Capítulo 30

37 3 15
                                        

​Eu tinha prometido a mim mesma que esqueceria tudo, mas o que eu não esperava era que ele fosse fingir não saber de nada, e isso estava me tirando do sério

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

​Eu tinha prometido a mim mesma que esqueceria tudo, mas o que eu não esperava era que ele fosse fingir não saber de nada, e isso estava me tirando do sério.

​Três semanas se passaram voando, e ele continuava me evitando. Eu mal o via. Estava inquieta e precisava de respostas. Juro que queria deixar esse assunto para trás, mas o silêncio dele me incomodava demais.

​Foi aí que, seguindo um impulso, resolvi confrontá-lo. No momento em que o vi entrando na cozinha e tentando sair de fininho, eu o encurralei. E o que eu ouvi me deixou em choque. Eu jamais esperaria escutar aquilo do Levi – o cara mais arrogante, que nunca foi com a minha cara, estava nutrindo sentimentos por mim.

​Claro, eu tive que deixar a ficha cair para depois. No instante em que ele confessou que gostava de mim, ele simplesmente apagou. Fiquei aflita e desesperada, mas consegui tirar forças de não sei onde para levá-lo até o sofá.

​Liguei correndo para o médico particular dele, que logo me disse o motivo: exaustão. Eu sabia da insônia e do excesso de trabalho, mas não imaginei que ele se levaria a esse ponto.

​O médico me avisou que ele demoraria algumas horas para acordar, já que o corpo relaxou com o desmaio. Depois que ele foi embora, fiquei observando o Levi. Seu rosto estava sereno enquanto ele dormia. Seus cabelos negros caíam sobre os olhos, e só naquele momento de confusão, eu pude, enfim, absorver o que ele disse.

​Ele estava apaixonado por mim! Eu não sei quando nem como, mas estava. E então lembrei das palavras de Gaara.

Será que ele já tinha percebido?

​Minha cabeça estava a mil. Estávamos sozinhos na mansão; Mikasa tinha ido passar a noite fora. Éramos só nós dois e um monte de perguntas sem resposta.
​Eu não sabia como me sentia. Nossa convivência sempre foi de atrito, e agora ele jogou essa bomba no meu colo e estava dormindo tranquilamente.

​Às dez da noite, ele deu um pequeno movimento. Levantei-me rapidamente e fui até ele.

​— Que horas são? — ele perguntou, esfregando os olhos.

​— São dez da noite — respondi, calmamente, pedindo para ele não se esforçar.

​Aí a ficha dele caiu. Ele arregalou os olhos.

​— O que você ainda está fazendo aqui? — perguntou, confuso.

​— Você desmaiou, lembra? — disse, sendo óbvia. — Ou está fingindo não lembrar, igual fez com a minha existência nesta casa? — não resisti à alfinetada.

​— Sakura, eu... — Ele respirou fundo, parecendo procurar coragem. — Eu lembro do que eu disse. Não sou um garoto. Apesar de você ter me pressionado, eu não fingiria não lembrar de um sentimento.

​Ouvir aquilo me deixou mais atordoada. Eu abri e fechei a boca, sem conseguir falar nada.

​— Então por que estava me ignorando e fugindo? — foi a única coisa que consegui perguntar.

​— Medo, talvez. Eu não sabia como agir perto de você. Na verdade, nem sei como isso tudo começou. Só sei que, quando te vi beijando aquele ruivo na cozinha, algo em mim se irritou. Aí o Kakashi começou a insistir para eu ser sincero comigo mesmo...

​— Espera! — o interrompi. — O Kakashi sabia disso tudo? — perguntei, chocada.

​— Sim — ele afirmou. — Mas o ponto não é esse. Eu estava negando o que sentia. Quando aqueles idiotas fizeram aquilo com você, eu explodi, perdi totalmente o controle. Porque eu me importo com você. Muito mais do que com qualquer outra pessoa que já passou pela minha vida. Você, de alguma forma, me conquistou com seu jeito explosivo e independente. — ele disse, olhando no meu fundo dos olhos, e delicadamente colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

​Eu absorvi cada palavra em silêncio. O Levi na minha frente era outro, completamente diferente. As palavras dele me desestabilizaram. Uma parte de mim estava em pânico, com medo de tudo dar errado, mas a outra parte... estava feliz, eufórica, com o coração acelerado.

​— Eu sei que você talvez não sinta o mesmo, por tudo que já passou — ele continuou. — Mas eu precisava ser sincero. Não há mais motivos para esconder. Estou apaixonado por você.
Sem brincadeira, sem joguinhos. Apenas eu, com meu jeito insuportável, sério e meu humor totalmente duvidoso. — Dei um pequeno sorriso. — Sei que você se sente insegura com relacionamentos, e eu também. Mas não tenho mais idade para incertezas. Eu preciso me permitir, como o Kakashi disse. Estou fazendo isso agora, me abrindo para você. Não espero que diga que sente o mesmo, temos que construir isso. E eu quero construir, se você me deixar. Com calma, sem apressar nada. Algo leve e gostoso. Se for para ser, que seja lindo e duradouro. Se não, farei o possível para que o único machucado nessa história seja eu. — ele disse, com sinceridade absoluta nos olhos.

​Fechei os olhos, respirei fundo, coloquei minha mão sobre a dele e o encarei.

​— Com calma — afirmei, mais para mim do que para ele. Eu iria me permitir, mas não pularia etapas.

​E essa foi a primeira vez que o vi sorrir, um sorriso lindo e aliviado.

​— Só me promete uma coisa — pedi, e ele assentiu. — Se isso der certo, eu só te peço: não repita a cena de hoje. Não se mate de trabalhar e não se prive do sono. Se precisar, me peça para ajudar, mas não me dê esse susto de novo! — pedi, muito séria.

​— Vou me esforçar, prometo. A não ser que eu tenha algo muito importante para te falar, aí não garanto — ele brincou.

​— Levi! — o repreendi.

​— Desculpa, eu prometo — disse, beijando minha mão. — Com calma, então — ele afirmou, e eu concordei.

​Depois de fazê-lo tomar um pouco de sopa e o chá, nos despedimos. Ele me deu um beijo na testa e pediu meu número para que eu avisasse quando chegasse em casa. Ele até tentou me convencer a dormir lá, mas eu não podia deixar o Aoda sozinho. Ele brincou que teria que competir com o meu cachorro pela minha atenção. Antes de eu sair, ele me chamou para um encontro, uma chance de começarmos essa história com calma, e eu aceitei, nervosa.

​Assim que cheguei em casa, o avisei. Ele me desejou boa noite. Deitada com Aoda na barriga, eu pensava em tudo. Era a oportunidade de um amor tranquilo, algo novo para mim. Eu deixaria acontecer, com calma, no nosso tempo.

𝐔𝐍𝐅𝐎𝐑𝐄𝐒𝐄𝐄𝐍 𝐏𝐀𝐒𝐒𝐈𝐎𝐍, 𝗟𝗲𝘃𝗶𝘀𝗮𝗸𝘂Onde histórias criam vida. Descubra agora