse mais velha, se eu tivesse certeza que ela me ama, se tudo fosse menos complicado...

- Não foi grave, só está sentindo dificuldade em andar por que os cortes forem em baixo. Porém nenhum caco está encravado na pele. Vou limpar e fazer curativos. Vai se sentir melhor amanhã. A medicação que vou te dar é ótima na cicatrização e não tem contra indicação.

Ela levanta, e pega uma garrafa de água em cima do criado mudo,  vai até seu closet e volta com outra maleta. Me entrega um comprimido.

- Bebe, Denn. Que vou fazer curativos nos dois pés. 

Observo cada ação prescisa de Briella.

- Como sabe todas essas coisas, pirralha? Você não tem idade para saber cuidar de alguém e de fazer curativos.

Briella me olha com desdém e parece ofendida.

- Você é muito machista, sabia?

Não respondo.

- Seu silêncio é uma afirmação. Respondendo a sua pergunta, Sr. Universitário Machão. Esse é o meu maior sonho. Sempre gostei de cuidar das minhas bonecas e sou fascinada pela medicina. Então é o que quero para minha vida. Você está olhando para uma futura médica. Com todo prazer, Dra. Sanchez para você.

Briella faz cara de deboche. Como ela nunca me contou isso?

- Combina com você.

- Obrigada.

- E já decidiu onde vai cursar?

Briella não responde de imediato, e porque demora, já imagino que seja longe. E é o melhor. Só assim terei a chance de esquecer de vez tudo o que vivemos e tudo que ainda sinto por ela.

- A alguns dias conversei com meu pai. Amo Austin, nasci aqui, amo pessoas que vivem aqui, me encontrei novamente nessa cidade e não pretendo sair daqui nunca mais. Papai tem grandes contatos nas universidades e vai conseguir entrevistas e tenho certeza que vou conseguir.

Como assim? Ela vai ficar?

- Está dizendo que não vai embora de Austin? E sua mãe? Como vai ser quando ela voltar?

- Minha mãe fez as escolhas delas, e a maior delas foi seguir os seus sonhos, mesmo significando deixar sua família de lado um pouco. Então ela não tem o direito de me impedir. Saímos daqui e fiquei dez anos longe do meu pai. Agora não quero mais voltar com ela ou ir para outra cidade. Quero estar perto de quem eu amo.

Ela levanta e me olha com receio ao falar a última  frase.
Encaro Briella e ficamos em silêncio por longos minutos.

Bom dia 🥰

Irresistível TentaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora