- Você vai me matar, Vest? - Marriet desafiou. - Quero ver você tentar.
Lux desapareceu e reapareceu diante dos seus olhos. Ela curvou a espada cristalina e decepou o antebraço esquerdo de Marriet. Ele gritou de dor e recuou para trás, para além dos guardas. A Mula se ergueu novamente do chão, ela se sacudiu e então travou em estática quando mirou o padre próximo aos soldados. Luxúria encarou aquela cena por um momento. Tempo o suficiente para eu avançar e desarmá-la.
- ME DEVOLVE ISSO GASPAR! - Ela berrou.
- Você não é uma assassina! - Retruquei, bem a tempo, pois a mula estocou para frente lançando chamas para todo lado. Luxúria se recompôs a tempo e saltou sobre ela, montando em suas costas. A mesma conjurou uma adaga e cravou nas costas da criatura.
- ISSO TUDO TAMBÉM É SUA CULPA! - Ela afundou a lâmina até o cabo, o bicho urrou. As labaredas da Mula foram lançadas ao alto e então circundou ambas. Luxúria sumiu com a criatura, e tudo o que ficou a vista foi uma esfera de chamas.
***
"Antes que você me mate, entenda meus motivos".
Ouvi uma voz feminina falar, ela ecoava pela imensidão quente e alaranjada. Não sabia para onde aquela criatura havia me levado, mas não era nada familiar. Minha adaga havia evaporado. Em meio as chamas, uma porta surgiu. Na verdade, duas portas, e essas sim, me pareciam bem familiares. Eram os portais da igreja...
"Era uma vez, uma jovem moça que tinha o sonho de ser Freira, de servir ao seu Deus e ao seu povo."
Eu ouvi a voz dizer. Ela ecoava por toda parte. Os portais se abriram e deram no meio da igreja, mas parecia uma arquitetura mais antiga. Bem mais antiga para ser exata. Freiras se ajoelhavam mais a frente, orando a imagens.
"Eu era jovem e cheia de energia. Nunca havia conhecido o meu pai, e minha mãe havia definhado de melancolia. Eu lembro que, as freiras diziam que havia um Pai, que jamais me abandonaria. Que ele estava em algum lugar, lá em cima, entre as nuvens, a olhar por mim. E meus sentimentos se apegavam a essa imagem. A imagem de um Deus bondoso, que não me abandonaria. Que me amava intencionalmente, mesmo quando até meu próprio pai, me rejeitara".
- Muito bem irmã Madeleine. - Disse uma freira anciã, para a mais jovem delas. Uma bela moça de cabelos negros e ondulados, com os olhos moldados num azul vivo.
"Tudo o que eu sabia sobre mim, é que viera muito pequena de Paris. Minha mãe chegou ao Brasil, fugindo de Portuguêses. A teoria que tinham sobre isso, é que ela estava fugindo de alguma dívida deixada pelo meu pai. E então ela decidiu se reinventar naquela cidade de fugitivos da coroa, conhecida como Vagevuur".
- Olha, quem temos hoje aqui. - Uma voz masculina se pronunciou, uma voz que reconheci na hora, era o Padre da cidade. - Trouxeram a pequena para orar conosco?
- Sim, Padre Elbe. Madeleine tem se esforçado muito em seus terços, até já decorou algumas passagens do livro sagrado, como o livro de Thiago. - Respondeu a freira. Ele fitou a menina e então questionou:
- Thiago 1:5?
- "E se algum de vós sente falta de sabedoria, que peça a Deus, que a todos dá liberalmente". - Ela respondeu.
VOCÊ ESTÁ LENDO
VAGEVUUR
Fantasy"Ela me transmitia uma sensação estranha, de sabedoria e amargura. Era fatal, quase não precisava falar, seu olhar transparecia. Tinha olhos hipnóticos, ligeiramente diabólicos. E eu via que ela não esperava nada de nada e nem de ninguém. Era absolu...
