Capítulo 26

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​Eu até queria dizer que tinha tido uma noite de sono tranquila e que o dia seria só mais um, daqueles em que a gente tem que dar um melhor sorriso e fingir que está tudo perfeitamente bem, mesmo sabendo que seria exaustivo

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​Eu até queria dizer que tinha tido uma noite de sono tranquila e que o dia seria só mais um, daqueles em que a gente tem que dar um melhor sorriso e fingir que está tudo perfeitamente bem, mesmo sabendo que seria exaustivo.

​Mas, quem eu estava tentando enganar? Depois do pesadelo e das lembranças terríveis daquele dia, eu simplesmente não consegui pregar os olhos. Olhei meu reflexo no espelho e revirei os olhos: eu estava deprimente, com o cabelo bagunçado e olheiras tão profundas que parecia um panda.

​Às seis da manhã, o celular começou a tocar com aquele alarme irritante. Era a hora de levantar, mas eu já estava de pé há muito mais tempo do que gostaria.

Fui até o banheiro para desligar o alarme e vi algumas mensagens dos meus tios e avós. Eles avisavam sobre a pequena homenagem que fariam aos meus pais naquele dia. Não respondi, claro, e eles sabiam o que isso significava. Faziam dois anos que eu evitava essas homenagens e, consequentemente, o cemitério. Talvez a dor que eu sentia simplesmente não me permitisse ir até lá, não mais.

​Não me sentia mal por isso; eu os amava e os guardava nas melhores lembranças. Ir até lá só me lembrava que eles não estavam mais comigo, e isso doía demais.

​Dei mais uma checada no celular, estranhando a ausência de mensagens do pessoal. Conhecendo meus amigos, provavelmente não queriam tocar no assunto e pediram o mesmo aos outros.
​Exausta, arrastei-me para o banho e decidi ir para a faculdade. Eu não ia parar minha vida por causa daquela data. Estava tentando mudar. Papai e mamãe não gostariam que eu voltasse àquela rotina pesada de sofrimento sempre que o dia chegasse. Aoda estava ali na frente do box, me observando como se pudesse entender. Foi reconfortante; Aoda foi o melhor presente que ganhei este ano, logo depois daquela turma maravilhosa.

​Vesti minhas roupas casuais de sempre e senti um pinguinho de ânimo, por menor que fosse. Estava saindo do fundo do poço, e reconhecia que isso era muito bom. Os sentimentos ruins sobre o dia ainda estavam ali, mas os momentos bons e as boas memórias dos meus pais eram o que realmente importavam. Eu viveria por eles e tentaria ser feliz ao máximo.

​Com esse pensamento, fiz um último carinho em Aoda antes de engolir o pedaço de pão que preparei, peguei a moto na garagem e segui para o meu destino diário. O vento no rosto era reconfortante. Eram vinte para as sete, eu estava mais adiantada do que o normal — culpa da insônia, talvez.

​Entrei pelos portões da faculdade e estacionei ao lado do carro absurdamente chamativo do Naruto.

Não sei se já comentei, mas o carro dele é laranja! Sério, como alguém consegue gostar tanto de laranja a ponto de estragar um carro assim? Ri com o pensamento e tirei o capacete, olhando em volta. Estranhei a ausência de todos eles. Todos os dias, eles me esperavam na entrada, já que eu sempre chegava atrasada.

​Enquanto eu caminhava para a entrada principal, notei alguns olhares sobre mim. Umas garotas passavam dando risadinhas e cochichavam algo inaudível. Ignorei o fato e continuei procurando o pessoal. Assim que cheguei à escadaria da entrada, Jean e Sasha saíram de lá totalmente afobados.

𝐔𝐍𝐅𝐎𝐑𝐄𝐒𝐄𝐄𝐍 𝐏𝐀𝐒𝐒𝐈𝐎𝐍, 𝗟𝗲𝘃𝗶𝘀𝗮𝗸𝘂Onde histórias criam vida. Descubra agora