HELLENA: 🌼
[Aviso: O capítulo vai ser grande, contém "cenas" que podem ser gatilhos para pessoas que já passaram, a intenção é lembrar que isso acontece diariamente, não só dentro das favelas, mas também fora delas, todo santo dia...]
Não era só mais um dia comum… Mesmo que eu tentasse agir como se fosse,
Hoje tinha escola, e mesmo eu achando que seria um dia leve, acabou virando o completo oposto.
Ontem Pereira foi lá em casa, passamos a noite junto depois de uma madrugada na contenção e metade do dia na boca, Foi evidente que Pereira deixou espaçar algo que não devia, pelo jeito que agiu o trocava o assunto, era mais o menos algo que envolvia Biro e essa nova moradora aqui, já tinha ouvido falar que eles teve algo antes e pelo jeito que Pereira disse, acho que pode ter acontecido novamente.
Só por ele não ter aberto o jogo comigo, de algo que é relacionado a minha irmã, eu me senti no direito de falar do jeito que achei que era necessário, mas isso deu em briga, uma briga feia, se Gabriel tem coragem de esconder algo de mim da minha própria irmã, imagina se não esconde dele.
Cada vez que Pereira e eu brigamos, eu sinto que estou esfriando a cada momento, estou criando um amor próprio por mim e algo que eu precisava desde o início que é a maturidade, eu sei amar demais, mas na hora de se resolver, a imaturidade fala mais alto, esse tempo que Pereira tava longe, eu tive que desenvolver algo que eu não gostava, que era um jeito de não sentir saudades, mas ao mesmo tempo sim, só que equilibrar tudo isso, um pouco de terapia online me ajudou também.
Mas nada disso tira o fato de que Pereira está errado e eu estou certa, ele deveria sim ter aberto o jogo comigo sobre o namorado da minha irmã, e sabendo ele que ela é minha irmã, é mais um motivo para ter falado.
Acordei completamente indisposta, o dia me chamava cedo, tomei banho, ajeitei meus cabelos e botei meu uniforme, Érica me disse que ia resolver umas coisas da nossa mãe, papelada e tal, Eu só queria que ela voltasse logo, Sempre fico com medo quando ela sai sozinha.
A escola foi muito chata, não tinha cabeça pra pensar direito nas coisas que estavam no quadro, eu só pensava no que poderia ser isso, Pereira tinha me deixado confusa e eu não queria apelar em conversar com ele de novo, sendo que eu sei que ele não me falar nada.
Minha distração diária, que é a Letícia, que veio hoje, disse que iria ficar com o peixinho, que eles precisavam de um tempo junto, já que ele vive na boca e fazendo contenção com o Pereira, eu não disse nada, nem cheguei a responder.
Depois que voltei da escola, almocei, tomei banho e arrumei, Letícia e eu marcamos de ficar na pracinha, Era o único jeito de gastar a energia deles sem destruir a casa, esses dias tenho feito muita coisa pra ficar eufórica e cansar muito rápido até o horário da noite.
Pego meu celular e meus olhos encaram a mensagem do Pereira que dizia "Eu te amo, estranha" a última mensagem dele desde a semana passada, Guardei o celular e suspirei, O dia já começou torto, realmente precisava manter a mente ocupada.
Comprei um açaí de sempre, o que já me lembrou do Pereira no nosso primeiro encontro aqui na praça, rir sozinha, sentei no banco e observei o movimento, estava tudo tão queito, só tinha um grupo de meninas com uns meninos perto do campo.
O vento batia forte junto com sol estralando na favela, o calor já estava batendo forte, vi duas pessoas descendo a favela, de longe reconheci o Pereira, estava junto com o D7 descendo o morro, Camisa no ombro, bermuda branca lá embaixo que dava para ver a cueca, isso me deixava bolada demais.
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Sob O Morro
Fanfiction📍Rio de janeiro, Rocinha +18 Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
