Era noite de sábado, um dia após a festa na casa do Cairo, estavamos todos reunidos a mesa para o jantar, Cairo estava connosco, havia o convidado e ele ficou muito feliz com isso embora tivesse achado estranho depois da minha saída repentina na noite anterior.
O meu pai acabou de sentar-se a mesa e a tia kenia serviu o jantar. Comemos em um silêncio agravel ouvindo o som proveniente da televisão que propagava da sala de estar até a de jantar. Durante todo o jantar Aires ficou numa troca de olhares com o Cairo e eu só os apreciava. Meu pai parecia tenso, ele está sempre assim ultimamente, com os músculos contraindo involuntáriamente.
Desde que voltara para nós que nunca mais tivemos o vislumbre do senhor Kenai de antes, está quase sempre recluso, evasivo e curto em suas palavras, parece até que estamos a viver a época do luto da nossa mãe e isso me deixa preocupada, pois ele não fala sobre o que lhe aflinge.
— Hey — cochichou o Cairo para mim assim que o jantar terminou — o que o teu irmão tem contra mim?
— Que eu saiba nada. — falei no mesmo tom raso que ele.
— Ele está a me olhar de um jeito estranho, sei que nunca falamos direito, mas está a exagerar.
— Não ligues para isso, assim só quer estudar Você.
— E há necessidade?
— Amari! — meu pai chamou após a mesa do jantar ter sido retirada, fui até ele e o Cairo veio junto. Nos reunimos na sala de estar e o clima começava a pesar, começou uma troca de olhares meio tensa. Eu conseguia sentir o desconforto do Cairo — Cairo senta-te por favor — disse o meu pai. — vou fazer-lhe algumas perguntas, não se importa?
Cairo olhou para mim, enquanto sentava, como se pedisse permissão para algo, eu sorri para ele e de seguida assentiu para o meu pai.
— Claro senhor, Kenai.
Todos nos sentamos também, eu e o Aires estavamos no sofá a frente do Cairo, apenas observando, e o meu pai sentava sozinho em outro mais afastado. Enquanto que minha tia se manteve em pé ao lado de onde meu pai sentava.
— Bom, quantos anos tens? - começou o meu pai com o seu questionário.
— 19 senhor.
- Só! - Aires deixa escapar sua surpressa e eu bato na sua nuca.
- Não interrompa criatura - murmuro só para ele ouvir.
— fala-me da tua família.
— Eu sou adotado - Cairo prosseguiu ignorando a constatação do inconveniente do meu irmão - tenho uma irmã de 8 anos. Chama-se Waldíkia, e um de 20 anos, o Iram. Minha mãe chama-se Mariana. E somos só nós.
— Como foi a tua infância?
— Não lembro bem - Cairo estava hesitante, sempre alternando o olhar entre meu pai e eu. Meu pai estava a ser directo demais e até a mim incomodava - mas... - continuou ele - a adolescência foi dura, porém proveitosa. Não tenho arrependimenos.
— O mais importante - relutante meu pai tira do bolso um colar -reconheces isso? — ele mostra para o Cairo a pedra Lunar do Aires que eu encontrei dias antes — fiquei a saber que tens uma igual, posso ver?
Cairo tira o cordão onde estava pendurado a pedra dele, é uma corrente diferente da vez passada, ele devia ter trocado a corda porque estava sempre a seder. As pedras eram idênticas, ambas tinham uma letras A anexado nelas.
— Eu não estou a enteder senhor kenai, o que isso quer dizer? - ele olha para mim com a testa enrrugada buscando respostas no meu olhar ou expressão - não lembro quem me deu essa pedra, minha mãe disse que estava com ela quando fui encontrado, mas deve ser bem comum pelos vistos.
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Entre irmãos
Misteri / ThrillerAmari, Aires e Amir, os trigémeos da família Ngola, sempre tiveram conectados pela dor. Após a morte da mãe, do aprisionamento do pai e do incidente em que perderam o irmão, Amari e Aires mudaram-se para a casa da tia e acabaram por perder parte da...
