Capítulo 46

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Cidade de Deus

Nicolly

Era foda saber que mesmo depois de anos se dedicando a um plano, ele simplesmente da errado por você se apaixonar.

Da errado pra você no caso, já que você quer mudar todo o contexto do final, na verdade eu quero.

E não pode mudar nada, porque essa é a minha realidade, eu fui paga para isto, eu tinha que cumprir até o último ponto que estava escrito em um maldito papel.

Tinha se passado uma semana desde o sequestro e te falar? Eu tava mal pra caralho, só sabia chorar.

Por mais que eu tenha levado tudo no deboche no primeiro dia de tortura, eu estava mal desde quando sai do Canta Galo.

Eu não consegui participar de nenhuma tortura, quando fui la da última vez, sai com a pressão baixa.

Ele estava muito, muito mal mesmo, todo machucado, nem parecia o mesmo.

Eles avisaram que matariam ele no próximo final de semana, eu estava sem saber oque fazer e meu pai ainda queria que eu fosse uma última vez la, só para falar com ele novamente.

Chefia: Anda, bora logo!

Chapadona: To ocupada, vou depois.

Chefia: Se tu não sair desse quartp agora e ir la naquela porra comigo, você vai levar uma cobrança igual a dele.

Chapadona: Porque? Ta doido é?

Chefia: Se tu não gosta dele, porque nao ta indo nas cobranças?

Chapadona: Porque não sou eu que cobro nada aqui!

Chefia: Se tu quer, então tu vai cobrar, se troca e desce!

Falou e eu respirei fundo.

Tinha tomado a decisão de ir falar com a mãe dele, ou com a facção, eu queria ajudar ele a fugir, mas eu não sabia como.

Estava me corroendo saber que o filho dele iria crescer sem o pai por perto.

Eu cresci sem ninguém, por mais que eu considere o chefia meu pai, ele não é e nem vai ser.

Eu sou grata por tudo oque ele fez, mas não queria deixar o filho de bobô passar por isso ou por algo pior.

Me levantei, tomei um banho, me arrumei e desci na salinha.

Entrei calada e quando o chefia me viu, abriu um sorriso.

Chefia: Ta quase morrendo, mas eu sei que ele aguenta mais uns dias.

Falou sorrindo e eu olhei para o Bobô, tentei fazer a melhor cada de indiferença possível.

Mas só Deus sabia como estava meu coração dentro do meu peito.

Ele queimava e me deixava sem ar, só por vê-lo daquele jeito, naquela situação.

Mas eu não sabia disso no começo, que eu iria me apaixonar totalmemte por ele e talvez teria aceitado da mesma forma antes de o conhecer.

Eu tenho sangue frio, não importa quem seja, antes que a mãe da pessoa chore do que a minha, mas eu não queria ver a mãe dele chorar, por causa de uma pilantragem minha.

Mas infelizmente vou ter que ver ela chorar, junto com os amigos, familiares e conhecidos.

Respirei fundo tentando conter minhas emoções.

Vida Bandida (M)Onde histórias criam vida. Descubra agora