Os 20 dias seguintes foram de muita correria, muito ensaio e estresse. Os ingressos para o show esgotaram em minutos e eu não lembrava mais do trabalho que dava organizar um show desse tamanho. Toda a minha família estava na Califórnia para o show, inclusive Jamia com as crianças. Eu estava explodindo de nervosismo e não conseguia nem processar direito tudo que estava acontecendo. Testamos o som, o efeito da cortina caindo e a iluminação diversas vezes. Meu pai deve ter visto uns 3 shows testes antes do show de verdade. Nós descobrimos que vários fãs estavam combinando de passar a noite na fila para pegar um bom lugar no show e decidimos fazer cobertores personalizados para eles. Mas eu e Gerard estávamos muito cansados e fomos mais cedo embora, então Mikey e Ray distribuíram os cobertores, o que gerou muita alegria nos fãs. Ray deu cobertor até para um cachorro que estava lá, assim como eu faria.
Finalmente chegou o dia do show. Eu não lembrava de ficar tão nervoso pra um show desde o dia em que tocamos com o Brian May! Gerard veio me abraçar no camarim, ele também estava nervoso.
— Eu preciso te pedir uma coisa. - Eu falei com o rosto no seu pescoço.
— O que? - Ele também não moveu um músculo para falar.
— Durante o show, a gente pode ficar mais distante? É que eu não consigo mais ficar longe de você e eu me empolgo muito no palco, não quero correr o risco de estragar o show do retorno com um beijo nosso. - Me afastei um pouco para falar olhando nos seus olhos.
— Apesar de eu querer começar um drama aqui, eu entendo o que você quer dizer, precisamos separar a banda do nosso relacionamento. - Ele tinha um olhar compreensivo.
— Isso! Até porque eu jamais iria querer esconder, eu te amo! - Eu dei um selinho nele.
— Relaxa, Frankie, eu também te amo. - Ele me abraçou de novo. - Eu tô muito nervoso.
— Eu também, hoje é um dos dias mais felizes na minha vida e, ao mesmo tempo, um dos mais assustadores. - Eu o abracei mais forte.
— Hoje vai ser mágico. - Ele falou sorrindo.
Thursday fez um show memorável. Quando eles acabaram, Tucker veio me dar um abraço.
— O público está on fire! Vocês vão arrasar! - Ele disse sorrindo e me abraçando.
— Obrigado, cara! Eu estou nervoso! - Eu respondi sério.
— Vai dar tudo certo, vocês nasceram pra isso! - Ele deu um soquinho no meu ombro.
Eu fui para a beirada do palco e o roadie me entregou a minha guitarra. Eu olhei pra cima e vi os meus filhos junto com Jamia, Donna e Bandit, todos olhando para o palco ansiosos. O palco foi coberto com uma cortina com a arte principal do retorno da banda. Gerard me chamou e para um abraço coletivo. Nós 4 nos abraçamos, falamos palavras de incentivo e nos demos apoio. Meu coração estava batendo mais forte do que nunca. Subimos no palco. Cada um em sua posição. Gerard olhou para o técnico de som e ele deu play no áudio que era uma mistura de várias frases de clipes. A cada frase, era possível ouvir o público gritando mais e mais. Até que chegou o final do áudio com a fala icônica de Ray no clipe de I'm Not Okay. Os fãs acompanharam a fala toda que diz "You like D&D, Audrey Hepburn, Fangoria, Harry Houdini and croquet. You can't swim, you can't dance, and you don't know karate. Face it, you never gonna make it." E a resposta de Gerard no clipe que é "I don't wanna make it... I just wanna..."
E então nós começamos a tocar, as luzes piscaram e a cortina caiu. Eu estava tão nervoso que eu mal conseguia olhar para o público, eu foquei em tocar as notas de forma correta. Quando chegamos no refrão, eu me deixei levar. Vi aquela multidão de milhares de pessoas cantando a nossa música com todo o coração e eu não conseguia parar de sorrir. Fui me soltando aos poucos ao longo do show, mas me mantive na minha posição original porque estava com medo de chegar perto de Gerard e acabar abraçando ele ou fazendo algo mais intenso. As músicas foram fluindo, Mikey e Ray estavam nas nuvens. Gerard tinha o comando do palco, era o meu Gerard, o Gerard que eu conheci. Ele estava tão pleno, tão entregue. A minha vontade era de largar a guitarra e ficar assistindo ele cantar o show inteiro, mas eu lembrei que também faço parte da banda. No meio de Summertime, ele chegou perto de mim, o que me assustou. Eu fiquei totalmente parado na minha posição e até cheguei a dar um passo pra trás. Ele entendeu o recado e voltou para o meio do palco. Logo em seguida começamos a tocar Prison e nossa amiga Sarah subiu ao palco. Gerard aproveitou a situação para passar a música quase toda do meu lado. Eu achei engraçado porque, em outros tempos, nós já estaríamos nos lambendo e a vontade era real, mas agora as coisas não são mais tão simples assim, então eu continuei no meu lugar para não esbarrar nele. No meio do show, ele começou a gemer em Destroya e eu olhei pra baixo para disfarçar o riso. Em Teenagers eu apontei a guitarra para ele e fingi que era uma arma de brincadeira, ele riu. Perto do fim do show, depois de Famous Last Words, eu olhei pra cima e vi Miles e as gêmeas pendurados na grade do camarote com a Jamia atrás deles, mostrei a língua e todos riram, joguei um beijo e disse que amo eles que gritaram "eu te amo, papai" pra mim. Ao final de Kids From Yesterday, nós saímos do palco e Gerard me deu um selinho escondido.
— Eu te amo. - Ele disse enquanto corria para pegar uma água.
— Eu também te amo, você está perfeito! - Eu respondi correndo enquanto trocava de guitarra.
Enquanto isso, o público não parava de gritar "MCR, MCR!!!" Voltamos para o palco e recomeçamos com Vampire Money. Gerard, como sempre no começo dessa música, me perguntou se eu estava pronto e eu respondi, como sempre também, "eu estou bem, baby". No dia da gravação dessa música, eu estava bêbado e o chamei de baby apenas para provocá-lo. É engraçado que agora esse voltou a ser o nosso apelido carinhoso e não existe mais o tom de provocação. Logo em seguida tocamos Helena e foi insano. Saímos do palco de novo, Gerard me deu mais um selinho e voltamos para tocar Welcome To The Black Parade, Gerard praticamente não cantou a música porque o público cantava mais alto que ele. Eu não conseguia parar de sorrir, eu não poderia querer um retorno tão mágico para a minha banda. Voltamos para agradecer e tirar uma foto com o público.
Logo em seguida haviam vários amigos e o pessoal da produção querendo falar com a gente, mas Gerard foi correndo para o camarim. Eu achei estranho aquele comportamento e fiquei preocupado, mas Brian me parou para elogiar o show, eu dei um abraço nele e fui para o camarim. Chegando lá, vi Gerard mexendo em uma gaveta de uma das penteadeiras que a gente usou.
— Gee, tá tudo bem? - Eu perguntei quando cheguei na porta.
Ele se assustou com a minha voz e deu um pulo. Logo em seguida se virou para mim e escondeu algo em suas costas. Eu achei tudo muito estranho e já passaram várias coisas ruins na minha cabeça.
— Tá sim, Frankie. Eu só vim pegar um negócio aqui. - Ele passou a mão no cabelo para tentar disfarçar.
— Gee, você prometeu que não ia esconder mais nada de mim... - Minha voz era triste porque eu estava decepcionado.
— Eu não estou escondendo nada de você. Quer saber? Eu vou te mostrar agora então já que você é tão curioso e estraga surpresas! Vem aqui! - Ele fez um sinal com o dedo para que eu caminhasse até ele, o seu outro braço continuava escondido em suas costas.
— Surpresa? Que surpresa? - Eu perguntei enquanto caminhava até ele, tentando entender o que estava acontecendo.
— Eu ia esperar até a gente chegar no restaurante com todo o pessoal, mas eu não vejo hora mais perfeita pra fazer isso do que agora... - Ele se ajoelhou.
— Como assim? Gee? Que isso? - Tudo estava acontecendo tão rápido que eu não estava entendo direito.
Então ele ergueu a mão que estava escondida e portava uma pequena caixinha de jóias preta aveludada.
— Frank Anthony Thomas Iero JUNIOR, você aceita passar o resto da sua vida comigo? - Ele abriu a caixa que tinha um par de alianças prata.
— Gee... É CLARO QUE EU ACEITO! - Eu me abaixei para beijá-lo e abraçá-lo.
— MEU DEUS COMO VOCÊS SÃO FOFOS! - Disse MIkey que estava na porta.
— Finalmente, hein. Agora eu quero uma festa! - Respondeu Ray que estava do seu lado.
Nós dois estávamos chorando e abraçados quando olhamos para eles e começamos a rir.
— Eu acho que você pode planejar a festa, Ray. - Disse Gerard levantando e limpando os olhos.
— Um churrasco! Um churrasco seria perfeito! O Ray é o rei do churrasco! - Eu disse empolgado levantando também.
— Tudo que você quiser, baby! - Disse Gerard que me beijou novamente.
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N/A: Foram longos meses até aqui, mas finalmente chegamos ao final desta história.
Eu JAMAIS teria conseguido começar e terminar essa história sem as minhas amigas incríveis: Midi, Beta e Não-Alice (@midimustdie, @lovetodiealone e @NaoAlice). Eu não tenho palavras para agradecer vocês por todo o apoio e dedicação ao longo dessa fic. Eu amo vocês demais!
Quero também agradecer a cada pessoa que tirou um tempinho para ler cada capítulo dessa fic. Foi tudo escrito com muito amor e significou muito pra mim. Espero que vocês tenham gostado de ler tanto quanto eu gostei de escrever.
Obrigada por cada leitura, cada comentário, cada voto, cada like e rt no twitter.
Sexta eu volto pro Epílogo porque ainda não estou pronta para dizer adeus totalmente.
:*
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Broken Clock [FRERARD]
Fiksi PenggemarDepois de muito doer, Frank superou o fim de sua banda mundialmente famosa (e de seu relacionamento conturbado com o vocalista). Vive uma vida tranquila com a sua família, em paz, mas tudo pode mudar quando Ray Toro decide criar um grupo de Whatsapp...
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