Durante aquela aflição, Alfonso desenvolvera uma idiossincrasia a respeito de sua estadia no hospital. Havia vivenciado, infortunadamente, o esmorecimento pessoal de todo acompanhante que possui um ente querido internado há dias. Ocorre que enquanto o paciente recebe todos os tratamentos possíveis para mitigar suas dores e doenças, o acompanhante procura, em vão, fortalecer-se. Todavia, por mais forte que nossos corpos sejam, ora ou outra nossas mentes sucumbirão. A partir deste instante, o físico torna-se apenas um floreio com tempo estimado para murchar.
Alfonso sentia, em demasiado, cada fragmento de sua pele demonstrar-se fatigante. Tudo lhe parecia pesado, impossível de sustentar. Um cansaço surgido de suas entranhas, uma dormência que repouso algum seria capaz de apartar. Uma exaustão que, ele sabia, provinha de sua mente e não poderia passar senão pela chegada de boas notícias.
Observando fixamente a parede branca à sua frente, Alfonso só foi impelido a notar alguém ao seu lado quando recebeu um toque frugal em seu ombro esquerdo.
- Alfonso.
- Doutor? – Aprumou-se na cadeira, passando a mão no próprio rosto na tentativa de despertar-se completamente. – Alguma notícia?
- Acabamos de realizar o exame de sangue. O resultado deve sair amanhã.
- Só amanhã?
- O CA-125 costuma levar um dia para indicar um resultado.
- Seja sincero, doutor. Existe alguma chance de não ser um tumor maligno?
- Para falar nestes termos, prefiro aguardar o resultado do exame. O que posso lhe dizer é que já estamos cientes de que o tumor é de massa e desenvolveu-se rapidamente, portanto não é pequeno.
- E como ela está agora?
- Não está mal. Amanhã, com o resultado, tomaremos novas deliberações. A dor está controlada, contudo, devo alertá-lo sobre algo.
- O quê?
- Preciso que você entenda que é completamente normal a aparência dela ter se debilitado tão rapidamente. Acontece de um dia para o outro, praticamente no momento em que o sintoma mais forte se manifesta. Diana está com o abdômen dilatado, o corpo está mais magro e as feições do rosto, abatidas. Está um tanto pior do que quando você a trouxe até aqui.
- Só foram dois dias. – Observou, apreensivo com o que encontraria.
- Seja forte, Alfonso. Dedique-se aos seus filhos e principalmente a ela. Diana precisará de você. Aproveite que seus sogros acabaram de chegar e vá para casa, descanse um pouco e fique com os meninos. Quando voltar amanhã, já teremos um resultado. Se Deus quiser, o melhor possível.
Com os lábios contraídos, Alfonso assentiu com a cabeça e despediu-se do médico. Cumprimentou os sogros que vinham em sua direção. Eles estavam consternados, mas não demonstraram odiá-lo como outrora esperou, ao cogitar que Diana contara tudo aos pais sobre a traição que cometera. Em seguida, dirigiu-se até o quarto em que a esposa estava. Abriu a porta cautelosamente, temendo a figura com a qual poderia deparar-se. Devagar, Alfonso ergueu os olhos.
A julgar pelo tamanho da barriga de Diana, qualquer um poderia afirmar que ela estava gestante de 3 meses, no mínimo. Contudo, ao olhar para o restante da estrutura física, sabia-se que não poderia ser nada saudável e capaz de trazer tanta alegria quanto um filho. Havia algo ali, consumindo a vitalidade dela.
- O-oi. – Gaguejou Alfonso ao aproximar-se da cama em que ela estava. – Como está se sentindo?
- Carregando um tijolo dentro da minha barriga. – Os olhos de Diana miravam o teto.
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Uma curva no destino (FINALIZADA)
FanfictionCoincidências não existem. Elas são os desígnios do destino sendo cumpridos. O inexorável destino cujo caminho pode ser reto, mas como em toda estrada, as possibilidades de atalho se apresentam. São as curvas que quase sempre se manifestam como esco...
