Aquela boca enorme desceu sobre ela antes que eu chegasse, mas foi o tempo que precisei para fazer alguma coisa. A espada de cristal divino se revelou em minhas mãos, junto a um enorme par de asas com penas de prata afiadas. O poder descomunal de Creaturae se expandiu como uma longa lâmina de energia, descendo sobre o pescoço da enorme cobra e o decepando. As milhares de almas que o formava subiram aos céus em forma de um vapor azul, após centenas de anos pagando seus pecados como uma enorme besta. Luxúria despencou, porém alcei vôo a tempo para alcança-la. Eu a coloquei carinhosamente no chão. Luxúria estava inconsciente. Minhas asas sumiram junto da espada como partículas de energia dourada. Tentei sentir o pulso de Luxúria, mas não pulsava. Não tinha sinal de batimento cardíaco no peito e nem no pescoço.
- Lux. - Chamei, dando tapinhas no seu rosto. Ela estava fria...
"Lux"
Chamei mais uma vez. Um sereno fino começou a cair dentro da mata. Ela estava perdendo sua cor.
"Lux..."
Eu a abracei contra meu corpo. Deixei chover, deixei meu peito despejar sua dor. Eu olhei para o céu.
"LUXÚRIA!"
Gritei, a espera que qualquer entidade me ouvisse e a trouxesse de volta para mim. A dor era real. Massacrava meu peito e minha mente. Eu sentia tudo por dentro se partir. Deitei o corpo dela no chão novamente e corri para a árvore mais próxima. Ódio me consumiu, a dor interna entorpecia meus músculos. Soquei a madeira até que meu punho sangrasse.
- Gaspar, para. - Jarod falou, segurando em meu ombro. Eu girei e o soquei o rosto.
- SEU HUMANO FRACO E IDIOTA! DISSE QUE A AMAVA E A DEIXOU SER ENGOLIDA POR AQUELA COISA. EU ODEIO VOCÊ!
Ele devolveu o soco, foi certeiro no queixo e o outro foi na barriga.
- BATE MAIS! - Gritei para ele. Ele girou um chute na minha costela. Uma onda de energia lançou nós dois em direção opostas.
- Parem já com essa palhaçada! - Ayleen falou. - Matar um ao outro não vai trazer a Lux de volta.
Zirconia se aproximou de Lux. Ela chorava em silêncio, até que fez uma expressão como se lembrasse de alguma coisa. Zirconia conjurou uma adaga e fez um corte na palma de sua mão. Com o sangue, ela desenhou um círculo na testa de Lux. Com os polegares, ela passou o líquido pelas pálpebras, centro do nariz, meio dos lábios e ponta do queixo.
Eu não conseguia me conformar. Lux sofreu tanto e findou dessa maneira. Eu não conseguia imaginar um mundo sem Luxúria Vest. Um mundo sem suas implicâncias, suas piadas sarcásticas ou seu pavio curto. Com seus momentos fofos e carinhosos. Sem suas roupas pretas e conceituais. Sem seu sorriso perfeito de dentes quadrados, brancos e alinhados. Sem seus olhos cinzas de fundo azulado. Sem seus beijos com batom vermelho marsala vibrante. Um mundo sem Luxúria Vest, é um mundo triste. Um mundo sem Luxúria Vest, é um lugar que eu não quero existir. Um mundo sem Luxúria Vest, é um mundo que não existe.
Eu me aproximei de Lux e me ajoelhei ao seu lado. Zirconia olhou para mim e então para trás de mim, onde Orfs se aproximou e sentou ao meu lado. Eu o abracei, abracei apertado e me deixei desabar. Eu não estava com raiva de Jarod ou de ninguém. Eu estava com raiva de mim. Orfs chorava também em meu abraço, mas também poderia ser a chuva. Eu me voltei novamente para Lux, e cantei baixinho:
I want you to know that I'm never leaving
'Cause I'm Mr. Snow till death we'll be freezing
Yeah, you are my home, my home for all seasons
So come on, let's go...
Eu quero que você saiba que eu nunca vou te deixar
Porque eu sou o Sr. Neve até que a morte nos congele
Sim, você é minha casa, minha casa por todas estações
Então vamos, vamos lá...
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VAGEVUUR
Fantasy"Ela me transmitia uma sensação estranha, de sabedoria e amargura. Era fatal, quase não precisava falar, seu olhar transparecia. Tinha olhos hipnóticos, ligeiramente diabólicos. E eu via que ela não esperava nada de nada e nem de ninguém. Era absolu...
