Em meio aos momentos mais inesperados, o amor emerge, muitas vezes desafiando nossas expectativas pré-concebidas. Longe dos enredos de novelas e dos contos românticos, encontramos um amor real, genuíno e singular, capaz de envolver e transportar amb...
Eu sonhava ou era apenas a realidade? Esse homem estava realmente ao meu lado, com esse carinho todo, e esses olhares que enchem o meu corpo de amor. Eu dormi, mas no meio da noite acordei com alguns trovões que soavam no céu, um pouco assustada e perdida no grande silêncio, eu decidi fazer um chá para dormir.
Solto seu braço do meu corpo devagar, não queria acorda-lo, mas ele remexe um pouco e acaba voltando a dormir. O chão estava gelado, mas por minha sorte estava de meia, enquanto descia as escadas, que me dava a visão de todos os cômodos, percebi o tamanho de sua casa, a clara visão de todos os móveis era linda, no centro da escada havia um lustre deslumbrante, e um corrimão de vidro que combinava com todo o visual de sua casa.
Eu não fazia a menor ideia se ele teria chá ou não, mas tomo coragem e começo a procurar pelos armários, por alguma caixinha ou pacotinho que contenha chá. Passo alguns minutos e encontro um chá de frutas vermelhas, diferente e novo, decido provar. A água já estava aquecendo, então apenas esperei com uma xícara preta em mãos, e um pequeno potinho com o açúcar. A chaleira começa a apitar, e preparo apenas uma xícara de chá, mas por opção ou por dúvida deixo mais uma preparada e tampadinha na mesa.
Subo as escadas com cuidado, sendo desastrada como sou, é bem capaz de cair e me queimar com o fervente chá. Um trovão repentino me assusta, e um pequeno espasmo corre por meu corpo, arrepiando os claros belos do meu braço. Estava focada em não derramar o chão, e adentro o quarto com cautela, mas sinto estar sendo vigiada e apenas tenho a certeza quando ouço Henry.
—Onde estava anjo?- pergunto sonolento e deitado na cama de uma forma atraente; seus brações estavam em volta da sua cabeça e o seu peitoral estava descoberto em partes, já que a coberta apenas cobria sua cintura a baixo. —Estava preparando um chá.- digo colocando o chá na mesinha e deitando na cama. —Eu te acordei?- pergunta com os olhos abertos e atento aos meus movimentos. —Não querido, eu só me assustei com um trovão e acabei levantando para preparar algo relaxante.- digo já embaixo das cobertas. —Ah, achou o chá?- diz me abraçando. —Uhum.- digo um pouco baixo.- Agora eu te pergunto, te acordei? —Não, eu só senti falta do seu corpo ao meu, e despertei.- diz passando as mãos no meu cabelo. —Ah meu deus Henry.- digo carinhosa pela sua última fala. —Você é tudo para mim tá.- diz e no mesmo momento um raio cai iluminando o quarto e clareando o seu olho. —Eu me apaixono todas as vezes que te olho.- digo posicionando minha perna em sua. —Quer assistir algo? Ou prefere voltar a dormir?- ele pergunta alisando minhas costas. —Quero apenas ficar quietinha com você.- digo deitando em seu peito.
Estávamos em silêncio, ouvindo a chuva que caía fortemente na casa, a vidraça no teto dava a clara visão do céu nesse momento. Estava nublado e escuro, com gotas pesadas de chuva que batiam rudemente no vidro, o som da chuva não era ruim, mas relaxante. Henry estava passando as mãos por meu corpo, com calma, massageando cada parte como se precisasse cuidar de mim.
—Posso te perguntar algo?- falo alto para que ele ouça, naquele momento a chuva havia aumentado. —Pode anjo.- diz calmo. —Como o seu pai faleceu?- ele remexe atrás de mim.- Desculpa Henry, fui insensível e curiosa, não precisa me dizer nada. —Está tudo bem anjo, esse assunto é um pouco delicado mas não quero guardar de você.- pausa —Não precisa Henry.- o silêncio pairou por alguns segundos no ambiente até ouvir sua voz novamente. —Meu pai era engenheiro, e recebia inúmeras oportunidades para trabalhar e realizar projetos como casa, prédios, e estúdios. Muitos dos prédios ali do centro ele que construiu. Um dia um empresário italiano contratou meu pai para construir um restaurante junto com um hotel, e meu pai ansioso aceitou, era um dos seus mais novos projetos com ideias novas. Ele sempre visitava as obras, convivia com todos os trabalhadores e quando podia ajudava a fazer massa, levar cimento e escavar o terreno. Ele trabalhava em tudo não gostava de apenas ser "o chefe".- diz a última palavra em aspas.- O projeto estava indo bem, e a construção melhor ainda, mas um dos trabalhadores de meu pai estava tendo problemas com alguns internos, brigando e chegando bêbado para trabalhar, meu pai soube por alguns colegas e quando foi tirar satisfação o homem o xingou e enfrentou, dizendo ser calúnia e inveja pelo bom trabalho que fazia, meu pai não acreditou e o advertiu dizendo ser uma das suas últimas chances de trabalho, porque esse homem já tinha muitas queixas e reclamações vinda dos seus colegas. Meu pai saiu de casa de manhã e dirigiu até o prédio, que até o instante já continha 7 andares, e como era o dia das profissões, minha escola autorizava a gente ir com os pais para o serviço, e naquele dia eu fui junto.- ouço ele suspirar e algo molhado caia sobre meu rosto. —Meu amor, não preciso continuar se doer contar, eu não quero te ver triste por uma estúpida curiosidade minha.- digo sentando em seu colo e com as mãos em cada lado do seu rosto.- Se te faz mal lembrar, não fale tá.- digo beijando sua bochecha e sentindo o gosto levemente salgado de sua lágrimas que caiam de seus olhos. —Está tudo bem anjo.- diz com os olhos marejados.- Eu continuo, dói mas eu consigo, preciso lembrar. - assinto com a cabeça.- Estávamos feliz, eu e ele fomos o caminho todo conversando e rindo. Assim que chegamos no terreno, todos os funcionários já estavam lá, então cumprimentamos todos e cada um deles disse que eu era a sua cópia, eu ria e adorava esse elogios.- ele termina de falar com um sorriso bobo com a lembrança.- Meu pai colocou o chapéu amarelo para trabalhar e saiu me dizendo para estar e ficar com os funcionários enquanto verificava a estrutura do prédio, naquele momento um aperto no meu peito falou alto, e eu corri para abraçar meu pai, sentindo como se fosse a última vez, ele beija meu cabelo e manda eu voltar para os funcionários. Estava entretido nas suas conversas quando apenas escutamos um estrondo e quando levantamos o olhar o prédio inacabado estava despencando, e infelizmente ele estava dentro.- ele para e eu fico horrorizada, como o pai dele teve uma morte cruel e brutal.- Eu chorei e corri para tentar salvar meu pai, porém os colegas dele me segurarem por que o prédio ainda estava caindo.- nesse momento eu já estou chorando quieta, pela dor e perda cruel que meu Henry sofreu na infância.- Eu chorei por dias e dias, eu perdi meu pai e ainda vi tudo ocorrer, eu pude ouvir seus graves gritos quando o prédio estava caindo. Minha mãe ficou arrasada, e ainda está arrasada, sua morte saiu em jornais, por ser um bom engenheiro todos os conheciam; seu corpo foi difícil de ser achado pelos destroços do prédio, mas foi achado e estava destroçado. O velório tivemos que fazer com o caixão fechado, eu não pude olhá-lo e me despedir.- diz beijando a minha mão que nesse momento acariciava a sua bochecha transmitindo o maior apoio que posso.- Meses se passaram e a dor junto da notícia ainda estavam recentes, e para saber se realmente era um acidente, a perícia policial investigou o terreno, e conformou ser uma morte acidental, parece que uma das colunas centrais estava mal feita justamente no seu andar, e acabou não aguentando todo o peso dos andares superiores desabando. E assim meu pai morreu. —Paixão, me perdoa.- digo com lágrimas caindo do meu rosto. —Anjo você não fez nada, não se culpe, já passou, eu falei porque precisava.- diz abraçando meu corpo, que estava em seu colo. —Eu não deveria ter te perguntado, sua dor é grande e eu apenas fiz você relembrar.- digo triste. —Eu não lembro de sua morte com raiva ou luto, dói lembrar do meu pai como o homem que ele foi, e que seu sonho se tornou sua ruína, isso que dói.- diz colando nossas testas. —Eu não sou boa com conselhos e também não há nada que eu tente falar que possa amenizar sua dor, mas eu estou aqui tá, quando estiver mal ou triste por isso fala comigo tá.- digo com os olhos fechados. —Está bem anjo.- diz me abraçando.
Após a nossa conversa, passamos o resto da noite abraçados e com carícias, eu queria tentar apoiá-lo, tirar a dor que ele sentia, mas eu não conseguia, e o modo mais visível que pude ver de tentar realizar era dando carinho.
Eu não imaginava que seu pai havia morrido daquele jeito, confesso que quando ele me contou toda a história eu estava arrasada, sentia como se fosse e tivesse acontecido comigo. Esse homem sofreu tanto quando criança, tendo que cuidar dos seus irmãos, agir como um adulto e responsável para criar seus novos irmãos, chorar escondido para não demostrar a dor que sentia, tendo que crescer sem o cuidado da mãe, que infelizmente sofria assim como o filho.
Henry, eu me apaixonei por você ser o homem mais perfeito que eu conheci, e agora sei o porquê, alguém que sofreu tanto, que sacrificou seus desejos pelos de outrem, merece amor e carinho, e ainda bem que sou eu a pessoa que posso dar esse amor a ele. Eu quero estar do seu lado quando sofrer, ou quando chorar, sentir suas lágrimas e estar com ele para abraçá-lo tentando amenizar a sua dor.
Eu não conseguia parar de pensar em tudo que talvez ele possa ter passado e não me conta, e não precisa, eu sei o quanto deve doer perder ambos os pais, já que sua mãe passou anos trancada em quarto, pelo que já havia me falado. Eu não conseguiria enfrentar tudo com coragem, eu talvez desabaria e me fecharia. Imagina crescer sem a figura paterna, passar anos sendo a figura paterna para outros, criando maturidade cedo.
Esse homem é um exemplo, cresceu sem o pai e se tornou um dos mais admiráveis homem que pude conhecer, alguém de sucesso e que corre atrás do que quer, sem medo ou receio. Eu estava em boas mãos, alguém que vai me amar, cuidar de mim e tentar me ver feliz, era assim que eu sentia quando olhava para Henry.
Na manhã
Henry e eu estávamos nos arrumando para ir a empresa, o dia estava mais tranquilo, ainda garoava, mas a claridade do dia era mais visível. Eu apenas dormi quando Henry me abraçou e beijou meu cabelo, me aconchegando em seu corpo.
Minha roupa estava linda, eu me sentia feliz, mais do que já havia sentido, estar ao seu lado me trazia uma enorme montanha de sentimentos, os melhores.
Tomamos um café rápido com beijos e olhares vibrantes, eu não conseguia manter meu olhar em outro lugar a não ser nele. Ele estava lindo com seu terno azul-escuro, e com o brilhantes broche que simbolizava nosso namoro, essa broche roubava minha atenção e meu sorriso, olhar para ele me lembrava da nossa noite, no dia em que me pediu em namoro.
Ele mesmo afirmou que não saia de casa sem o broche, diz que sentia algo faltando ou uma parte do seu visual estava faltando. Senti orgulho quando disse isso, era como se ele quisesse mostrar para todos que era meu, mas de um jeito que apenas nos sabemos, mas independente esbanjando os seus sentimentos.
—Colocou o cinto meu amor?- pergunto para ele. —Meu amor hã?- diz todo sorridente,. —Uhum, meu amor .- termino de falar e beijo sua boca com rapidez. —Ai mulher, como tu é perfeita.- diz colocando o cinto todo bobinho.
Nossas manhãs juntas eram todas especiais e únicas, como se estar no iniciar do meu dia ao seu lado preaquecia meu coração, preparando-me para um dia bom.
—Vamos anjo.- afirma ligando o carro. —Vamo bora.- digo animada. —Ai está a minha mulher do campo, falou igualzinho.- diz enquanto manobra o carro. —Talvez porque eu sou do campo bobinho.- digo dando um leve beijo nas suas bochechas.
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