Capítulo 4 - À primeira vista?

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- Meu Deus, gente, foi tudo lindo! Vocês sentiram isso? O Brasil... Meu Deus, o que dizer do público brasileiro? Eu estou tão feliz!

Anahí estava eufórica. O show havia acabado há poucos minutos e ela não parava de comemorá-lo. Bebia uma garrafinha de água atrás da outra enquanto gesticulava, ria alto e falava, tudo ao mesmo tempo. Não demorou para se trocar, deixando o local em seguida. Em discrição máxima ela foi retirada dali, através da saída mais afastada do público. Guzmán e a equipe de segurança ouviam animados todas as descrições da apresentação que Anahí lhes contava.

Em outros anos, principalmente na época do RBD, Anahí teria vontade de beber pelo menos um drink para comemorar antes de dormir. Mas há algum tempo, a maior comemoração que ela fazia era dormir abraçada a Manu. Após tomar banho e trocar suas roupas, ela deitou ao lado de seu bebê e recostou sua cabeça na dele. O cheirinho que emanava daquelas madeixas loiras era suficiente para fazer a mamãe babona dormir tranquila.

Enquanto Anahí descansava, um homem determinado a encontrá-la estava diante de uma difícil escolha: segundo as inúmeras pesquisas que fizera na internet, ou ela estaria no mesmo hotel que ele, em um dos tantos quartos que ali havia, ou ela estaria em outro hotel, um pouco mais distante. Tom não era muito de acreditar em coincidências, muito menos em planos infalíveis do destino. Ela com certeza não deveria estar no mesmo prédio que ele. Seria fácil encontrá-la e não havia motivos de, pelo menos, não terem se esbarrado.

Tom decidira pegar o elevador e chamar um motorista para levá-lo até o outro hotel em que ela provavelmente estaria hospedada. Não demorou mais que 1 hora até que ele chegasse lá, pois, por sorte, este não era tão longe. Aturdido, ele mal pensara no quão inimaginável era aquilo tudo por uma mulher que ele viu uma vez, e de longe. E se sentia velho demais para tamanha sensação, mas não pôde evitar. Pensou nela diversas vezes antes de uma notícia simplesmente aparecer e revelar a identidade nada reservada dela. Ele definitivamente precisava conhecê-la. E rápido.

Mas ela não estava naquele hotel. Tom praguejou todos os sites e fãs que fizeram comentários errados sobre a localização dela. Talvez devesse tê-la procurado no mesmo hotel em que ele também estava hospedado. Aquela maldita mania de descreditar de tudo!

Perdeu duas horas e quinze minutos indo e voltando ao local errado. Chegou enervado de volta ao hotel em que se hospedou. Quase não tinham funcionários naquele horário, afinal passava pouco das 4 da manhã.

- Ei, ei, você! – Tom tentava chamar atenção de um funcionário uniformizado que estava do lado oposto em que ele estava. O rapaz não parecia entendê-lo, mas fez um gesto perguntando se era com ele. Tom correu para alcançá-lo e perguntou, quase em códigos, onde a cantora Anahí estava. Torceu muito para que aquele rapaz fosse tão fã dela quanto todos os arrebatados que vira na internet. Tom já puxava o celular para usar algum aplicativo de tradução instantânea quando o rapaz disse:

- Eu entendo inglês, senhor. Pode falar.

- Olha, isso vai soar estranho, mas você saberia me dizer se a cantora Anahí está hospedada aqui?

O rapaz fez uma expressão confusa. Um crossover de Lucifer e RBD? Que mente mais insana pensaria em algo tão surreal? ( ͡° ͜ʖ ͡°)

- Eu sei que você está achando estranho, mas nós nos conhecemos. Ela permite que eu vá lá. – Tom deu seu melhor sorriso, ao estilo mais cínico do Lucifer.

- Ela está aqui sim. Ou estava...

- Como assim "estava"?

- Um helicóptero chegou para buscá-la há mais ou menos 10 minutos. Amanhã ela tem um show no Rio. Eu vou, inclusive. – O rapaz não continha a própria empolgação.

- Como eu chego ao heliponto daqui?

Depois de explicar o caminho para o ator, o funcionário do hotel, que diga-se de passagem sempre era muito frequentado por famosos, permitiu-se rir. Digamos que ele já ouvira mentiras melhores que aquela.

- Que diabo mentiroso... E gostoso. – Feito o comentário, o rapaz apenas virou-se e seguiu seu caminho para mais um dia de trabalho.

Enquanto Tom corria pelas escadas de emergência pensou novamente no que estava acontecendo com ele e o porquê daquela mulher tê-lo abalado tanto. Ela era incrivelmente linda, é claro, mas existiam muitas mulheres incrivelmente lindas por aí. Tom era um homem para além de adulto, vinha de dois divórcios, de dois amores e casamentos extremamente contidos, nunca sentira uma explosão de atração tão forte por ninguém antes. Ele já se questionava se era apenas atração mesmo... Amor à primeira vista? Descartou a ideia tão logo a cogitou. Era cético demais para este tipo de coisa.

Quando chegou ao heliponto, o helicóptero já havia decolado. Distante demais para percebê-lo ali, ele nem cogitou balançar os braços ou fazer qualquer gesto para que ela lhe enxergasse. Ela não partiria de manhã? Ainda não eram nem 5 horas!

Lá nas alturas, Anahí questionava o mesmo:

- Ai Camila, não sairíamos de manhã?

- Ué, são quase 5 horas.

- Eu pensei em algo como 8 horas da manhã? E esses pãezinhos de queijo não vão passar minha fome. Quero café da manhã de verdade, Camila!

- Que dramática, Any! Nem parece que pesa 45 quilos.

Anahí continuou faminta e reclamando de tudo até pousarem no Rio de Janeiro. Ela nunca tinha um dos melhores humores pela manhã, a não ser que estivesse apaixonada, o que não era o caso, afinal.

Mas Tom já se questionava sobre paixão à primeira vista. Sim, pois não conseguia explicar para si mesmo o que havia feito com que ele fosse tão longe apenas para se aproximar de Anahí. Pior que isso, como explicar aquela tremenda angústia que sentia por ter falhado em encontrá-la? Enquanto deixava a água morna do chuveiro cair sobre sua cabeça, pensou em como seria a voz dela falando inglês. É, ele não sabia falar espanhol, mas jamais se negaria a aprender se fosse para conversar com ela. De repente, ponderou a respeito do que falaria se conseguisse chegar antes do helicóptero decolar.

"Anahí, eu a vi na CCXP. Corri de um lado para o outro nesta cidade atrás de você, porque... A sua imagem não sai da minha cabeça".

E então ela correria com medo de um stalker sem noção. Mas talvez ela o reconhecesse, não? Ele era o diabo, afinal!

Contrariado e sem alternativa, depois do banho, ainda com a toalha enrolada em si, procurou o iPad e pôs-se a pesquisar sobre ela. Viu entrevistas, shows, as cenas dela em Rebelde; enfatizou suas pesquisas nela falando inglês. Era uma voz tão linda quanto ele imaginava.

Descobriu que ela também era recém divorciada, como ele, e que tinha um filho pequeno. Então, chegou às traumadas. Achou aquele título estranho, visto que percebeu que o significado tinha a ver com "trauma". Com certeza, o ship mais forte com ela era o "Ponny".

- E esses nomes só ficam piores... – Disse Tom para si mesmo à medida que aprofundava as pesquisas.

Chegou a pensar que "Deckstar" tinha a mesma força que "Ponny", mas percebeu que passou longe. As traumadas eram enlouquecidas! Ele já estava quase acreditando naquele turbilhão de teorias e que o tal Alfonso Herrera era, inexoravelmente, o dono do coração de Anahí.

Decidiu comprar passagens para o Rio de Janeiro pela internet, mas recebeu um whatsapp de seu agente de que tinha que voltar à Los Angeles:

"Não sei o que diabos você ainda está fazendo aí, mas volte AMANHÃ. Eu preciso te lembrar dos seus compromissos aqui? Além do mais, esqueceu que precisa passar as festas de fim de ano com suas filhas? Você tem que voltar, Tom. Qual foi? Se apaixonou por uma brasileira? "

Ele pensou em responder: "não, me apaixonei por uma mexicana". Óbvio que desistiu. Enfim comprou as passagens, mas para Los Angeles, como deveria ser. Resolveu acreditar que talvez o Universo se compadecesse dele e promovesse, espontaneamente, um encontro com ela. Algum dia, quem sabe, ele pudesse vê-la.

Uma curva no destino (FINALIZADA)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora