Anahí acordou mais cedo naquela manhã. Tinha uma cólica tão dolorosa que parecia estar sendo esmagada de dentro para fora. Depois da gravidez de Manu, a menstruação passou a ser menos tortuosa; no entanto, sem saber o porquê, este ciclo em questão apresentara-se como uma tortura.
Por outro lado, Alfonso repousava tão plenamente que sequer se movia. Tal comportamento despreocupado irritou Anahí, afinal de contas, ele tinha que voltar para casa, devia explicações à esposa ou precisava ir embora dali, assumindo que tudo não passara de uma casualidade irreproduzível.
Antes de acordá-lo, Anahí o observou mais uma vez. Alfonso estava deitado de lado, a mão apoiada sob o rosto, a respiração compassada, tudo tranquilo. Daquela forma, ele ficara ainda mais bonito. Com o coração maleado por aquela visão, Anahí deixou-o dormir mais e acabou pegando no sono também, recostada a ele.
Passados alguns minutos, quem primeiro despertou foi Poncho. Antes de abrir os olhos, ele se deu conta de que estava lado a lado com Anahí. Aspirou o perfume dos cabelos dela e sentiu uma alegria avassaladora. Deixou um sorriso transparecer antes de finalmente abrir os olhos e se deparar com as órbitas azuis de Anahí, fitando-o.
- Quase me assustei! – Brincando, Alfonso comentou.
- Por que eu estava velando o seu sono?
- Eu nem estava mais dormindo... – Pousou a mão sobre o braço dela, acariciando-o. – Estava aproveitando você aqui, tão pertinho. Diga-me que você está livre hoje. Podíamos, sei lá, passar o dia juntos.
- Engraçado. – Desviou o olhar, evitando encará-lo. – Não vi você dar a mínima para o celular em nenhum momento. A Diana não questionou nada sobre você não ter dormido em casa?
- Ela foi para casa dos pais com o Nico e o Dani. Só deve voltar hoje à noite.
- Está vendo? Eu pensei algo totalmente diferente. Estava realmente considerando o que você falou sobre o casamento de vocês estar indo de mal a pior. Achei que ela nem ligasse mais para o que você faz ou deixa de fazer, sei lá.
- É verdade que estamos mal, acredite. No entanto, ainda não falamos nada a respeito de nosso distanciamento. Acho até que ela já desconfia de eu ainda me sentir afetado por você, mas não fala nada.
- Ela é muito perspicaz, percebe-se de longe. – Em um só impulso, Anahí se levantou da cama. – Poncho, acho que esse não é o momento para estendermos a aproximação que tivemos noite passada. Nós dois estamos, de certa forma, comprometidos.
- Você e o Tom?
- Por suposto. Você sabe como me sinto em relação a ele.
- Você morde e assopra sempre. Fico completamente confuso.
- De verdade, obrigada por ter ficado ontem. Eu pedi e você me atendeu. Só não quero estabelecer nada agora, ok? E hoje minha família retorna, mamãe e Mac virão aqui para casa trazer o Manu... precisamos colocar nossas cabeças no lugar, Poncho.
- Entendi o recado. Acha que devemos nos afastar, não é?
- Eu não disse isso. Só que hoje é melhor não passarmos o dia juntos, entendeu? Não quer dizer que vamos ficar afastados, em atrito como antes. Eu só não quero pular etapas, só isso.
- Você tem razão. Desculpa se eu fui além. Vou me arrumar e sair.
Anahí não contestou e deixou o quarto para que Alfonso pudesse se preparar para ir embora. Ela estava confusa pela noite passada; por todas as deliberações que não tomou, mas precisou acatar quanto ao seu relacionamento com Tom. Pouco tempo se passara, mas muito já havia mudado, exceto os sentimentos por ele que ainda perduravam.
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Uma curva no destino (FINALIZADA)
FanfictionCoincidências não existem. Elas são os desígnios do destino sendo cumpridos. O inexorável destino cujo caminho pode ser reto, mas como em toda estrada, as possibilidades de atalho se apresentam. São as curvas que quase sempre se manifestam como esco...
