Capítulo 7 _ Dúvidas

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Eu tremia de nervoso e medo, o meu coração batia a um ritmo desgoverno, era hoje que haveria de confirmar as minhas suspeitas e até então o Jorge não me ligava de volta. Passou uns minutos e depois de olhar para as duas barras azuis que demonstrava o teste nas minhas mãos o meu mundo caiu. Sentei no chão do quarto de banho e chorei. Chorei de raiva e principalmente de arrendamento, estava com vergonha de mim mesma pela minha burrice aguda.

— Amari! Filha você está bem? — minha mãe pergunta do outro lado da porta com a voz falha.

Agradeci mentalmente por ter trancado a porta após ter entrado no quarto de banho.

— Estou sim mamã — Enxugo as lágrimas e jogo o teste no balde de lixo.

— De certeza querida? Não precisas de nada?

— Estou bem, são só as cólicas — falo depois de abrir a porta e dar de caras com ela preocupada.

Ela estava vestia uma camisa enorme e tinha duas bailundas enfeitando o seu cabelo, que terminaram bem no seu colo onde segurava uma caixa de cartão toda preta.

— Você ainda chora pelas cólicas? — ela ri — pensei que já tinhas deixado essa fase, vem aqui.

Ela pega no meu braço e puxa-me até o meu quarto, pousa a caixa na cómoda e mexe nas minhas gavetas, tira de lá roupas de frio e começa a vestir-mas por cima das roupas que já tinha no corpo.

— Para quê tudo isso? A mamã sabe que eu não estou doente não é?

— Eu sei querida, mas não vou deixar que passes mal por uma simples cólica.

Ela sai do quarto e logo depois volta com sandes e café com leite. Amo café com leite, é um equilíbrio majestoso entre doce e amargo. Deitou-se do meu lado e se pôs de baixo dos cobertores junto comigo. Pensei que todos já tivessem dormido, mas enganei-me, a minha mãe parece bem desperta.

— A mamã vai dormir aqui? — perguntei enquanto bebericava da chávena que ela me deu.

— Vou sim querida, o teu pai está no escritório ainda, provavelmente vai virar a noite lá. Então vou dormir aqui com você — ela dá-me um beijo da testa e continua — afinal sou tua mãe e amiga. Somos amigas, não é?

— Claro, mãe, somos amigas — respondi sem jeito, amigas não deviam esconder segredos uma das outras, eu contava tudo para a minha mãe, tudo exceto isso.

— Eu não tive amigas de onde vim. Demorou meses para as pessoas daqui olharem-me bem até a sua tia Kénia não gostava de mim no início e eu sempre quis ter uma filha para provar para a minha mãe que eu seria melhor mãe que ela. Por isso é muito importante a confiança que tens em mim, podes contar-me tudo.

Ela olhou para mim com os olhos cintilantes e cansados, na verdade, estava mais cansada que o habitual, a sua voz transmitia isso. Não sei como era a relação da minha mãe com a sua família, mas sei que ela tentava a todo custo preservar os laços que tem connosco. A minha mãe era bem melosa comigo. Nunca contava tudo sobre as suas origens, ela deixava espaços em branco nas histórias sobre a sua família, mas pela forma que sempre se referia a minha avó de certeza que não eram melhores amigas. Ela contava várias histórias da família Eno, principalmente das coisas místicas que ocorriam na sua linhagem. A minha mãe parecia que bebeu do poso da juventude, tinha 28 anos, mas parecia que ainda não saiu da puberdade.

— Mãe como foi o período da sua gravidez? O pai ficou feliz quando descobriu que estavas grávida de nós?

— Para ser sincera, foi o mais difícil da minha vida, afastei-me da minha família, saí da minha província natal e tive que me integrar aqui em Luanda. O seu pai foi o maior apoio que tive em toda a minha vida, por isso o amo tanto. Não é fácil ter uma gravidez na adolescia, mas assim que vocês nasceram tudo mudou e a minha vida começou a melhorar — ela acaricia o meu rosto e leva algumas tranças atrás da minha orelha — um dia quando fores mãe saberás qual é a sensação.

Entre irmãos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora