Prólogo

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​Desde a infância, fui instruída a jamais curvar-me

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​Desde a infância, fui instruída a jamais curvar-me. Minha bússola moral valorizava a dignidade acima de qualquer título de "poder" ou condição financeira. Orgulhava-me da minha identidade e da minha origem, recusando-me a sentir vergonha do lugar de onde vim.

​Por natureza, eu era reservada e avessa à socialização; não por timidez, mas por uma profunda falta de interesse em conversas triviais. Preferia investir meu tempo em estudos ou treinamento. Essa perspectiva foi abruptamente alterada aos quinze anos, com a perda irreparável dos meus pais em um acidente de carro.

​Eles eram minha fundação, minha inspiração. Após o funeral, recusei gentilmente o auxílio da minha tia, Tsunade — uma figura materna que amo profundamente. Contudo, necessitava de introspecção. Eu já havia aceitado o fato da ausência, mas precisava de tempo para processar o luto e restabelecer minha ordem interna.

​O período de adaptação exigiu duas semanas de afastamento escolar e a imediata procura por emprego. Não podia me permitir o luxo de sucumbir ao luto, mergulhar na depressão ou ser alvo de olhares de piedade. Eu precisava erguer a cabeça, honrando a memória dos meus pais com determinação.

​O retorno ao ambiente escolar confirmou minha suspeita sobre a hipocrisia humana. Indivíduos que jamais haviam trocado uma palavra comigo subitamente se apresentaram para prestar condolências, todos com o mesmo olhar condescendente de pena pela "pobre órfã". Eu desprezava essa demonstração de caridade, sabendo que pelas minhas costas zombavam do meu cabelo incomumente rosa, da marca de nascença na testa, e da minha natureza "estranha".

​Neste cenário de falsidade, destacava-se Naruto Uzumaki. Ele era a única fonte de genuína alegria. Naruto demonstrou empatia e sororidade, jamais pena. Enquanto eu repelia a futilidade e a mesquinhez daquele colégio, ele se tornou a exceção. Após muita persistência, ele conquistou minha confiança, introduzindo-me ao seu círculo. Em pouco tempo, tornamo-nos melhores amigos, quase irmãos.

​No entanto, a felicidade era efêmera. A convivência com o grupo de Naruto — sua namorada Hinata, Ino, Sasuke, Shikamaru, Temari, Tenten e Neji — permitiu-me experimentar a amizade. Embora me sentisse sempre um tanto deslocada, os momentos de cumplicidade e as discussões triviais de casais tinham um significado imenso para mim.

​Quase todos me tratavam como igual. A exceção era Ino. Havia nela um ar de superioridade e um sarcasmo direcionado que me alertava: ela não desejava minha presença. Minha intuição, infelizmente, não falhou.
​A situação deteriorou-se quando Sasuke Uchiha, um dos estudantes mais populares, começou a demonstrar interesse. Inicialmente, achei estranho, dada sua postura reservada e indiferença geral. Resisti, mas suas investidas constantes me fizeram ceder. Talvez tenha sido carência momentânea, ou ingenuidade; a razão exata do meu envolvimento permanece incerta.

​Mantivemos um relacionamento estável até a festa de formatura, onde a verdade foi brutalmente exposta. O envolvimento não passava de uma aposta sórdida, arquitetada por Sasuke, Suigetsu, Deidara, Sasori e outros colegas, e da qual Ino estava plenamente ciente.

​A humilhação foi pública: momentos íntimos exibidos no telão, risos e murmúrios ao meu redor, culminando com Sasuke e Ino se beijando e sorrindo. No entanto, surpreendentemente, não chorei. No íntimo, eu sentia que algo estava errado, mas havia me permitido a ilusão de que alguém me amaria incondicionalmente. Foi um pensamento frustrante e um encerramento amargo para o meu ciclo escolar.

​Decidi partir sem olhar para trás, mas com a cabeça erguida. Naruto e os demais ficaram consternados, tentando desesperadamente se desculpar e jurando ignorância sobre a aposta. Eu acreditei em sua sinceridade; eles eram de fato almas boas, incompatíveis com a crueldade de Ino e Sasuke.

​Apesar da inocência deles, optei pelo afastamento. Não os culpava, mas após a traição, minha vida exigia um foco inegociável em objetivos que considerava mais vitais, e para os quais eu já não tinha margem para distrações.
​Nos dois anos seguintes, dediquei-me exclusivamente a treinos, estudos e trabalho, visando uma vaga na prestigiada Tokyo University. O contato com eles se perdeu totalmente. Sinto curiosidade sobre seus caminhos, mas o presente exige foco. Parte dos meus sonhos se concretizou: obtive a tão desejada bolsa de estudos.

​Contudo, os desafios persistem. Estou desempregada há dois meses, demitida após meu antigo chefe sugerir que minha dignidade fosse o preço de um adiantamento salarial. Estou endividada, mas minha honra vale infinitamente mais que qualquer dívida.
​Saio do turbilhão de pensamentos ao som do despertador.

​— Tsc, ótimo, mais uma noite sem dormir...

𝐔𝐍𝐅𝐎𝐑𝐄𝐒𝐄𝐄𝐍 𝐏𝐀𝐒𝐒𝐈𝐎𝐍, 𝗟𝗲𝘃𝗶𝘀𝗮𝗸𝘂Onde histórias criam vida. Descubra agora