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ÉRICA: 🤍

Desde o dia que Biro foi até minha casa, e praticamente se declarou pra mim bêbado, aquilo não saia da minha mente, O jeito que ele me falou Naquela noite que não era, Não me pareceu real.

Parecia que ele queria fugir de algo que ele mesmo causou, mas que no dia seguinte, o arrependimento tinha batido às portas.

Eu poderia continuar ignorando o Biro, como estava tentando fazer o dia todo, A sensação de ter ele ali do meu lado, me deixava confusa e nervosa, o jeito que ele falava comigo, como me olhava e como agia depois disso, era uma puta confusão.

Eu não queria parecer chata, mas preferia ficar na minha, aquele dia eu só precisava de silêncio, Olhar pro mar e pensar em como reorganizar minha vida, Afinal, minha irmã de 15 anos já tem namorado e nem é mais virgem.

Tudo isso pesava na minha cabeça, mas algo nesse dia, desde cedo já me mostrava que em uma parte ia ser muito bom, e em outra ia ser muito ruim.

Eu devia ter ignorado, Devia ter seguido a noite como se nada tivesse acontecido, fingindo que as palavras dele não mexeram comigo, Mas ignorar o Biro era impossível.

Desde que a gente voltou da praia, o clima entre nós estava carregado, E não era só porque Mayara e PH tiveram a audácia de nos jogar juntos no carro dele.

Era porque a gente sabia que, no fundo, essa briga constante não passava de uma desculpa pra manter contato, eu sei que errei aceitando o pedido de ir pra casa dele invés da minha, Mas eu já imaginava o que ia acontecer e não queria que fosse na minha casa.

E eu estava cansada de fingir que não sentia.

Encostada na varanda da casa, sentia a brisa da madrugada esfriar um pouco o calor do meu corpo, mas não o suficiente pra apagar o fogo que aquela troca de olhares na praia acendeu.

O cheiro de cigarro misturado ao perfume amadeirado dele anunciou sua chegada antes mesmo de eu virar a cabeça.

Biro: Fugindo, Érica? — Biro se encostou ao meu lado na mureta, tragando o cigarro com um olhar preguiçoso, mas cheio de segundas intenções.

Érica: Só tomando um ar. — Cruzei os braços, olhando pra frente, tentando não demonstrar que minha pele já estava arrepiando só de estar perto dele.

Biro: Sei… — Ele soltou a fumaça devagar, os olhos escuros me analisando de cima a baixo. — Tá tentando fugir de mim ou do que tu tá sentindo?

Eu ri, sarcástica, sem desviar o olhar.

Érica: E desde quando tu é psicólogo agora, Biro?

Biro: Desde que entendi que tu fala uma coisa, mas teu corpo diz outra. — Ele jogou o cigarro fora e virou o corpo na minha direção, invadindo meu espaço. — cê achou que eu não ia perceber naquele dia? — veio uma risada sarcástica dele.

Eu tentei sustentar a postura, manter a pose de desinteressada, mas a mão dele pousou na minha cintura, puxando de leve, sem pressa, sem força, Como se me desse a chance de sair dali, caso eu quisesse.

Mas eu não queria.

Érica: Cê se acha demais, né? — Minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

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