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HELLENA: 🌼

Acordei com o sol batendo no rosto, mas não me irritei como de costume, Hoje, alguma coisa dentro de mim queria me fazer levantar, Sentir o dia, Nem sei explicar.

Tava na casa do Pereira esses dias, tentando manter a mente ocupada, Ele fala demais, me chama pra tudo, me dá um milhão de opções… e no meio disso tudo, eu não penso, E quando eu não penso, dói menos.

Mas hoje, acordei na minha casa, No meu quarto, E diferente de antes, não quis ficar trancada.

Levantei, amarrei o cabelo meio desajeitado e fui pra cozinha, Érica tava lá, fazendo café, Quando me viu, abriu um sorriso que quase me desmontou.

Érica: Olha quem resolveu aparecer… — ela disse, servindo duas xícaras.

Hellena: É que sonhei com pão francês. — brinquei, meio tímida.

Ela sorriu largo e empurrou a cesta de pães na minha direção.

Érica: Ainda bem que eu comprei. — Comemos em silêncio, mas um silêncio confortável, Eu tava ali, Presente, E isso já era coisa demais pra mim.

Depois do café, ficamos vendo besteira na TV, Em algum momento, Érica recebeu uma ligação, riu, brigou de leve com alguém no telefone (provavelmente o Biro), e depois desligou com um suspiro.

Hellena: A vida tá indo, né? — eu disse, meio sem querer, Ela me olhou.

Érica: Tá sim, Indo, E levando a gente junto, Às vezes arrastando, às vezes no colo.
— Assenti, Quase chorei, Mas engoli.

Mais tarde, eu aceitei sair, Um rolê leve, só eu, Érica e Pereira, A gente foi comprar besteira, andou rindo na rua feito adolescente, Ele fez piada ruim, eu ri mesmo assim, Pela primeira vez em muito tempo, ri sem sentir culpa, Sem sentir peso.

Érica: Hellena… — Érica falou quando eu parei pra ver um vestido na vitrine.

Hellena: Hum?

Érica: É bom te ver assim. — ela disse, e não precisou dizer mais nada.

Eu soube que ela me entendia, Que ela sabia o esforço que era simplesmente estar ali.

E naquele fim de tarde, com a brisa batendo no rosto, com um picolé na mão e os olhos brilhando um pouco mais do que antes… eu senti que tava voltando, Devagar, mas tava, Não tô bem ainda, Mas tô indo, E isso, por agora, já é o suficiente.


[...]

A noite chegou tão rápido, e mesmo depois de um dia leve, o peito começou a pesar de novo, Sempre pesa, quando a casa fica mais silenciosa, quando a rotina desacelera, Mas dessa vez, antes que eu me afundasse, meu celular vibrou.

Amorzinho: Tô indo aí, Quero te ver sorrindo mais um pouco.

Respondi com um emoji de revirar os olhos, mas no fundo, eu queria mesmo, Era estranho, Esse menino surgido do nada, Mas ele me fazia rir, Me tirava da cabeça.

Minutos depois, ele chegou, Camiseta larga, boné virado pra trás, e aquele sorrisinho de quem sabe que incomoda.

Pereira: Trouxe chocolate. — ele disse, entrando já todo íntimo, como se morasse aqui.

Sob O Morro Onde histórias criam vida. Descubra agora