19. Diecinueve

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O gosto de Jimin só não era mais forte que a mão que apertava os cabelos de Jungkook por trás.

Custava-lhe esforço aquela decência tranquila, quando tudo que ele queria era gritar para o nada. Seu ventre se remexia e ele engolia as lágrimas, mas o inundar de tudo não o deixou aguentar por muito tempo.

Jungkook chorava, mas queria mais.

Cada vez que o beijo se aprofundava; cada vez que as mãos fortes atrás de si queimavam seu couro cabeludo, Jungkook sentia o aroma da luxúria renascer em seu interior, junto ao gosto forte do pecado.

Sua inocência foi lentamente despojada por seus lábios vermelhos, e então ele se embriagou com seu doce sabor, olhos cegos para sua amargura, deixou-se levar pelo êxtase que era ele.

Eles.

Culpa, desejo e descobrimento.

Com Namjoon atrás de si, cravando os dedos em seu couro cabeludo, tudo ficava mais ratificado, intenso.

Houve um momento em que as lágrimas cessaram. A dor que perfurava seus órgãos se dissipou como fumaça.

Jungkook se sentia embriagado, mesmo sabendo que tudo aquilo era errado. Mas Jimin era tão bom. Seu beijo, a forma que ele o levou até o seu colo para acariciá-lo e sussurrar em seus ouvidos como ele queria aquilo — queria Jungkook, deixava o mais novo à beira do desconhecido, que migrava em um poço fundo.

Namjoon, com toda sua tirania, demonstrava sua presença no cômodo; implacável, tentando tomar o poder, mesmo quando não o tinha.

Jungkook gemeu quando o marido segurou sua cintura outra vez. O sentimento de posse reinava para a absoluta certeza de que Jungkook o pertencia, mesmo ali, nos braços de outro homem.

Era tudo demais. A brasa fervilhava como o quarto abafado que parecia querer torná-los cinzas.

Ele parou, quando o ar sumiu do cômodo. Descansou a cabeça no ombro de Jimin, respirando fundo. O moreno estava com o torso de fora; o peito esculpido em sua juventude plena, subia e descia, também sem fôlego.

Era só um beijo, mas para todos eles, era o mudar de tudo.

Namjoon se aproximou o máximo que pôde, implorando para segurar suas forças e não arrancar Jungkook dos braços daquele homem, que ele conjurava matar com os olhos. Mas Jungkook não se movia; apenas respirava com quase desespero, expelindo a violência de tudo aquilo. Namjoon grudou seu peito nas costas de seu marido, deixando claro que nunca o largaria. Os três em uma posição aprisionada demais, emanando um calor incômodo como uma chama acesa.

A Fúria predominava.

Mas havia algo a mais.

Namjoon encarou os olhos de Jimin, que o mirou por um segundo desde aquele momento. Jimin pôde estremecer com Jungkook ainda em seus braços, por conta daquele olhar.

Era uma ameaça que reluzia dali.

Uma promessa.

Jimin aceitou o que quer que fosse aquilo. Não importava no momento. Namjoon não lhe abalava tanto.

Já Jungkook, sim.

— E-eu… — o mais novo tentou dizer, afundando mais o rosto no peito de Jimin. Havia uma marca no pescoço do moreno, como uma mordida, assim também como em sua bochecha. Era vermelho e voraz. Aquilo deixou Jungkook desnorteado, com aquele mesmo sentimento de antes: ciúmes e insegurança.

Mas por quê?

Aquele sentimento não lhe era digno.

— Você precisa descansar — foi Jimin quem disse, sussurrando para ele, como se só estivesse os dois no cômodo.

Ecstasy | namkookmin Onde histórias criam vida. Descubra agora