CAPÍTULO 10 - O Caminho Da Serpente.

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O impacto nos fez afundar quase 3 metros e então nossos corpos emergiram.

- Lux?! - Ouvi Gaspar. Me aproximei dele enquanto nadava. De repente, ouvi uma voz melódica. Quando já estava chegando ao encontro dele, algo o puxou para baixo. Eu mergulhei a tempo de ver uma calda de peixe pelos reflexos da lua no oceano escuro. Estava o puxando muito depressa. Comecei a me desesperar, eu perderia o Gaspar... Meu peito começou a doer pela falta de oxigênio, tive que voltar para cima. Senti uma vibração no fundo. Uma luz submarina surgiu abaixo de mim, causando uma onda que me arremessou em terra firme. Eu comecei a tossir e a cuspir água salgada. Olhei para o oceano e Gaspar saía dele se arrastando e tentando recuperar o fôlego. Corri para ele e o afastei das águas. Seu olhar estava longínquo. Ele acariciava meu rosto enquanto estava deitado em meu colo.

- Achei que eu fosse perder você... - Falei para ele enquanto lágrimas escorriam em meu rosto, ou seria a água em meus cabelos?

- Lux? - Ele chamou. Eu olhei em seus olhos.

- Sim?

- Eu te amo. - Ele respondeu. Eu sorri.

- Também te amo.

Orfeus costumava me dizer, que tudo surgiu do caos. O caos era a soma das energias destrutivas que formavam uma criativa. Eu pude compreender o big bang, através dos olhos de Gaspar. E finalmente entendi o conceito de paraíso, quando ele enfim me beijou.

***

Era madrugada quando chegamos a Bloody Mary. As luzes estavam apagada. Cruzamos a cidade sem cortar caminho, pelos lugares mais distantes, porém mais seguros. Pensei em perguntar ao Gaspar, como ele se livrara daquela coisa, mas já tivemos um dia cheio. Era estranho não ter nenhuma tropa na frente de casa. Era mais estranho ainda aquele ar triste ao redor dela. O céu estava sem estrelas. Quando adentramos, ouvimos um barulho vindo da sala. O pessoal estava sentado por todo lugar, formando um círculo no chão. Tha Nana estava alí, Orfeus veio ao nosso encontro.

- Graças a Deusa, vocês estão bem. - Orfeus falou. Olhei dele para Tha Nana.

- Tha Nana, o que houve? - Perguntei.

- Destruíram tudo... os homens de branco. - Ela dizia com um ar triste. - Estavam armados. Vieram de fora da cidade. Eles não vieram procurando um assassino. Vieram procurando algo para matar. Mataram meu neto recém casado. Mataram a esposa grávida. Vagevuur não é mais segura...

Eu fui até ela e a abracei. Ela escondeu o rosto em meu peito. Eu tentei sorrir.

- Isso vai doer mais em mim, do que você imagina... - Eu disse. Desenhei uma estrela imaginária no topo de sua cabeça. - Reprogramar.

Senti o corpo de Tha Nana relaxar e então ela olhar ao redor.

- O que houve? - Ela perguntou.

- Estávamos contando histórias de terror e você acabou adormecendo. - Falei. - Porque não vai ao seu quarto? Parece cansada, precisa descansar.

Orfs a acompanhou até o quarto que ficava ao seguir do corredor.

- Porque apagou a memória dela? - Ayleen estava ali, ela me fitava.

- Algumas coisas são melhores quando se esquece delas. - Respondi. - O que ela dizia antes de chegarmos?

- Ela disse que precisamos ir ao Conselho. No Norte da floresta. Disse que os espíritos ancestrais estão zangados e que alguém está planejando algo muito ruim. - Zirconia respondeu.

- Zirconia, Ayleen, Blue, Distúrbia, Jarod, Gaspar e... - Orfs voltou para  a sala. - Orfeus, vão arrumar suas coisas. Vamos visitar o Conselho.

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