capítulo 12

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Canta Galo - RJ

Sentei na frente dele e ele ficou me olhando calado, por um bom tempo.

Primo: Cê vem de onde?- perguntou e eu fiquei olhando pra ele.

Chapadona: Ceará - falei e ele riu.

Primo: Tá metendo o louco? Sei que tu é daqui - falou e eu concordei

Chapadona: Nasci aqui e depois fui para o Ceará, aí eu voltei - falei e ele riu.

Primo: Não, tu nunca foi pra lá - falou e eu balancei os ombros.

Chapadona: Acredita no que tu quiser, sei de onde eu vim e pra onde eu vou - falei e ele ficou me olhando.

Primo: Pra onde você vai?- perguntou.

Chapadona: Espero me tornar alguém no crime né?- falei e ele riu.

Primo: Tu só se torna alguém, quando tu vem com as verdades, então fala pra mim, de onde cê vem?- falou e eu respirei fundo.

Chapadona: Crateús, Ceará, pode pesquisar - falei e ele riu.

Primo: E se eu te meter bala agora, quem vai vir atrás pra cobrar?- perguntou e eu balancei os ombros.

Chapadona: Só tenho minha vó, ela só vai saber daqui a um mês quando ver que eu não depositei um dinheiro pra ela - falei e ele ficou me olhando.

Primo: Garota, eu juro que vou descobrir quem você é - falou e eu fiquei olhando pra ele sem falar nada.

Bobô: Cheguei, me chamou?- disse entrando.

Primo: Quem é ela e da onde ela vem?

Bobô: É a chapadona pô, vem do Ceará se eu não me engano - falou e ele negou.

Primo: Ela falou que nunca foi pro Ceará, tá de caô?- pegruntou e ele travou.

Bobô: De caô tá ela, Iih qual foi? Vai pagar de louca, fala uma coisa pra nós e pra ele outra?

Chapadona: Eu não disse nada, só falei oque eu disse desde o começo.

Primo: Boto fé não, um passo falso e tu vai pra vala, sem direito a velório ou um adeus pra tua vó - falou e eu ri.

Chapadona: Já disse, não tô no erro, cê que não bota fé nas minhas palavras - falei me levantando.

Primo: Quem disse que eu te dispensei? Senta aí garota!

Chapadona: Uai? Vai fazer mais oque?

Bobô: Ela tá de caô ou não tá?

Primo: Senta aí, preciso de uma missão de vocês dois.

Bobô: Ala, tá achando que sou vapor? Qual foi primo?

Primo: Cê só vai agilizar as coisas pro baile e tu vai ajudar esse comédia.

Chapadona: Sei fazer essas coisas não - falei negando.

Primo: Não quer crescer no crime? Até o mínimo cê tem que fazer, parceira - falou e eu respirei fundo.

Bobô: Tá me tirando, só pode - falou negando.

Primo: Se trombarem a loirão, manda ela brotar aqui, quero trocar um lero com ela, agora metem o pé.

Levantamos e saímos da sala, fomos subindo o morro e eu olhei pra ele.

Chapadona: Caraio, cê não tem moral nenhuma com ele - falei negando rindo.

Bobô: Tá cheia de graça, vem piar na minha não, tô cheio de neorose.

Chapadona: Vamo lá em casa, tu come e fica suavinho - falei e ele me olhou.

Bobô: E eu achando que tu era diferente - falou negando.

Chapadona: Oxi? As minas aqui também oferecem comida? Achei que elas só ofereciam a xota - falei e ele riu negando.

Bobô: Cê tá paiaça hoje hein? - falou e eu ri com ele.

Chapadona: Cara, cê tá chapando legal, vamo fumar um verde e bater um rango, vai ficar suavinho, confia.

Bobô: Confio nem na minha minha sombra, mané.

Chapadona: Chato que só a porra, credo! - falei e fui subindo na frente.

Ele acabou cortando pra o outro lado da favela e eu fui pra minha casa, tomei banho e quando sair ele tava deitado na minha cama e o primo sentado na cadeira.

Chapadona: Caralho, acho que vocês não sabem oque é privacidade né?- perguntei e os dois me olharam.

Primo: Não mermo, só vim falar como que eu quero o baile de amanhã - falou e eu respirei fundo.

Chapadona: Tá, vai pra fora do meu quarto, os dois - falei e eles levantaram saindo.

Bobô: Já te vi sem nada, tá com vergonha do que?- falou baixo no meu ouvido.

Eu neguei e ele saiu do quarto rindo, me troquei e pentiei meu cabelo, sai do quarto e fui para a cozinha.

Primo: Quem te ensinou a cozinhar? Papo reto, cê amassou - falou comendo.

Chapadona: Literalmente vocês precisam de limites e lavem a louça, obrigada - falei me sentando.

Primo: Enfim, eu quero...- começou a falar tudo que queria no baile.

Chapadona: Pera, decoração? Tá chapando? Vô fazer essas paradas não - falei negando.

Primo: A decoração é pra festa de aniversário da minha irmã no domingo, agiliza isso também, o dinheiro nem vai sair do seu bolso.

Bobô: Sei nem fazer essas paradas pô, porque eu e não o gavião? Ou ela e a loirão?

Chapadona: Como se eu soubesse ajeitar um baile e uma festa.

Gavião: Cê é mulher, tem que saber.

Chapadona: Não, não sou obrigada a saber dessas coisas, lindinho.

Loirão: E eu não tenho delicadeza pra essas paradas, manda sua coroa - falou e eu respirei fundo.

Chapadona: Gente, sério? Cadê você tudo batendo na porta e pedindo pra entrar?

Primo: É isso, loirão e gavião já tem outras paradas pra fazer, quero tudo pronto pra amanha e domingo, tô piando.

Bobô: Mais tarde eu broto aqui, parceira - falou e saiu junto com primo.

Quando virei, vi que todos já tinham ido embora.

Chapadona: Legal a louça é minha - falei e coloquei comida no prato pra mim.

Vida Bandida (M)Onde histórias criam vida. Descubra agora