CAPÍTULO 8 - Os 5 V's.

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O Rio estava perto, eu sabia disso. Eu o perseguía pelo seu som mata a dentro. Uma cachoeira se manifestou sob minha visão. Foi quando ouvi um barulho plantas sendo arrastadas. Me escondi atrás de um tronco para observar, me agachei devagar. O que vi, me deixou aterrorizado. Uma enorme serpente atravessava a trilha que eu cruzara minutos antes. Tinha um tom de verde musgo e a estampa de sua pele possuía olhos viperinos. Os olhos mudavam de cor, vermelho, laranja e amarelo. Eles piscavam e giravam na órbita, observando a mata ao redor. Então senti algo pingar sobre mim. Lentamente, levantei meu olhar, mas só a tempo de ver uma enorme mandíbula escancarada em minha direção. A criatura deu o bote e eu acordei.

***
Eu me acordei suando muito. Ainda estava cansado, passara a noite ensaiando para o show beneficente. Mais um dia perdido de aula. O celular vibrava em cima do criado mudo. Estava cheio de mensagens de Celina no grupo sobre a organização do show beneficente. Eu ainda estava lendo as mensagens, quando ela me ligou.

- Alô? - Atendi.

- Gaspar, a Luxúria dormiu aí? Ela foi pra aula ontem, voltou em casa, saiu e não falou nada.

Aquilo estava realmente esquisito...

- Na verdade não Celina. Sério que ela não deixou nenhuma pista? Luxúria não ir a aula é comum, mas sumir de casa? Ela deve ter dito algo pra alguém.

- Não, ela não disse. Mas vou entrar no quarto dela e tentar descobrir alguma coisa. - E desligou.

Luxúria sumiu a quase 24 horas. Na melhor das hipóteses, ela estava querendo ficar sozinha. Na pior... ela estava aprontando algo. O corpo do rapaz morto encontrado no meu jardim me veio a mente. Queria acreditar que Lux não tivesse nada a ver com aquelas mortes. Mas não conseguia deixar de suspeitar. Após um bom banho e trocar de roupa, arrumei minha mochila. Celina me ligou novamente minutos depois. A mesma disse que encontrou um enorme mapa aberto sob a cama de Luxúria, o mapa da cidade. Ela pediu ajuda dos rapazes e abriram usando a parede de apoio, então tirou uma foto e me enviou. "Vou procura-la", Eu disse. Antes de desligar, ela disse para me esforçar, pois o show começaria as 19hrs. Eram 10 horas da manhã. Eu tinha 9 horas para encontrar Luxúria, me preparar para o show e enfim, desvendar se ela era culpada de algo ou não.

***

O mapa mostrava que Luxúria marcou lugares com tachinhas. O primeiro lugar que ela marcou,da esquerda para a direita, era a delegacia. O que era justificável, já que Orfeus estava preso. Mas o segundo ponto, a 2 palmos de distância do primeiro, levava para a Biblioteca Pública De Vagevuur. Então apanhei minha bicicleta e pedalei para lá.
A Biblioteca Pública De Vagevuur, era uma enorme estrutura cinza de vidros escuros. Possuía um estacionamento ante sua entrada, onde tranquei minha bicicleta. Não era um estacionamento grande, já que poucas pessoas iam ali. Normalmente, quem ia ali ou eram pesquisadores ou eram estudantes de faculdade em busca de algo para agregar em seus TCC.
Fazia bastante tempo que eu não naquele lugar. Ele tinha uma aparência ligeiramente fúnebre a quem o olhava de fora. Lembro de uma vez, quando tinha 11 anos, de perguntar a Bibliotecária do porque as janelas serem tão escuras. Ela me respondeu: "Imagine que a Biblioteca é uma enorme cabeça. E essa cabeça sempre está de olhos fechados. O conhecimento são mistérios da alma. Aqui contém almas de muitas pessoas. Contém segredos a serem descobertos. Dizem por aí, que os olhos são os espelhos da alma. Tem que ser ousado para entrar nesta cabeça. E aí sim, só assim, poderão desfrutar de seus mistérios".
Subi os pequenos degraus que me levavam as portas giratórias e a atravessei. Não mudara nada desde minha infância. Apesar de janelas escuras, era iluminado ali dentro. O gabinete da Bibliotecária ficava a direita, a 3 metros da entrada. Porém agora, era uma nova Bibliotecária. Nova apenas no título. Sempre achei cômico do porque Bibliotecárias sempre serem senhoras. Ela veio em minha direção. Tinha o corte de cabelo Chanel, num tom de cinza. Usava óculos de lentes redondas e blusa social branca, com saia justa que ia até seus  joelhos. Seu andado era pé ante pé, com o eco feito por seus saltos scarpãs baixos e agulhas.

VAGEVUURHistórias para pegar e não largar. Descubra agora