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11. Esperanças acesas

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                                    Henry

A semana passou rápido, mal pude ter um tempo tranquilo, tivemos um problema na equipe de comunicação, e levou horas para arrumarmos e encontrar o responsável.

Eu não sou um homem nervoso ou irritado, e não costumo perder a paciência fácil, mas essa semana me deixou super agitado e ao limite. A única coisa que me deixava feliz e animado, eram as pequenas conversas que eu tive com Valentina, sim conversamos, mas era apenas por alguns minutos, desde segunda, passamos a nos encontrar todo os dias de manhã no elevador. Era uma conversa tranquila e com risadas, falávamos sobre o trabalho e alguns acidentes que aconteceram ao longo da semana, nos aproximamos e foi incrível, ouvi sua voz todo dia apenas aumentava meu desejo em ouvi-la mais.

Ela me contou como estava sendo morar em um prédio com vizinhos próximos, inclusive que mora no mesmo prédio que seu amigo Valentin, ela parecia animada ao falar sobre ele, como se fosse o seu único amigo ou alguém especial. Eu ouvia e falava sobre mim, contei mais sobre a empresa e como eu decidi montá-la, não contei sobre meu pai, pois ainda é uma informação pessoal.

Era sábado, e como planejado hoje eu iria ter o almoço junto da minha mãe e irmãos, e para minha sorte Anthony estava disponível e concordou em ir comigo, ele ficou feliz por eu ainda ficar confortável em estar com ele perto de mim quando se trata da minha família; uns tempos atrás eu fiquei quieto em relação a minha família e apenas falava o básico para ele, já era o bastante ter ele me apoiando.

Anthony parecia pensativo sobre algo, ou como se houvesse algum problema que não saia de sua mente, tentei conversar com ele, mas nada, apenas um "está tudo bem, não se preocupa". Estava muito quieto e distante sentado no banco, olhando para a janela. Posso ser homem, mas isso não significa que eu não me preocupo com os meus amigos.


—Anthony, o que tu tem cara?-pergunto atento a estrada.
—Eu estou tendo alguns problemas de família.- diz meio triste.
—Aconteceu algo com o seu pai? Você já tinha me contado que ele estava mal.
—Ele mesmo.- diz em um tom sarcástico.- Ele voltou a investir seu dinheiro em corrupção, e minha mãe já me ligou desesperada, porque sabe que quando ele começa não sai até estar na lama com o outros.
—Nossa cara eu pensei que depois da conversa que tiveram ele iria melhorar.
—Eu também, mas aparentemente ele não liga se os filhos e a mulher estiveram bem ou não.
—E você vai fazer o que agora?
—Para falar a verdade, eu não sei.- diz pensativo.- Eu não quero brigar com ele, mas também não quero ver minha mãe sofrendo.
—Eu te entendo, você vai descobrir o que fazer, mas também precisa se distrair um pouco, não deixar esse assunto consumir sua cabeça.
—Verdade, estive pensando tanto mas não achei uma solução.
—Qualquer coisa eu passo contigo na casa do Alex quando voltarmos e ficamos jogando sinuca ou videogame.
—Ah tu faria isso por mim.- me olha com cara de gato quando quer algo.- Você é meu herói!!
—Ai está o Anthony que eu conheço, abobalhado.

O resto do caminho foi tranquilo, finalmente Anthony parece que se distraiu e puxou assunto sobre tudo inclusive sobre a Valentina. Confesso que no começo fiquei meio receoso de falar sobre ela, mas foi tão bom falar sobre, confuso eu sei, porém foi bom ter alguém para falar sobre ela, contar o que conversamos.

Achei que Anthony iria me zoar ou algo do tipo, mas pelo contrário, me apoiou na minha decisão de ir com calma, e ainda disse que pareço mais feliz quando falo dela. Eu quero tanto poder ter mais intimidade com ela, saber mais sobre ela, quero ter um contato maior do que só trabalho.

Estava tão pensativo que mal vi o tempo e já estávamos na casa da minha mãe, estacionei meu carro e percebi o dos meus irmãos estacionados também, o que significava que eles já estavam com ela.

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