capítulo 5

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Cidade de Deus - RJ

Nicolle

Acordei no outro dia super cedo com meu pai mandando eu levantar, todo dia a mesma palhaçada.

Chefia: Tá dormindo ainda, porque? Mandei tu levantar faz uma hora - entrou gritando.

Chapadona: Qual que é cara? Deixa eu dormir só por mais meia hora - falei e ele puxou minha coberta.

Chefia: Levanta e vai tomar teu banho, tua roupa e teus bagulhos tá lá já, anda - falou e eu respirei fundo.

Levantei puta da vida, fui para o banheiro, tomei meu banho, coloquei a roupa que eles me deram e fui comer.

Peguei um pão e subi para meu quarto, me maquiei e pentiei meu cabelo, coloquei um tênis que meu pai mandou eu por e sai de casa.

Entrei no carro e o soldado me deixou um pouco longe da barreira, desci e entrei dentro de um Uber.

Ele dirigir para o hotel que eu iria ficar esse final de semana e a corrida já estava paga, entrei no hotel e fui na recepção.

Apresentei meu RG e eles me levaram até o quarto que eu ficaria, entrei e já vi que tinha uma bolsa cheia de coisas pra mim lá.

......

Passei o final de semana todo trancada, parecia um inferno não poder fazer nada, nem celular eu tinha.

Hoje de manhã veio um soldado do meu pai aqui e me trouxe um celular e dinheiro.

Já era de tarde e eu estava indo para o morro do Canta Galo, meu cu não passava nem agulha.

Por mais que me sugeitei a essa vida, estava morrendo de medo do que podia acontecer comigo, passava na cabeça que eu deveria ter escutado o Cassiano.

Mas ao mesmo tempo não, porque se eu tivesse dado pra trás, iria perder muita coisa além do dinheiro.

Uber: Só posso vir até aqui, a corrida deu vinte e três e cinquenta - falou e eu concordei pagando.

Chapadona: Muito obrigada, tenha uma boa tarde - falei saindo do carro com as minhas coisas.

Fui até próximo a barreira, fui chegando perto do soldados para pedir informação.

Chapadona: Moço você pode me informar, como faço para chegar nesse endereço? - falei mostrando um papel em minha mão.

Soldado: Você é a moradora nova ?- perguntou e eu concordei - jaé, vou mandar os menor te guiar pela favela.

Chapadona: Jaé pô, valeu - falei e sorri.

Logo os meninos chegaram e me guiaram até a boca para pegar a chave de casa.

Entrei e um cara veio falar comigo, mas não era quem eu queria.

Chapadona: Boa tarde, vim pegar a chave da minha casa - falei com ele que me olhou de cima a baixo.

Xx: Tu é a nova moradora?- perguntou e eu concordei - vem de onde e porque o Canta Galo?

Chapadona: Nasci aqui no Rio, mas por um tempo morei no Ceará, o preço das casas aqui é bem acessível - falei me segurando para não soltar gírias.

Xx: Pode pá, sou o gavião, gerente das bocas daqui, o chefe tá privado e o Bobô tá cheio de caô, mas bem vinda pô - falou e piscou me dando a chave.

Chapadona: Muito obrigada, me chamo Nicolle - falei sorrindo e sai dali.

Os meninos me acompanharam até em casa e me deixaram em frente ao meu portão, entrei e já vi que estava uma bagunça.

Arrumei tudo no seu devido lugar e ainda era cedo, estava morrendo de fome, me levantei, tomei um banho e vi que a água estava super gelada.

Chapadona: Só pode estar de brincadeira!- falei comigo mesma.

Aproveitei que estava calor e tomei banho assim mesmo, quando sai me arrumei e parti para o mercado.

Fui subindo o morro e vi uns meninos parados próximo do mercado, umas duas ruas abaixo.

Reconheci de longe o Bobô, carinha de mal, cabelo preto e barba loira, todo trajado, um verdadeiro gostoso.

Gavião: Boa tarde, morena - falou assim que me viu.

Chapadona; Boa tarde, coisa linda, deixa eu te perguntar você sabe alguém que arrume resistência? Acho que a de lá de casa está queimada - falei puxando papo e os outros caras me olharam.

Gavião: Sei pô, mais tarde eu broto lá com um menor pra te ajudar nesse caô aí, mais eai? Tá indo pra onde? - perguntei e eu sorri de lado.

Chapadona: Tô indo no mercado, fazer compras pra casa nova né?- falei e ele riu comigo.

Fiquei trocando um papo com ele depois puxei meu bonde para o mercado, comprei o essencial e na hora de voltar, ele já não estava mais lá.

Passei por eles e todos olharam, não dei bola, fingi que não tinha ninguém por perto e sai andando para minha casa.

De noite gavião veio e trouxe um menino que sabia arrumar resistência, enquanto ele arrumava eu ficava trocando um papo com gavião.

Gavião: Boa vindas mais que boa né? Calorzão desses e a resistência queimada - falou e eu ri fraco.

Chapadona: O bom é que tá muito calor, se não eu iria morrer pra tomar banho - falei e ele riu.

Gavião: Mas eai? Tem algum compromisso tu?- perguntou e eu neguei.

Chapadona: Ninguém é digno de tanta sorte não - falei e ele riu.

Gavião: Nem eu?

Chapadona: Com aliança no dedo falando esses caô pra mim? Quero b.o não, acabei de chegar aqui - falei e ele riu negando.

Gavião: É só uma dedeira pô, nada de mais - falou e eu neguei - mais aí vai ter baile no sabado pô, brota lá - falou e eu balancei os ombros.


Chapadona: Tenho que tá vendo isso aí, sem trampo não dá pra gastar dinheiro atoa - falei jogando um verde.

Gavião: Entra pra boca pô, assim vai ter dinheiro pra caralho pra gastar - quem vê assim, pensa que é fácil.

Chapadona: Quem né dera saber pelo menos atirar - falei e ele riu.

Gavião: É suave, ninguém entra nessa vida sabendo de tudo - falou e eu concordei.

Chapadona: Então vocês me dariam uma oportunidade de trabalhar pra vocês?

Gavião: Amanhã tem treino, se quiser ir pra tentar entrar nessa vida pô.

Chapadona: Pode ser, só me fala o endereço.


Ele me passou o endereço por whatsapp, anotei e já coloquei o celular para despertar.

O menino terminou o serviço e eu paguei ele, eles foram embora e eu fui deitar já feliz por saber que estava tudo dando certo.

Vida Bandida (M)Onde histórias criam vida. Descubra agora