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PEREIRA: 😶‍🌫️

O relógio marcava umas nove quando Hellena começou a se mexer, Eu já tava acordado há um tempo, encostado na cabeceira da cama, só observando.

A luz da manhã entrava de leve pela cortina mal fechada do meu quarto, deixando tudo com um tom meio dourado.

Ela abriu os olhos devagar, piscando algumas vezes antes de me encarar, O cabelo bagunçado caía no rosto, e aquele sorriso tímido apareceu no canto da boca dela, sem nenhum traço de arrependimento.

Hellena: Bom dia. — A voz dela saiu meio rouca, e eu precisei respirar fundo pra manter o controle.

Pereira: Bom dia, princesa. — Respondi, um sorrisinho de lado escapando sem querer.

Ela riu baixo, ajeitando o lençol em volta do corpo, O clima tava leve, bem mais do que eu esperava depois de tudo, Eu me inclinei um pouco, passando a mão de leve pelo rosto dela, afastando uma mecha de cabelo.

Hellena: Tá me olhando assim por quê? — Hellena arqueou a sobrancelha, mordendo o lábio pra segurar o riso.

Pereira: Só tô admirando a vista. — Pisquei, vendo ela revirar os olhos, mas sem conseguir esconder o sorriso.

A gente ficou ali mais um tempo, falando umas besteiras e rindo baixo, Cada palavra parecia deixar claro que ela não tava arrependida, e isso tirava um peso absurdo das minhas costas.

Depois de uns minutos, ela se levantou pra se arrumar, e eu fiz o mesmo, Não ia dar bandeira andando sem camisa com ela ali.

Na cozinha, fiz um café rápido enquanto Hellena mexia no celular, sentada na bancada, A camiseta minha que ela pegou emprestada ficava grande demais, deixando uma parte da coxa à mostra, Tentei não encarar muito, mas era quase impossível.

Hellena: Tá me secando por quê? — Ela soltou, arqueando a sobrancelha.

Pereira: Difícil não olhar. — Dei de ombros, entregando uma xícara pra ela.

Ela riu de novo, aquele riso leve que fazia meu peito esquentar, A conversa seguiu tranquila, como se a gente já tivesse feito aquilo um milhão de vezes, Quando terminamos de comer, ela suspirou, ajeitando o cabelo.

Hellena: Acho que tá na hora de eu ir pra casa, né? — Ela fez uma careta, mordendo o lábio.

Pereira: Eu te levo. — Falei rápido, sem pensar muito.

Ela arqueou a sobrancelha, mas não discutiu, O caminho foi cheio de silêncios confortáveis, aqueles onde não precisa falar nada porque a presença já diz tudo.

Parei a moto em frente ao portão da casa dela, tirando o capacete e passando a mão no cabelo meio bagunçado, Hellena desceu devagar, ainda sorrindo.

Hellena: A gente se fala depois? — A voz dela saiu meio incerta.

Pereira: Óbvio. — Ajeitei a gola da camiseta. — Mas antes... Eu queria trocar uma ideia com a Érica.

Ela travou na hora, o sorriso murchando um pouco.

Hellena: Sério, Pereira? Agora? — bufou, cruzando os braços.

Pereira: Sério, princesa, Isso tem que ser resolvido. — suspirei. — Não quero você brigada com ela por minha causa.

Hellena revirou os olhos, mas não insistiu, Soltei o ar que nem tinha percebido que tava prendendo, assistindo ela entrar em casa, Não era como se eu tivesse muita moral com a Érica, ainda mais depois de tudo, Mas eu ia ter que tentar

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